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Seções — Arte e Cultura

Literatura e cultura

Gladir Cabral

O lugar do artista em A Festa de Babette, de Karen Blixen

 

O escritor norte-americano Frederick Buechner disse certa vez que “a vocação é o lugar onde a sua mais profunda alegria e a mais profunda fome do mundo se encontram”. Talvez essa seja a melhor ilustração do que se pode encontrar no conto A Festa de Babette, da escritora dinamarquesa Karen Blixen.  

 

A história se passa numa pequena vila no norte da Dinamarca, perto de um fiorde, no ano de 1871. Ali, na pequena cidade de Berlevaag vivem duas irmãs, Martine e Philippa, filhas de um velho pastor luterano, um ancião cuja memória resistia ao tempo e se fazia presente no coração dos remanescentes da antiga congregação.

 

As filhas do velho pastor foram batizadas em homenagens a duas figuras da Reforma: os amigos Martinho Lutero e Philipp Melanchthon. Já idosas, as duas irmãs vivem juntas e são vistas pela comunidade como exemplo de generosidade, caridade e austeridade espiritual. Vestiam-se de “cinza e preto por toda a vida”. Mas a vida delas é alterada numa noite de tempestade em que bate à porta uma imigrante francesa faminta e exausta: Babette. Uma refugiada política, sobrevivente da Comuna de Paris. Vem portando uma carta de recomendação de um antigo conhecido da família.

 

Babette permanece ali morando junto com as irmãs por doze anos. Ao final, ganha um prêmio de loteria e decide dar um refinado e caríssimo banquete celebrando a memória do antigo pastor, às irmãs Martine e Philippa e à sua decadente congregação.

 

O conto vem recheado de alusões a passagens bíblicas e desenvolve importantes temas, como o valor de um coração agradecido. Motivada pelo espírito de gratidão, Babette surpreende toda a comunidade e proporciona àquelas pessoas uma experiência de refinado prazer culinário, de reconciliação, aprendizado e celebração.

 

É também uma história de generosidade, de disposição para receber e conhecer o outro, para surpreender o outro e abrir-se diante do desconhecido. Pouco a pouco, a cada gole, a cada garfada, aqueles irmãos puritanos vão conhecendo o aroma, o prazer e o tempero da vida. De forma sutil e inusitada, Babette quebra tabus e contribui inclusive para que inimigos se confraternizem, que casais se reconciliem, que a alegria seja permitida e provada de fato.

 

Esta é ainda uma história sobre sacrifício, pois ao dar o banquete Babette gastou todo o prêmio que havia ganhado, sua única chance de voltar a morar em Paris. Para ela, importava mais a gratidão do que o retorno à cidade da cultura e da beleza. Importava mais a arte de amar as pessoas e a beleza de vê-las sorrir.

 

Também é uma peça sobre a vida do artista e sobre seu constante esforço por trazer beleza e graça à vida cotidiana. Ao final do conto, diante do lamento de Martine: “Agora você será pobre pelo resto de sua vida”, Babette responde: “Sou uma grande artista, madames. Uma grande artista nunca é pobre”. De fato, a arte de Babette contribuiu para a felicidade de toda a comunidade e matou a fome de beleza de muitos.

 

Gladir Cabral é pastor, músico e professor de letras na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Acompanhe o seu blog pessoal.

 

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