Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — --

De como Joel Osteen me trouxe a Yale

Bráulia Ribeiro

 

Caminho nos corredores da Yale Divinity School com reverência. Imagino um magro Henri Nouwen pregando na Marquand Chapel, e isto é suficiente para tornar o lugar sagrado a meus olhos. Vou estudar com Miroslav Volf e Lamin Sanneh. Sento-me numa das salas da imensa biblioteca com Händel “no ouvido”, só ele pode traduzir em música a expectativa de redenção e esperança que o lugar inspira. Enfim, sinto-me no “céu acadêmico”, onde nunca imaginei ser capaz de estar. Porém, o que não vou contar a ninguém para não virar chacota geral é que chego aqui guiada pela “mão” do mal afamado Joel Osteen.

 

Já escrevi várias vezes nesta coluna sobre a importância do Deus comunitário. A oração que nos ensina Jesus é sobre um Pai que é nosso, não apenas meu. Chegamos ao Pai na unidade com o corpo, na oração plural, na adoração multiforme, na intensa consciência da grandeza de Deus manifesta na experiência coletiva. Penso que o evangelho que agrada a Deus é o evangelho do “outro”. Amo o próximo, sirvo a minha comunidade, logo existo como cristão.

 

Mas esta não é a única verdade da Palavra. Existe outra tão evidente quanto esta, o amor de Deus por mim. Por mim, meu eu pecador. Meu eu assassino escondendo-se no deserto e que de repente ouve uma voz saindo de um arbusto em chamas. Meu eu viúva estrangeira seguindo minha sogra para uma terra que não é a minha. Meu eu gadareno louco abandonado num cemitério. Meu eu pescador matutando coisas que só o Mestre percebeu. Meu eu mulher prostituída e desprezada que recebe o presente de ser a primeira a vê-lo ressuscitado depois da morte.

 

Este paradoxo entre o amor personalizado de Deus e nossa responsabilidade coletiva torna a religião cristã radicalmente diferente de todas as outras. No budismo, não há lugar para a consciência individual. No taoísmo, o indivíduo deve seguir a trilha pré-determinada e perfeita do universo -- o “tao”, que inclui o esvaziamento total do eu. No Islã, o amor de Alá é condicional e genérico. Alá não prevê um destino para os fiéis que não esteja determinado pelos “hadiths” (conjunto das tradições islâmicas). O destino não é definido de forma individual, mas é a submissão ao destino coletivo traçado por Alá.

 

Alguns meses atrás, sentimos que nosso tempo em missões estava chegando ao final. O que fazer então? Sem dinheiro, sem aposentadoria, restava-nos entrar no mercado de trabalho “por baixo”, ou tentar qualificar-nos de forma rápida para alguma profissão. Fui contratada pela Macy’s. Aprendi a ser gentil com os compradores, a dobrar bem calças e camisas. Mas sabia que aquele serviço não iria me realizar. Todo trabalho é digno, mas nem todo trabalho usa as suas habilidades e dons, ou cumpre o propósito para o qual Deus criou você. Trabalhando muitas horas por dia, perdi os prazos no doutorado que cursava. Então, mergulhei num desespero absoluto. O que fazer, Deus? Os filhos precisavam sair da ilha; fora de missões o paraíso se tornou Santa Helena. Meus dias se converteram num lamento sem fim aos ouvidos divinos. Até que encontrei Osteen. A mensagem simples do texano me tocou. Havia me esquecido do amor de Deus por mim. Sabia, sem dúvida, que ele ama os pobres, os não-alcançados. Porém seu amor personalizado deixara a minha Bíblia.

 

Inspirada por Osteen voltei a crer que ele me vê. Ele me conhece, sabe o que me faz feliz. Meu marido e meus filhos estão no seu radar. Ele nos vê como gente, não como ferramentas. Ele se importa com o nosso sucesso. A glória de Deus não é o serviço religioso, mas a realização de nossos dons pessoais no amor e nos princípios dele. A fé me tira do fatalismo pessimista. A fé gera em mim coragem para ir além de um destino medíocre. A fé pessoal inclui a ideia do milagre pessoal.

 

Se você acredita nele, deve acreditar em si mesmo. Ele vê você com esperança. Ele quer que você tome passos em direção ao que você quer porque seu sucesso depende tanto do seu esforço pessoal quanto da “ajudinha” divina. Osteen diz: “Sou quem ele me diz que sou”. Resolvi candidatar-me a Yale apostando no impossível, só como voto de confiança no Deus que também confia em mim. Agora, aqui, andando por este lugar “quase-sagrado”, só posso agradecer a Osteen por ter coragem de ser uma voz que proclama este amor pessoal de nosso Deus, contraintuitivo, contra o senso comum, contra, até mesmo, a minha teologia.

 

Bráulia Ribeiro trabalhou como missionária na Amazônia durante trinta anos e no Pacífico por seis anos. Hoje é aluna de teologia na Universidade de Yale, Estados Unidos, e candidata ao doutorado pela Universidade de Aberdeen, Escócia. Mora em New Haven, CT, com sua família e é autora dos livros Chamado Radical e Tem Alguém Aí Em Cima?, publicados pela Editora Ultimato. www.braulia.com.br.

 

LEIA MAIS

Ambição e desejo: o que o amor tem a ver com isso?

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.