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Colunas — Redescobrindo a palavra de Deus

Convidados para a festa -- 500 anos da Reforma (1517-2017)

Valdir Steuernagel

 

Neste ano celebramos os 500 anos da Reforma Protestante. Toda a família cristã é convidada para esta festa que se espalhará por diferentes espaços e culturas. Afinal, a Reforma influenciou as mais diferentes tradições cristãs, com destaque para a luterana, reformada, anglicana, metodista e anabatista.

 

Esta celebração, que reconhece a ação de Deus no decorrer da história, será um exercício de memória e um convite ao compromisso. Honrar a memória daqueles que se tornaram nossos pais e mães na fé motivará o compromisso de identificar e obedecer a essa voz-ação de Deus hoje e de declarar como Lutero fez, em 1521, na Dieta de Worms: “Esta é a minha posição. Não posso agir de outra maneira. Que Deus me ajude. Amém!”.

 

As 95 Teses anunciam um novo tempo

O marco dos 500 anos se desenha em torno da figura de Martinho Lutero e do momento em que, no dia 31 de outubro de 1917, ele afixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg, na Alemanha, as suas famosas 95 Teses. Este gesto não nasceu do nada, mas sintetiza aquilo que ele experimentara e descobrira quando, ao mergulhar nas Escrituras, encontrou-se com o Deus da graça. Na ocasião, ele já estava no mosteiro agostiniano, em Erfurt, desde o dia, em 1505, em que um raio caiu perto dele e ele exclamou aterrorizado: “Ajuda-me, Santa Ana, e me tornarei monge”. E honrou a decisão. Em 1512 tornou-se “doutor em Bíblia”, passando a expor, na Universidade de Wittenberg, os livros dos Salmos, Romanos, Gálatas e Hebreus.

 

Apesar do seu empenho para ser um monge exemplar, da profundidade com que expunha as Escrituras e da sua busca por um Deus misericordioso, ele apenas encontrava um Deus punitivo e se via mergulhado em suas culpas, como expressa num escrito de 1545: “Ainda que eu vivesse como um monge sem mácula, diante de Deus sentia-me um pecador e com uma consciência extremamente perturbada. Não conseguia crer que ele estivesse apaziguado comigo. De fato, eu não o amava; pelo contrário, odiava o Deus justo que punia pecadores”.

 

Numa intensa luta com Deus e consigo mesmo, Lutero volta a encontrar-se -- como ele diz, “cativo com extraordinário ardor” -- com a palavra de Paulo em Romanos, quando fala da “revelação da justiça de Deus” (Rm 1.17). Ele se sentia aprisionado por uma interpretação segundo a qual um Deus justo pune pecadores, até que o contexto desta palavra leva-o a uma descoberta que muda toda a sua vida e sua teologia. É bom ler ele mesmo falar deste momento:

 

Finalmente, por misericórdia de Deus, meditando dia e noite, eu atentei para o contexto das palavras, a saber, “[no evangelho] é revelada a justiça de Deus, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’”. Ali eu comecei a entender que a justiça de Deus é aquela pela qual o justo vive devido a uma dádiva de Deus, ou seja, pela fé. E este é o significado: a justiça de Deus é revelada pelo evangelho, a saber, a justiça passiva com a qual o Deus misericordioso nos justifica por meio da fé, como está escrito: “O justo viverá pela fé”. Aí eu senti que havia nascido de novo e que havia adentrado os portões abertos do próprio paraíso. Ali uma outra face, totalmente diferente, de toda a Escritura se manifestou a mim... Então adorei com a mais doce das palavras, com um amor tão grande quanto o ódio que antes eu odiava a expressão “justiça de Deus”. Assim, essa passagem de Paulo tornou-se para mim o verdadeiro portão do paraíso.

 

Este é o Lutero das 95 Teses. Elas não nasceram para desencadear um inexorável processo de conflito com a Igreja Católica Romana e seus tentáculos de poder típicos na Idade Média. Foram um convite público para uma discussão: “Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do reverendo padre Martinho Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última [...] Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém”.

 

Mas, de fato, isso nunca se concretizou, pois a situação saiu de controle. Graças à recém-descoberta imprensa escrita, as teses foram rapidamente traduzidas para o alemão e divulgadas, desencadeando um processo de crítica à instituição presidida pelo papa e lançando as bases do que viria a ser a realidade da Reforma. A vida do monge agostiniano nunca mais seria a mesma.

 

Denúncia e esperança

As 95 Teses são avassaladoras em sua crítica à teologia e ao aparato eclesial nutridos por uma instituição que visa a manutenção do poder e exala mais trevas do que luz. A igreja da época carecia dessa crítica, ainda que não a tenha processado, reagindo a ela com radicalidade e exclusão, como as instituições tendem a fazer. Escutar e receber a crítica evangélica é fundamental na vocação do reino. Sem ela tendemos a nos tornar cúmplices do “Zeitgeist” (espírito da época) e da corrupção que sustentam benefícios e privilégios. Na festa dos 500 anos, precisamos da crítica dos profetas que sofrem a agonia da busca de Deus e se deixam encontrar e enviar por ele como arautos da novidade de vida com a qual ele quer nos agraciar.

 

Essa crítica, no entanto, precisa nascer do encontro com o evangelho, como expresso nas Escrituras. Foi assim com Lutero, cujos olhos foram abertos para a Palavra que lhe mostrava o Deus da graça e do amor. E foi este Deus que o levou a afixar as 95 Teses, na convicção de que “o verdadeiro tesouro da igreja é o santíssimo evangelho da glória e da graça de Deus” (tese 62).

 

A igreja brasileira precisa de um contínuo encontro com esse evangelho. Só assim ela será aquilo que a Reforma sacramentou como um dos seus princípios: “ecclesia reformata semper reformanda”.

 

Nota

Esta coluna, no decorrer de 2017, enfocará a celebração dos 500 anos da Reforma e o fará na perspectiva que a orienta: Redescobrindo as Escrituras.

 

Valdir Steuernagel é pastor na Comunidade do Redentor, em Curitiba, PR. Faz parte da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, da Aliança Cristã Evangélica Mundial e da Visão Mundial

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