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Seções — Instalação

De espectador a participante

Rosana Basile e Davi Pinto

 

Em junho de 2016, aos 81 anos, o artista húngaro Christo, famoso por instalações que já incluíram embrulhar com tecido o parlamento alemão e uma ponte em Paris, apresentou seu mais novo trabalho. Durante os curtos dezesseis dias em que a obra foi exposta, visitantes tiveram a oportunidade de andar sobre as passarelas cobertas por tecido laranja que flutuavam sobre as águas do Lago de Iseo, no norte da Itália. Nas palavras do próprio artista, “aqueles que experimentaram andar sobre “Os Píeres flutuantes” sentiram como se estivessem caminhando sobre a água”.

 

O trabalho reflete a tendência atual de valorizar a interação entre as pessoas e a arte. A escultura deixa de ser um objeto a ser visto de seus vários ângulos e se expande em instalações que são verdadeiros lugares de encontro com a obra. Deixamos de ser meros espectadores e somos convidados a mergulhar na experiência proposta pelo artista.

Christo fez isso de forma surpreendente. O toque vibrante e dourado da cor laranja aguça os sentidos e contrasta com o azul do lago e com as montanhas ao redor. Apesar das grandes dimensões, a obra proporciona uma reflexão intimista, um encontro com a beleza da criação e consigo mesmo. Inspira a meditar sobre a possibilidade de vivenciar o impossível e traz à memória o milagre de Jesus caminhando sobre as águas.

 

Assim como Pedro, milhares de pessoas foram atraídas pela possibilidade de andarem sobre as águas. Poderíamos pensar a instalação como uma reprodução simbólica do milagre relatado em Mateus 14. E chegaríamos à conclusão de que muitos dos milagres de Jesus pareceriam hoje desnecessários. Afinal, a tecnologia e a criatividade humana nos permitem reproduzir, pelo menos na aparência, muitos dos feitos de Jesus, como a cura de doenças ou a multiplicação de alimentos.

 

O avanço tecnológico tem ainda a suposta “vantagem” de eliminar a necessidade de fé. Para deixar o barco e caminhar sobre as águas turbulentas do mar da Galiléia, Pedro precisava de fé, mas essa lhe faltou e o apóstolo precisou ser socorrido por Jesus. Já os milhares de turistas que viajaram à Itália para experimentar a sensação de caminhar sobre as águas do Lago de Iseo não precisaram de fé.

 

Dispomos hoje de recursos para, em termos humanos, resolvermos nossas necessidades básicas. Numa cultura racionalista e de abundância material sem precedentes em termos históricos, é fácil considerar dispensáveis a fé e os milagres de Jesus. Temos à nossa disposição inúmeras passarelas flutuantes que nos proporcionam sensações de poder e de bem-estar. Nosso desafio é o mesmo de Pedro: Fixar os olhos no Mestre e depositar nossa fé nele, ao invés de confiar na aparente segurança dos nossos recursos humanos. Jesus não promete eliminar todos os riscos, mas continua sendo capaz de nos sustentar e de nos socorrer de forma milagrosa.

 

Rosana Basile, artista plástica, e Davi Pinto, diplomata, são casados e têm três filhas. Juntos criaram o Teologarte, site que busca conectar as artes e a fé cristã.

 

LEIA MAIS

- Conheça o projeto “Os Píeres Flutuantes”, de Christo e Jeanne-Claude

  

- Artes visuais e fé cristã

 

 

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