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Iconografia

Sonia Couto

A leitura de imagens: exercícios de aproximação e de afastamento

 

Somos expostos a códigos e representações visuais em constante transformação. O desenvolvimento tecnológico e as novas mídias ditaram um novo ritmo à dinâmica do olhar e de como encaramos as imagens construídas do nosso tempo. Como espectadores deveríamos ser estimulados a adotar uma visão crítica das imagens e do contexto de suas produções.

 

Uma alternativa para compreender melhor sobre o uso e as apropriações das imagens é por meio do que tem sido produzido no âmbito da história e da antropologia visual, que tratam a visualidade como discursos e práticas historicamente situados.

 

O livro “Etnografia e Iconografia nos Registros de Hércules Florence durante a Expedição Langsdorff, na Província do Mato Grosso (1826–1829)” (Ed. UFGD, 2016) aprofunda o conhecimento da imagem nas dinâmicas sociais. O objeto de estudo do livro foram as representações etnográficas e iconográficas produzidas a partir do contato interétnico. A forma como o homem se representa (visão êmica), ou é representado (visão étnica), conduz a problemática da imagem e define suas possibilidades de representação.

 

O recorte histórico em questão é o Brasil do século 19, que recebeu inúmeras expedições científicas estrangeiras com a vinda da família real e a Abertura dos Portos. Nas expedições científicas, papel fundamental coube aos pintores-viajantes, responsáveis por descrever e traduzir no papel todos os detalhes do inventário do Novo Mundo. As definições entre o “eu” e o “outro” mediadas pelas imagens foram um território profícuo para fins científicos e coloniais. O pintor-viajante francês Hercules Florence foi escolhido como segundo desenhista da expedição russa Langsdorff (1826 a 1829), que cruzou, através dos rios, as províncias de São Paulo, Mato Grosso e Grão-Pará.

 

Uma leitura do material imagético produzido pelo artista exemplifica como as representações sobre o “outro” trafegam pelo universo dos códigos visuais. As imagens expressam as demandas socioculturais em um contínuo ciclo de criação para catalogação. Por meio do relato de Florence podemos perceber de um lado o desenhista e sua cosmovisão, que seleciona e tipifica seus retratados. E do outro, os retratados, que, mesmo diante de mudanças socioculturais nas situações de contato, reafirmam e reelaboram suas identidades étnicas.

 

O exercício quase rotineiro de “ler” imagens deveria conduzir-nos a problematizá-las e refletir sobre suas (in)congruências na nossa trajetória pessoal e comunitária. Nossa hiperexposição não permite questionamentos, aliás, há interesses práticos do mercado para que isso não seja possível. Ao selecionar e filtrar o que se torna superficial, podemos olhar para o “outro” com maior perspectiva, com mais tempo e esforço de compreendê-lo. Não há imagens que substituam as experiências de vida e de pessoalidade.

 

Sonia Couto, designer e mestre em história pela UFGD, mora em Viçosa, MG, com seu esposo e seus dois filhos.

 

LEIA MAIS

Etnografia e Iconografia nos Registros de Hércules Florence durante a Expedição Langsdorff, na Província do Mato Grosso (1826–1829), de Sonia Couto. Livro no formato PDF. 

goo.gl/2GlygI

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