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Fotografia

A fotografia na defesa da natureza
Maurício Mercadante A. Coutinho

O cerrado brasileiro se estendia originalmente por dois milhões de quilômetros quadrados. Metade dessa área foi desmatada em menos de cinquenta anos. E a destruição continua: em 2015, foram desmatados 9.483 quilômetros quadrados.

Há oito anos decidi dedicar meu tempo livre a uma paixão antiga: documentar a flora do cerrado por meio da fotografia. Os estudos botânicos indicam que ele abriga cerca de 12 mil espécies de plantas. Entretanto, o que são 12 mil espécies?

Um dia, caminhando por uma área de campo, encontrei, crescendo no meio do capim, uma perpétua (Gomphrena arborescens). Fiquei perplexo. Apesar de, em tempos idos, ter feito muitas trilhas no cerrado, nunca tinha visto uma flor como aquela. Não sabia que existia. No entanto, ela é relativamente fácil de encontrar.

Esse deslumbramento se repetiu centenas de vezes. As cores, as formas, as texturas, os odores. Caminhar pela natureza é sempre uma novidade, ainda que percorrendo a mesma trilha. Observar plantas é também observar borboletas, formigas, besouros, abelhas, percevejos, aranhas, entre outros. Milhares de pequenos animais morando, comendo, polinizando, reproduzindo-se em cada planta e ajudando-a a se reproduzir, o que torna aguda a consciência da interdependência e comunhão de toda vida na Terra.

Observar e fotografar as plantas do cerrado se tornou um ritual de contemplação, encantamento e reverência pela beleza e mistério da vida. Hoje posso reconhecer pelo nome cerca de mil espécies, o que é importante porque, para nós, o que não tem nome não existe. Nomear é animar.

O cerrado é um bioma sob ameaça. A cada dia é destruída uma área equivalente a cerca de 1.500 campos de futebol. A cada flor fotografada quase posso ouvir o som da motosserra, do trator, do fogo. E dói. Algumas das plantas que encontrei, descobri depois, estão ameaçadas de extinção.

Não é suficiente informar os números sobre a destruição do cerrado. É preciso emocionar. O verdadeiro conhecimento é aquele que mobiliza. A beleza encanta e tem valor. A fotografia, quando consegue mostrar a beleza da natureza ajuda a mobilizar as pessoas. Hoje tenho outro entendimento do que são 12 mil espécies e da dimensão da catástrofe em curso.

Nossos padrões de produção e consumo são insustentáveis. A humanidade está usando cinquenta por cento mais recursos do que a Terra pode fornecer. Não sabemos de modo exato o que vai acontecer nas próximas décadas, porém é certo que estamos destruindo nossos biomas, empobrecendo nossas vidas e reduzindo nossas possibilidades de existência. No nosso mundo “hiperurbanizado” o contato com a natureza é cada vez mais raro. Os shoppings estão cheios, os parques naturais, vazios. O risco de tempos difíceis para as gerações futuras parece cada vez maior. É urgente anunciar a beleza da natureza e fomentar a reverência pela vida.

• Maurício Mercadante A. Coutinho é engenheiro florestal e ecólogo por formação. É ambientalista, fotógrafo de natureza e consultor legislativo na Câmara dos Deputados para assuntos de meio ambiente.

Leia mais
Galeria de fotos: Flores do Cerrado

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