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Colunas — Redescobrindo a palavra de Deus

As Escrituras... sempre as Escrituras

Valdir Steuernagel

A Bíblia é um livro cativante e intenso. Ela tem uma capacidade infindável de chamar-nos para dentro dela mesma e de questionar e transformar a nossa vida até o último fio de cabelo. Ninguém que se permita mergulhar nela permanece igual. Ao nos reencontrar com Lutero, na celebração dos 500 anos da Reforma Protestante, vemos que ele mesmo vivenciou isso, como diz: “A Bíblia é viva. Ela fala comigo. Ela tem pés e corre atrás de mim; ela tem mãos e me agarra”.

Desde o momento em que ele teve a chance de abrir uma Bíblia e ler a história de Ana e Samuel, Lutero não mais a deixou, tornando-se reformador pela leitura da Bíblia, como diz o teólogo Brakemeier. Naquele seu primeiro encontro com a Escritura, numa biblioteca, ela estava acorrentada a uma estante, como se fazia com objetos de valor. Quando ele faleceu, o texto sagrado havia sido “liberto” e achava-se nas mãos de milhares de pessoas, na sua língua materna. Abrir e ler, estudar e interpretar, proclamar e defender a Palavra foi a luta da sua vida.

A Bíblia na mão do povo
Nós dificilmente temos a exata dimensão do que significou, para aquela época, o anúncio de que a palavra de Deus precisava sair das mãos da instituição eclesial e ser colocada nas mãos das pessoas em sua língua materna. Pois foi exatamente isso que aconteceu.

Ouvir a Deus em sua própria língua é uma das marcas da fé cristã. Há no cerne das “maravilhas de Deus” (At 2.11) uma força centrífuga que busca alcançar as pessoas com a boa nova da graça e do amor transformador de Deus. Assim, a palavra que Deus fala não pode ser nem aprisionada numa linguagem desconhecida nem engessada em formas e ritos que a desfigurem a ponto de perder o frescor de boa nova. É a serviço desta palavra evangélica que Lutero entende a sua própria vida.

Lutero se dedicou intensamente à tradução e divulgação das Escrituras. Houve ocasiões em que ele correu verdadeiro risco de vida, como aconteceu por ocasião da Dieta de Worms (1521), quando não negou os seus escritos e afirmou a sua convicção de seguir as Escrituras. Temendo pela vida dele, o príncipe Frederico, o Sábio, mandou sequestrá-lo e escondê-lo no castelo de Wartburg. Lá, em onze semanas Lutero traduziu o Novo Testamento para o alemão (publicado em 1522). A tradução do Antigo Testamento, publicada em 1534, demorou muito mais. Foram dez anos, cercado de uma equipe de professores de teologia empenhados em completar essa exigente tarefa.

Há três marcas significativas nesse esforço de Lutero para tornar o texto acessível ao povo. A primeira foi a convicção de que essa palavra não poderia ser traduzida por qualquer um, pois isso requeria, em suas palavras, “um coração muito piedoso, fiel, diligente, temente, cristão, erudito, experiente”. A segunda foi a competência associada à experiência. Isto significava que as línguas antigas, o hebraico e o grego, precisavam ser estudadas de tal maneira que se entendesse o sentido original do texto e a tradução refletisse isso com exatidão. E a terceira marca foi o empenho constante para traduzir o texto sagrado de tal forma que a pessoa simples pudesse entendê-lo. Como ele dizia, “é preciso perguntar à mãe em sua casa, às crianças na rua, ao homem simples no mercado. Observe como eles movem a boca ao falar e traduza daquele jeito”.

Não se pode dizer que Lutero sempre acertou em suas traduções ou interpretação bíblica. Mas pode-se afirmar que ele estava convicto de que “as obras de Deus são suas palavras” e, por isso, tinha com elas um compromisso visceral, objetivando que o maior número possível de pessoas, destacando as mais simples, tivessem acesso a elas a fim de conhecerem a Cristo e experimentarem a justificação pela fé.

Se num momento Lutero foi esse tradutor-evangelista, noutro ele vocifera contra qualquer tentativa de domesticar o evangelho ou torná-lo inacessível a todos e aos mais simples. Assim, ele critica fortemente o papado de sua época, que afirmava o monopólio ao acesso e à interpretação dessa palavra, enquadrando-a institucionalmente. Ademais, ele denuncia a grande instituição religiosa da época por procurar acrescentar às Escrituras leis, normas, preceitos e práticas que tornavam a fé errante, custosa e árida. Em um de seus mais veementes sermões ele diz: “Os cristãos não aceitam outra doutrina senão a que se funda sobre a palavra de Jesus Cristo, dos apóstolos e dos profetas. Nenhum homem, nenhuma assembleia de doutores, tem o direito de prescrever outras novas”. E pode ser ainda mais incisivo ao afirmar, em seu estilo direto e forte, que “um simples leigo, armado com a Escritura, deve ter mais crédito do que o papa ou um cardeal sem ela”.

Esses dois movimentos de Lutero são importantes até hoje. Em primeiro lugar porque nos desafiam a revisar continuamente os nossos processos institucionais e discernir se eles estão se tornando pesados e desviando as pessoas de um encontro restaurador com a palavra de Deus. Nenhum processo institucional, por mais necessário que seja, está livre dessa tentação e por isso o segundo movimento é tão importante. Neste, o evangelho nos impulsiona para fora e em direção ao outro. Precisamos estar em contínuo movimento para que o evangelho chegue às mãos e ao coração do maior número possível de pessoas, de maneira tal que elas percebam a Deus falando em sua língua materna e assim discirnam o amor e a graça divina. E, ao se encontrarem com esta palavra vital, se encontrarão com Cristo, que é o verdadeiro centro das Escrituras.

• Valdir Steuernagel é pastor na Comunidade do Redentor, em Curitiba, PR. Faz parte da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, da Aliança Cristã Evangélica Mundial e da Visão Mundial

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