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Histórias de fragilidade e graça

 Ainda que nos atraia, a beleza glamorosa e romântica que vemos nos filmes, nas redes sociais e nas cerimônias de casamento não resiste ao tempo nem aos testes. Idealizar a família segundo este padrão leva-nos a buscar algo que não existe e nos impede de ver a beleza já presente em famílias de carne e osso.
As histórias a seguir, de famílias cristãs, são reais. Elas nos lembram mais um caminhar capenga do que o andar desembaraçado. São cenas breves, que evocam memórias ou expectativas, de uma longa história, em que estão presentes a imperfeição e a ausência. Mas também a graça, que aparece na forma de perdão, cura, mudança de cenário, correção de rumo, provisão de vínculos, refrigério e, sobretudo, na forma de resistência, dia após dia. E, surpreendentemente, há beleza e alegria!

Filhos adotados
Hoje é dia da formatura do filho na escola técnica. Os pais -- orgulhosos -- assistem à entrega do diploma ao lado da filha, alheia a tudo, na cadeira de rodas. Eles sempre desejaram filhos, mas as tentativas de engravidar não foram para frente. Partiram para adoção e não demorou muito chegaram os dois irmãos, o menino com 2 anos e a menina com poucos dias de vida. A alegria tomou conta da casa. Sete anos depois, a filha parou de andar e, depois, parou de falar. Foi diagnosticada com doença degenerativa. Tempos difíceis: o pai “brigou” com Deus, saiu de casa. Retornou pouco tempo depois. Junto com a esposa dedica-se com amor aos cuidados especiais que a filha requer. Hoje, emotivo, está cheio de gratidão por Deus ter mudado seu coração e lhe ensinado o amor incondicional. Lembrou também do suporte de sua comunidade cristã. A vitória do filho é a cereja do bolo.

Ele era um “traste”
Era a sua terceira ida ao cemitério em um ano. Primeiro enterrou a filha mais jovem e depois o filho mais velho, baleado. Depois foi a vez de enterrar o esposo. Meio sem jeito, ela disse ao pastor que não estava triste com a sua morte. Era um homem rude, que a abandonara com os filhos ainda pequenos para viver com outra. Quando adoeceu gravemente, a companheira o despejou e ele retornou à casa. Apenas os netos conseguiam fazer com que ele esboçasse algum afeto. Apesar de referir-se ao esposo como um “traste”, cuidou dele por quatro anos. Sua morte trouxe-lhe uma aposentadoria regular e ela parou de trabalhar depois de trinta anos como doméstica. Crente fiel, mesmo sem que alguém da família (tem cinco filhos) a acompanhe. Não alfabetizada, ouve os áudios da Bíblia, vai à igreja, ora, dá dízimo. Continua reunindo a família aos domingos e orando por eles. Com sua fé muito simples.

Surpreendentemente felizes
Estavam nas bodas de ouro dos pais dela. Quem a conhece de longa data surpreende-se com o sorriso largo e sua desenvoltura numa festa chique. O esposo também está feliz. Na foto oficial o casal está ao lado dos pais, dos irmãos -- advogados de sucesso --, das cunhadas e dos sobrinhos. Ninguém supunha que ela se casaria. Foi sempre uma menina “complicada”, mais tarde diagnosticada com “esquizofrenia”. Sua fé e o entrosamento na comunidade cristã -- além do tratamento médico -- a ajudaram a ampliar os horizontes. Canta e toca muito bem; e acolhe como ninguém as pessoas que visitam a igreja. Estava com 35 anos quando ele apareceu. Amaram-se e se casaram. Já se vão dez anos; não têm nem terão filhos. São fiéis um ao outro; o problema dela persiste, mas ninguém duvida que formam um casal feliz.

Existe “família de verdade”?
Ela se apegou a uma família da igreja ao mudar-se de uma cidade do interior para a capital a fim de estudar. Anos depois confessou a esta família que no início da amizade achava que o casal fingia; ela estava convicta de que não existiam “famílias de verdade”. Seu pai abandonou sua mãe quando ela tinha 3 anos. Depois de mais de quinze anos sem contato, procurou-a quando ela estava para se formar, mas ficou só em comunicações esporádicas à distância. Ela e a mãe tinham suas diferenças. Apenas recentemente, compreendeu que a mãe sofria com depressão não tratada. Agora, aos 30, economicamente independente, de bem com a mãe, acabou de se inscrever num site cristão de relacionamentos. Quer construir uma família e quebrar o ciclo familiar de infidelidade e infelicidade.

“Fora do caminho”
O pastor idoso refletia sobre os filhos de seu amigo que falecera há alguns dias. Ao que tudo indica [ele poderia estar enganado, pois afinal só Deus sonda os corações], apenas um deles estava “firme no caminho”; os demais, segundo soube, “encantaram-se com o brilho do presente século”. A mãe deles falecera dois anos antes, com complicações de Alzheimer. O amigo do pastor e sua esposa tinham sido tão piedosos na criação dos filhos! Cultos domésticos, orações diárias, presença na igreja, acolhimento dos amigos dos filhos. Parecia que tudo ia bem. Quando chegaram à juventude, um a um foi se afastando. Sabendo da amizade entre eles, que há anos oravam juntos, os filhos lhe deram a palavra no sepultamento. Depois de homenagear a integridade do amigo, ele se dirigiu a eles, falando do amor dos pais por eles e de seu desejo de que eles servissem ao Senhor. Agora, a sós, ele se ajoelhou e pediu que a palavra germinasse em seus corações.

Amor [muito] discreto
O genro com a filha e sua esposa aguardavam o retorno dele. Após breve hospitalização por conta de um AVC, ele voltava para casa, sem sequelas. No momento que entrou na sala, sustentado pela filha, a esposa com um sorriso discreto se levantou do sofá -- onde estava com os olhos vidrados na TV sem nada falar o dia todo --, o abraçou, colocou sua cabeça em seu peito e suspirou baixinho: “Que bom que você voltou! Eu preciso tanto de você”. Isto comoveu os presentes. Ela praticamente não expressa suas ideias, suas necessidades e menos ainda seus afetos, exceto nas poucas vezes que ora audivelmente e se refere aos queridos. É assim há muito tempo. Os filhos às vezes se ressentem, o esposo menos; está convencido de seu amor por ela e faz de tudo para minimizar a gravidade do caso.

“Faz dez anos”
À mesa, de repente, o rapaz pergunta à família: “Estão lembrados que hoje faz dez anos?”. Ninguém esperava por isso. Tudo foi tratado com muita discrição. E agora ele festeja -- na presença da esposa, do filho pequeno, do irmão, que sabe o mínimo desta história, e dos pais -- a guinada de sua vida. A mãe não conteve as lágrimas. Ela e o pai se lembravam muito bem, não da data em si, mas dos fatos. Durante quase dois anos o filho viveu uma “meia vida”, se escondendo, fingindo, consumindo drogas. Há dez anos, o Espírito Santo fez com que as palavras de confronto e de lembrança de sua herança cristã surtissem efeito. Sim, era preciso celebrar o dia que a vida do filho tomou outro rumo.

Não aprovada no teste
O ciúme acabou com o casamento. Ele, inteligente e talentoso, começou a beber. Veio o desemprego; afundou-se ainda mais no alcoolismo. Durante os cinco anos desquitados brigavam e se ofendiam muito, mas de vez quando iam para cama. Desses relacionamentos ocasionais nasceram dois de seus cinco filhos. Quatro deles passaram por uma experiência cristã na adolescência ou juventude e três chegaram a ser batizados. A segunda filha mais velha é a única que permaneceu. E quer ser missionária. Não é fácil. Não conta com o apoio da família; tem suas cicatrizes a tratar. Entristece-se ao lembrar que no seu principal campo missionário -- a família -- não tem tido sucesso.

Quero ir por aqui!
Para os pais, havia algum indício de que isto aconteceria. A filha contou-lhes nas últimas férias que está num relacionamento com uma colega cristã. Ela sabe da posição contrária deles -- o pai é pastor -- e da igreja em que congrega desde menina. Longe dela querer ficar afastada do abrigo de Deus! Aproximou-se da teologia revisionista, que faz uma releitura da Bíblia chegando à conclusão de que o envolvimento sexual entre pessoas do mesmo sexo não é pecado desde que aconteça num contexto de compromisso e exclusividade. Aproximou-se de novos amigos que pensam de forma semelhante. Os pais e os velhos amigos se entristecem. Sabem que não é possível desobrigá-la dos princípios bíblicos; continuam a orar por ela e a amá-la. A liderança da igreja -- agora que a realidade chegou tão perto -- percebe como é difícil na prática acolher de fato, sem transigir de seus princípios.

As histórias foram contadas de modo a preservar a identidade das pessoas.

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