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Capa — É Tempo de Lamentar - de Ezequiel aos nossos dias, quanta tristeza!

Lamentos

Oseas Heckert lamenta:
“(des)ordem e regresso”
Não há justo,
nem sequer um;
ninguém faz o bem,
nem sequer um.
Para todos eles,
desordem é diversão.
Eles merecem punição!
Olho por olho, dente...

Prudente olho pro umbigo:
quem merece castigo?
-- Quem não pisou na bola
que atire a primeira bala.
-- Retire do teu olho
o paralelepípedo,
antes de criticar
o cisquinho no olho
do paralelebípede.

Eu me vejo no espelho,
vermelho de vergonha.
Mereço a minha peçonha.

Oops. Foi mal.
Uau! Fui mau.
Pra pôr minha vida
em ordem e progresso,
arrependido, (r)egresso
do império da ira-morte,
no transporte do perdão.

Tem muita festa no céu
a cada um que se revolta
consigo mesmo, e volta
a andar na contramão,
no contrafluxo da corrupção.

Elsie Gilbert lamenta:
“Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem” (Mt 2.18). Quantas Raquéis somos hoje no Brasil, Senhor? Faz diferença para nós se o nosso filho for executado com 2 aninhos ou com 14, 15, 16, 17, 18 ou 19? Onde está o nosso Egito? Com que idade será seguro voltar de lá? Faz diferença se a morte chegar pelas mãos dos soldados de Herodes ou pela violência armada que envolve os nossos meninos num jogo perverso no qual o mais forte e cruel sempre vence? São nossos filhos! O Senhor teceu cada um deles com suas próprias mãos, aqui, dentro de nós! Como é possível sermos consoladas? Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Luiz César N. Araújo lamenta:
Entristeço-me quando ouço irmãos denegrindo a pessoa ou o ministério de um pastor. Nada mais contrário à orientação bíblica que exorta as ovelhas a honrarem, amarem e cuidarem de seus líderes espirituais (Hb 13.7, 17). Pior ainda é quando a crítica, e muitas vezes a maledicência, disfarçada de ilustrações e comentários, partem de outro pastor. Como é triste ver alguém, até mesmo no púlpito, manchando a imagem ou o ministério de seus colegas. O que ganha o evangelho com tais práticas? Que benefício terá o reino de Deus com tal procedimento? É como se o que fala estivesse à parte, ou acima, das fraquezas que acompanham um ministro de Deus. Os pastores, como todos os crentes, são ao mesmo tempo “santos e humanos”, estão sujeitos às mesmas inclinações carnais dos demais homens, e, por isso, devem ser alvo de orações, exortações, conselhos e até repreensões. Nunca, no entanto, devem ser alvo de frivolidades e referências que os exponham -- e os seus ministérios -- à vergonha.

Maria Luiza Rückert lamenta:
Lendo os profetas de Israel, ficamos atentos à realidade.
O que provoca um lamento nos dias de hoje é que muitas das realizações do presidente Obama estão sendo desmontadas por seu sucessor. O primeiro presidente negro dos Estados Unidos, e certamente também o mais culto, foi competente, pois recuperou a economia e reduziu o desemprego. O seu programa de saúde, dirigido aos mais pobres e conhecido como “Obama care”, foi o primeiro a ser atingido pela política de desmonte do seu sucessor. Enquanto o presidente Obama se empenhava por uma economia mais humanitária, o seu sucessor usa como trampolim o nacionalismo de competição, em que os pobres são vistos como a sobra de uma sociedade. É um retrocesso humanitário, apoiado na exclusividade de uma economia só para os norte-americanos. Em Israel, o vaqueiro Amós foi chamado por Deus para se dirigir ao Reino do Norte e denunciar a prosperidade de Jeroboão II, que só favorecia uma minoria. Uma situação idêntica hoje provoca lamento e denúncia profética.

Timóteo Carriker lamenta:
Lembrando as lamúrias dos profetas Jeremias e Ezequiel, lamento a condição do povo de Deus da qual faço parte. Lamento a insistência numa vida pomposa quando Jesus ordenou e exemplificou na carne que tomemos a cruz e o sigamos, escolhendo o caminho da abnegação e consideração do outro como superior. Lamento a falsa espiritualidade que diz que amar a Deus pode significar não dar prioridade às necessidades materiais do nosso próximo, contrário ao exemplo e ensino de Jesus. E lamento a bifurcação arbitrária da justiça de Deus que se apressa em denunciar as injustiças pessoais de cunho moral e não zela com o mesmo afinco pela corrupção política e as injustiças cometidas contra pessoas e setores mais fragilizados. Talvez acima disso, lamento a taxação dessas preocupações como sendo da esquerda, e não do ensino dos Evangelhos. Certamente acima de tudo, lamento minhas próprias faltas, arrogância e tendência de me afastar do caminho do evangelho como revelado nas Escrituras.

José Carlos da Silva lamenta:
Não lamento a morte do justo, prematura ou tardia.
Quem pouco vive, pouco sofre. Quem tarda, leva realizações, deixa amigos e revê outros além do rio.
Lamento a vida pobre dos sentimentos mesquinhos, ações sem propósito, relacionamentos rasos, palavras frívolas, cristianismo sem espiritualidade.

Ricardo Bitun
Diante disto lamentamos e choramos...
Jesus chorou diante da sepultura de um amigo. Lamentou ver o fim da jornada de Lázaro na terra.
Certamente não foi o Jesus da Teologia da Confissão Positiva.
O Jesus da Confissão Positiva, firme e determinado, se postaria diante da imensa pedra e discursaria sobre a falta de fé de seu amigo, exortando os enlutados: “Ele deveria ter crido mais, exercido sua fé, determinado a sua cura, etc, etc e etc”. Não caberia choro, muito menos lamento, e sim a confissão positiva de que podemos alcançar tudo aquilo que queremos, se tão somente crermos de maneira correta, declarando as palavras certas.
Diante disso lamentamos e choramos.

Jesus chorou!
Chorou porque o irmão de suas irmãs Maria e Marta não estavam mais lá para compartilhar da amizade, da fé e da vida.
Certamente não foi o Jesus da Igreja-Empresa.
O Jesus da Igreja-Empresa rapidamente faria os cálculos necessários, levantaria os custos, mandaria preparar a igreja, pensaria em como abrir espaço em sua agenda, cancelaria um dos inúmeros cultos e campanhas. Não teria ocasião para chorar, pois sua relação com aquela família era muito superficial e seus horários não lhe permitiam maior aproximação.
Não lamentaria, pois aprendeu que para liderar uma organização é preciso ser frio, racional, pragmático, não se deixar levar por emoções. Assim, teve de desaprender a chorar e aprender a não mais lamentar.
Diante disso lamentamos e choramos.

Jesus chorou!
Chorou porque alguém que lhe era tão caro partiu sem lhe dizer ah! Deus, lamentando como que num último suspiro pelo amigo querido que não estaria mais ao seu lado.
Certamente não foi o Jesus do Controle.
O Jesus do Controle há muito controla suas emoções, disciplina seus sentimentos e tem o comando total e absoluto de suas reações. Leva sua vida com austera disciplina e não abre espaço para o afeto, é rígido e qualquer descontrole deve ser evitado a qualquer custo.
Não abriria mão da liturgia, muito menos das palavras corretas, seguindo passo a passo a boa e velha tradição. Não há espaço para o lamento espontâneo. Afinal, é mais um que se vai e, melhor, vai para o céu, onde todos um dia estaremos juntos. Então para quê chorar?
Não lamentaria, pois não há afeto bastante para lamentar.
Diante disso lamentamos e choramos.

Jesus chorou? Jesus não sabia que ressuscitaria Lázaro, então por que chorar?
Ele se entregou ao choro e ao lamento por causa de seu irmão e amigo. Pela compaixão que o trouxe à terra. Pelo amor e pela empatia com que via o outro.
Por isso, ele chorou e lamentou com Marta e Maria a morte de seu irmão, pois ele chora com os que choram, mesmo sabendo que aquela condição não era para sempre. Mesmo sabendo que o ressuscitaria, ele lamentou.
Jesus chorou!

Colaboraram para a produção deste artigo
• Elsie Gilbert, jornalista e editora do blog da Rede Mãos Dadas.
• José Carlos da Silva, pastor da Primeira Igreja Batista de Brasília e membro do Conselho Gestor da Aliança Cristã Evangélica Brasileira.
• Luiz César Nunes de Araújo, reitor do Seminário Teológico Cristão Evangélico do Brasil (SETECEB), em Anápolis, GO.
• Maria Luiza Rückert, teóloga com especialização em clínica pastoral e autora de Capelania Hospitalar e Ética do Cuidado.
• Oseas Heckert, poetrainee, coach, engenheiro da esperança, aprendendo a ser diferente para fazer a diferença.
• Ricardo Bitun, pastor da Igreja Manaim e professor doutor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
• Timóteo Carriker, missiólogo e professor em diversas escolas de teologia e missões. Autor de, entre outros, Trabalho, Descanso e Dinheiro e A Visão Missionária na Bíblia.

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