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Colunas — Ponto Final

A arte do não poder

Rubem Amorese


Somos todos fracos. Nascemos ameaçados de morte. Não somos capazes de sobreviver aos primeiros desafios de nossas vidas. Sem o cuidado de alguém, ou um fogo aceso, morremos.

 

Temos medo das ameaças de morte. Medo da fome, do frio, de animais, de insetos, de gente desconhecida, de ambientes hostis, de abismos, de assaltantes, de mar bravio. Por causa desse medo, tão natural, passamos a vida em busca de segurança. E ela nos vem dos “recursos” que amealhamos. Seja da ajuda dos outros, como o desvelo dos pais, seja do poder pessoal, simbolizado pelos músculos. O sobrevivente por excelência é uma pessoa forte, cercada por uma rede de cooperação. Por algum tempo, assim, temos algum poder de evitar a morte.

 

A sofisticação que a vida traz a esses recursos pode nos levar a buscar diversas formas de poder, seja sobre a natureza, seja sobre as pessoas. Assim, em nossa luta pela sobrevivência, amealhamos capacidades e energias provenientes de complexos mecanismos de troca com nossos semelhantes. Essas energias, ao serem acumuladas, convertem-se em tratados, alianças, contas bancárias, patrimônio etc., sem mencionar os bens imateriais, como honra, prestígio e fama.

 

Em geral, as origens de nossa busca por segurança são invisíveis aos nossos olhos. São inconscientes. Não distinguimos naquilo que fazemos a luta pela sobrevivência, ou o medo da morte.

 

Alguns passam a gostar do poder. E do complexo jogo que ele instaura. Chegam a achá-lo um recurso necessário, inevitável. Ou uma vantagem pessoal. Como no caso da riqueza, distribuída de forma assimétrica na sociedade. Afinal, “os pobres sempre os tereis convosco”. Não vou mencionar as heranças políticas, as dinastias ou as unções divinas.

 

Na vida comum, o poder é exercido naturalmente. Seja para abrir uma torneira enferrujada, seja para convencer um comprador a fechar um negócio. Como se a vida fosse um “jogo de dificuldades”, no qual o mais hábil ou forte vencesse e “acumulasse vidas”.

 

Adormecido por toda a existência, esse assunto saltará à consciência na velhice. Seja como lembrança do desamparo dos primeiros anos (marcas profundas, ativas até hoje), seja para viver novas formas daquele mesmo medo, daquela insegurança. Sim, a senilidade é também um problema de poder. O problema de “não mais poder”. Com o agravante da consciência sobre o que se passa.

 

Existem muitas palavras de sabedoria, nas Escrituras, para lidar com esse tema na infância, na vida adulta e na velhice. Sabendo que a anterior prepara para a posterior. De modo que a obediência da criança ou a honra ao pai e à mãe estão tratando da questão do poder. Essa sabedoria nos ensinará sobre o cultivo da arte do não poder; sobre devoção e entrega (Sl 37.5). Não é assim o ato de adoração? Não é assim o ato de contrição, ou a invocação do Senhor como rocha, força, castelo, refúgio?

 

Sem essa sabedoria, jamais compreenderemos a graça de Deus; jamais usufruiremos de sua providência; jamais descansaremos em seu amor, como as aves do céu ou os lírios do campo. Sim, jamais nos fará sentido um poder que se aperfeiçoa na fraqueza.

Exercitemo-nos, portanto, na lógica do Cordeiro, a todos proposta por Jesus: a de que seremos tão mais poderosos quanto menos medo da morte tivermos. Porque ele cuida de nós.

 

Rubem Amorese é presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. Foi professor na Faculdade Teológica Batista por vinte anos e também consultor legislativo no Senado Federal. É autor de, entre outros, Fábrica de Missionários e Ponto Final. Acompanhe seu blog pessoal.

 

MAIS

- Versão ampliada do artigo “A arte do não poder”

- Canção “Confia no Senhor – Salmo 37”

- Canção “Entrega – Salmo 31”

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