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Colunas — --

Sobre o Deus perfeito e sua Igreja imperfeita

Bráulia Ribeiro

 

Como o Espírito fez com que negros, latinos e indígenas recebessem a nova fé junto com brancos “opressores”

 

Já é senso comum crer que a igreja evangélica é socialmente irrelevante e que a “alienação” da religião isola as pessoas de seus problemas sociais reais.

Porém não é bem assim que nos revela a história. Vou me deter aqui em alguns poucos fatos interessantes sobre uma das muitas versões da igreja evangélica, a que talvez atraia mais críticas: a igreja pentecostal. Os pentecostais são alienados, ignorantes de sua responsabilidade social, irrelevantes no processo de desenvolvimento social do continente? Alguns historiadores, Gastón Espinosa e Daniel Ramírez, entre outros, tiveram a coragem de ir além dos clichês e perceber que a dimensão pública da fé cristã não começa com a teologia da libertação ou com a missão integral, mas é parte intrínseca dessa fé. O cristão que só é cristão para si não passou por uma experiência real de conversão. A conversão a Cristo é também a conversão ao outro, mesmo que este ensino não seja explicitado pela comunidade. O outro é parte da revelação do amor transcendental que recebo. Recebo o amor de Deus de graça que eu não mereço, e recebo junto com ele a capacidade de amar o outro.

As narrativas de Espinosa sobre o início do pentecostalismo americano nos levam a um mundo difícil, preconceituoso, mas onde a insistência do Espírito de Deus com a inclusão, bondade e quebra de barreiras raciais se faz clara na igreja.

Tudo começa numa pequena congregação no Texas, Estados Unidos, liderada por um pastor racista e supremacista branco, Charles Fox Parham, por volta de 1905. Algumas pessoas começam a falar em outras línguas. O interesse pelo fenômeno cresce muito além das linhas raciais e culturais. Pessoas começam a receber cura e uma revelação de Deus que lhes aviva a fé. Um negro chamado William Seymour pede a Parham para ir aos cultos e ser ensinado sobre o poder do Espírito. Seymour era um filho de escravos que tinha sentido o chamado para ser evangelista desde jovem. Nascido em Louisiana, ele estava acostumado ao estilo de vida separatista do sul americano. Em sua busca por mais conhecimento vai parar no Texas. Servindo ali ele conhece Parham e ouve sobre o que está acontecendo em sua igreja.

Apesar do momento de tensão racial alimentada pela violência da Ku Klux Klan, da segregação imposta pela leis apelidadas de Jim Crow, e de suas próprias convicções supremacistas, Parham entende que não tem poder de impedir que outros recebam o poder do Espírito e permite que Seymour frequente a igreja desde que se sente fora do salão principal. Ele concorda e se torna um discípulo sedento. Em pouco tempo Seymour e Parham estão pregando juntos com sucesso, para a comunidade afro-americana e também aos latinos.

Depois Seymour viaja para Los Angeles especificamente para começar um centro de pregação da nova doutrina. Com jejum, oração e muita expectativa, o “Espírito cai” sobre um pequeno grupo que Seymour consegue reunir ali. Novamente a força da nova fé revela-se maior do que as barreiras culturais. Latinos, índios, negros e brancos convergem para a recém-fundada Missão Pentecostal em Azusa Street. As narrativas sobre as reuniões inspiraram Espinosa e Ramírez a chamar o movimento de subversivo e transgressor. Negros, latinos chicanos e indígenas mexicanos recebem a nova fé junto com os brancos “opressores” e ali se abraçam, rolam no chão, oram uns pelos outros e se encarregam de multiplicá-la iniciando por sua vez um movimento transformador em seu próprio contexto cultural, que Ramírez chama de “transnacionalismo de baixo”, que nutre um protagonismo socioeconômico que cruza fronteiras nacionais, raciais e de gênero.

A história da igreja não é um desenrolar de ações perfeitas por seres humanos perfeitos. Mas é na igreja imperfeita que temos um vislumbre do amor perfeito do Senhor.

 

Notas

1. Espinosa, Gastón. Latino Pentecostals in America; faith and politics in action. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 2014.

2. Ramírez, Daniel. Migrating Faith; pentecostalism in the United States and Mexico in the twentieth century. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2015.

 

Bráulia Ribeiro trabalhou como missionária na Amazônia durante trinta anos e no Pacífico por seis anos. Hoje é aluna de teologia na Universidade de Yale, Estados Unidos, e candidata ao doutorado pela Universidade de Aberdeen, Escócia. Mora em New Haven, CT, com sua família e é autora dos livros Chamado Radical e Tem Alguém Aí Em Cima?, publicados pela Editora Ultimato.www.braulia.com.br.

 

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