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Colunas — Contraponto

À brasileira

Ariovaldo Ramos

[Eles] vivem o protótipo da Igreja, isso é preciso que se veja!

É o sonho de Jesus... Um mundo de amigos!

 

Vou contar-lhes a história de um homem doente:

Não era qualquer ente, embora fosse comum.

Ele morava na Galileia, em Cafarnaum.

Ele tinha quatro amigos, parteiros como só!

Parteiros dão à luz, não nos deixam desistir!

Põem a gente no caminho, insistem pra gente ir!

Há amigos coveiros também, esses não digo que se tenha...

Transformam sonhos em lenha, pra evitar-nos o vexame!

Não sabem que todo vivente tem de passar por exame!

Que de queda em levantamento,

É que surge o monumento; e o sujeito faz o nome!

 

O moço não andava, nem tinha esperança!

Mas tinha quatro amigos, desde o tempo de criança!

Que nunca desistiram do amigo enfermiço!

Mantiveram o tento atento, pois tinham compromisso;

Esperavam um movimento do Deus que a tudo conduz!

E ele se moveu, desde Nazaré, com o nome de Jesus!

E lá vão eles a carregar, num catre cadeia,

O paralítico que os tinha, amigos à mancheia!

Mas a casa estava lotada, e os corações empedernidos;

Estavam todos acomodados, não ligaram pros amigos!

Que gritaram e clamaram frente à necessidade!

Mas quem fura o bloqueio da insensibilidade?

 

Vamos ao telhado, cada um use o seu dom!

Façamos um buraco onde esteja o pregador!

É provável que tanto mover faça calar o seu som...

Mas se ele veio de Deus, então veio por amor!

E não terá outra reação, senão acolher a nossa dor.

E foi assim que se fez, e foi assim que deu certo!

Jesus olhou pra cima, Jesus mirou o teto.

Viu, no catre, um doente, e nos amigos, fé fervente.

Jesus deu um sorriso, não ligou para o repente!

Estava ali pra isso mesmo...

Para que tudo o que falava, virasse vida em gente!

 

Imagine a surpresa daquela população!

Que não ouviu os amigos, na sua consternação!

Observando a Jesus parando a sua atividade,

Para atender o suplico de amigos de verdade!

E Jesus surpreendeu: não falou palavra de cura!

E com aparente secura, falou palavra de perdão!

E reagiram os fariseus: vejam que ousadia!

E entreolharam-se os amigos: como é que ele sabia?

Ora, só há cura porque houve perdão!

Porque o sangue é conhecido antes do mundo a fundação!

E foi o Cristo, que propôs essa questão.

 

E o perdão, que cura... levanta e aninha.

E como disse o poeta, vão os cinco, a pular amarelinha!

E enquanto pulam cada casa, veem o fim da linha:

 

Vivem o protótipo da Igreja, isso é preciso que se veja!

É o sonho de Jesus... Um mundo de amigos!

O fim dos desvarios antigos: fim do ódio e da peleja!

 

É o que nos faz cantar aqui, no confim de todo lugar,

Com frevo no coração, no suingue do baião;

Com um samba bom pra se cantar!

Soando nossos tambores, erguemos a humanidade de dores,

Para que Deus, do alto, veja... A fé de sua igreja!

A clamar para o homem, liberdade!

E Deus, que ama de verdade,

Assim como um dia disse: “Luz”, dirá, com certeza:

“Meus filhos... Assim seja!”

 

  Ariovaldo Ramos é escritor, conferencista e presbítero na Comunidade Cristã Reformada, em São Paulo, SP. Foi, por quatro anos, membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e é presidente da Visão Mundial no Brasil. É autor de Pare de Conjugar o Verbo Sofrer.

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