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Algumas das grandes contribuições da Reforma Protestante para o mundo

O período medieval na Europa foi finalizado por dois movimentos consecutivos, porém interligados: o movimento da Renascença, a partir do século 15, e o da Reforma Protestante, a partir do século 16. Ambos procuraram a sua inspiração no mundo antigo. Os artistas e os humanistas da Renascença procuravam imitar e renovar as artes e as formas de literatura clássicas. Os reformadores derivaram a sua inspiração do início do cristianismo e das Escrituras que ele produziu mais de três séculos antes do desenvolvimento de uma autoridade clerical com o respaldo de um estado poderoso e de uma teologia dogmática. A Reforma Protestante, aliada grandemente às ideias e instituições que surgiram da Renascença, contribuiu em quase todos os aspectos e da maneira mais abrangente para o desenvolvimento do mundo moderno como conhecemos hoje. Algumas das dádivas incluem conceitos como a liberdade, o individualismo, a igualdade, o nacionalismo e a democracia. E, a partir desses conceitos, houve mudanças drásticas nas áreas da economia, da educação, da ciência e da tecnologia e houve transformações de valores na estratificação social, na sexualidade e na família. E, finalmente, o movimento missionário decorrente da Reforma Protestante, junto com o empenho do movimento missionário católico, levou esses conceitos e instituições de saúde e de educação até aos confins do mundo, literalmente.

A história dessa transformação é longa e complexa e vários movimentos posteriores contam essa história da sua própria maneira. Por exemplo, os historiadores protestantes descrevem a época como uma libertação da corrupção medieval, referindo-se ao Santo Império Romano. Os historiadores católicos contra-atacam falando da irrupção catastrófica do individualismo. Os descendentes liberais do protestantismo dizem que o apelo para a consciência de Martinho Lutero representou o “nascimento da liberdade individual”, que deu origem ao estado moderno secular e seus conflitos sobre a prática livre da religião. Os historiadores marxistas argumentam que o apelo popular de Lutero fez com que ele fizesse parte de uma “revolução burguesa principiante” enquanto os peões rebeldes eram proletariados antes do seu tempo. Finalmente, estudos mais recentes enfatizam as dimensões sociais das transformações provocadas pela Reforma Protestante, tais como elaboramos a seguir.

Na política
O “estado moderno”. Com a divisão da cristandade em católica e protestante, a Reforma quebrou a unidade religiosa da Europa que caracterizou o período até então e enfraqueceu a instituição social principal da sociedade medieval: a Igreja. E, ao achar seu aliado contra a Igreja Católica nos príncipes e nos monarcas, a Reforma acabou fortalecendo o crescimento do estado secular e centralizado. Mais indiretamente, o protestantismo contribuiu também para o crescimento da liberdade política e regional, outra característica do Ocidente moderno. Isso ocorreu porque o protestantismo dava legitimidade religiosa para a revolução em contraposição ao governo tirânico.

A “democracia representativa”. Hoje, sistemas de governo com base na democracia representativa são descendentes diretos do sistema presbiteriano de governo, que foi determinante na constituição da América colonial, e da influência dos Estados Unidos junto com o conceito de liberdade de escolha promovido também pela Revolução Francesa, de inúmeros governos ao redor do mundo.

Na cultura
A “igualdade e a liberdade”. As ideias modernas de igualdade e liberdade de escolha foram grandemente avançadas pela Reforma Protestante. Em parte, isso provém da insistência de Lutero de que não existe distinção espiritual diante de Deus entre o clero e o leigo. A doutrina do sacerdócio de todos os santos afirmava que todos os crentes são iguais, todos são igualmente cristãos e todos são igualmente sacerdotes. Com isso, mais a ideia de consciência individual, a Reforma contribuiu para a criação de uma ética individualista. Todos os reformadores insistiam nos direitos e responsabilidades do indivíduo de interpretar as Escrituras de acordo com a sua consciência. Dessa forma, a piedade não se define e não se determina mais pela Igreja, mas sim pelo indivíduo autônomo, cuja consciência, iluminada por Deus por meio das Escrituras, se torna a fonte de juízo e autoridade. Essa ênfase na consciência individual contribuiu para o desenvolvimento do capitalismo, pelos menos na sua dependência, por bem ou por mal, de uma postura consumista, um fundamento da vida econômica moderna.

O significado de muito da “literatura” e da “arte” ocidental também deriva grandemente dos princípios que a Reforma Protestante iniciou ou promoveu.

O salto quântico da “ciência” e da “tecnologia” a partir da Revolução Industrial no século 17 e seus primórdios nos dois séculos anteriores só se fez possível pela ideia da consciência individual e livre advinda da Reforma e de sua grande aliada e antecedente: a universidade.

A influência mundial
Quase todas as línguas do mundo foram codificadas inicialmente por missionários. Mesmo que isso tenha começado antes da Reforma, foi ela que, com sua ênfase na única autoridade das Escrituras e a sua necessidade de ser lida e entendida por todas as pessoas nas suas próprias línguas, muito avançou esse processo. Mais escolas e universidades foram estabelecidas por cristãos do que por todas as outras religiões juntas, e em quase todas as nações os programas de saúde e de educação foram estabelecidos pelas igrejas. De novo, isso não foi de exclusividade protestante, mas a ênfase desse movimento nas Escrituras motivou o estabelecimento da maioria dessas instituições a partir da Reforma Protestante.

Semelhantemente, a elevação do status das mulheres e a libertação de raças escravizadas e outros grupos oprimidos se fundamentaram em princípios que a Reforma Protestante possibilitou ou em muito avançou desde o período da Renascença. Reformadores e missionários cristãos conseguiram realizar a abolição de escravos, do canibalismo, do tráfico, prostituição e sacrifício de crianças e da queima de viúvas. Aliás, quase todas as nações praticavam a escravidão e o sacrífico humano antes da chegada da influência cristã.

Esse esforço missionário moderno não se iniciou no século 18 com William Carey e Adoniram Judson, mas com os próprios reformadores, que enviaram dezenas e centenas de missionários para outros países,1 e foi a partir da Reforma que a expansão missionária deu seus avanços maiores na África e na Ásia, mesmo que tenham sido os católicos que dominavam o cenário na América Latina até fins do século passado.

Apesar de pouco reconhecido hoje, a dádiva da Reforma Protestante para o mundo, mais especificamente para a construção da mentalidade ocidental e da sua influência no mundo inteiro, é incalculável. Suas contribuições foram imensas e atingiram praticamente todas as áreas da vida. Talvez não seja exagero dizer que, fora o surgimento do próprio cristianismo, nenhum outro movimento teve tanta influência no mundo quanto o protestantismo.

Nota
1. www.ultimato.com.br/conteudo/joao-calvino-e-a-acao-missionaria.

• Timóteo Carriker é teólogo, missionário da Igreja Presbiteriana Independente, capelão d’A Rocha Brasil e surfista nas horas vagas. É autor de A Visão Missionária na Bíblia e Trabalho, Descanso e Dinheiro e blogueiro da Ultimato.

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