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Colunas — --

De como o feminismo está matando as mulheres

Bráulia Ribeiro

 

Odeio o feminismo atual. Cheguei a pensar que os postulados do movimento eram legítimos, hoje duvido até disso. A coisa toda começou errada. Para se desenhar uma linha reta você tem de começar reto. Se você começa torto, prossegue torto.

A Austrália, país onde nasceu o movimento, gerou-o num berço sangrento. Tratada como colônia penal, recebia muitos navios de prisioneiros masculinos e femininos. Em 1788, em Sidney, num episódio controvertido descrito por alguns historiadores1 e contestado por outros, carcereiros liberaram os passageiros dos navios para a terra sem vigilância, regados a muito rum, permitindo que as presas, sempre em número menor, fossem estupradas em massa pelos machos encarcerados.

 

Se é verdade, as mulheres brancas australianas se estabeleceram no país num berço de abuso e violência que naturalmente gerou um ressentimento profundo. É difícil não associar a virulência do movimento feminista com este ressentimento colonial. As mulheres australianas se fizeram ouvir, mas todas nós mulheres pagamos um preço alto por isso.

 

Que preço alto? Afinal as “conquistas” do movimento feminista não beneficiam a todas nós? Infelizmente, nem todas. Uma campanha da agência americana feminista que promove controle de natalidade, Planned Parenthood, deixa claro o caminho para onde essa pseudopreocupação com a liberdade reprodutiva da mulher, uma das tais conquistas, vai. Durante a campanha, mulheres ofereciam biscoitos em forma de bebês, para serem “comidos, mutilados, destruídos”, numa metáfora clara de que o feto, ou o “tecido”, enquanto dentro da barriga não deve ser considerado humano em momento algum. Planned Parenthood não considera que, mesmo nos países ocidentais, liberados e supostamente igualitários, a porcentagem de meninas abortadas é quase duas vezes maior do que a de meninos. A liberdade das mulheres de hoje está matando as mulheres de amanhã. Nada, nenhuma voz feminista a denunciar esse problema.

 

A intenção final dos que defendem a “liberdade reprodutiva da mulher” se faz clara no esforço que fazem de ampliar o direito de matar até após o parto. Chamado de “aborto fora do útero”, o que antes nos parecia uma crueldade hoje é uma prática defensável e deve tornar-se corriqueira. Aborto significa dizer não à noção do valor inerente à vida humana. Esta pseudoconquista feminista nos desumaniza a todos.

 

Outra incoerência inexplicável é a questão do transgenerismo. A mulher mais celebrada nos Estados Unidos em 2015 foi Caitlyn Jenner, ou Bruce Jenner, um homem com peitos. Ele ainda nem fez a opção de tirar seus genitais masculinos e já é celebrado como símbolo de feminilidade. Parece-me que a questão merecia uma palavra, um protesto qualquer por parte das mulheres liberadas. Mas nada, silêncio total. Aceita-se a mídia em massa empurrando uma noção do que é “ser mulher” baseada na mera percepção pessoal de uma homem perturbada como Bruce Jenner, que já considera reverter sua opção, apenas alguns meses depois e apesar de extremamente paparicado. Será que pelo menos caberia a discussão do que é ser mulher? Um atleta macho, de 1,87m de altura celebrado por sua força física a vida inteira, casado três vezes com três mulheres diferentes, torna-se mulher porque usa salto e implanta peitos? Pode ele nos representar? Pode ele falar por mim? Novamente, silêncio por parte das feministas.

 

Efeito ainda mais danoso para as mulheres tem a questão do uso dos banheiros. Banheiros separados é um fenômeno moderno, e até uma conquista feminina. Não ter de se expor aos homens e ter o direito de chamar a polícia ao perceber um intruso no banheiro é questão de segurança para as mulheres. Essa segurança está prestes a ser desafiada na América. Homem que se “perceba” como mulher agora também terá acesso legal a banheiros femininos. Usando os critérios subjetivos exigidos pelos transgêneros, a lei agora vai permitir a presença de homens nos banheiros femininos. A ingenuidade dessa lei que dá tal “direito” aos transgêneros é colossal. Ou não, como diz Caetano. Se a lei não é ingênua e percebe que está dando direito aos estupradores do mundo de se plantarem nos banheiros femininos à espera de suas vítimas, então ela é cruel e machista. Mais uma vez, a sociedade prioriza o sentimento de poucos homens, 0,3 por cento da população, em detrimento da segurança feminina. A mulher que se queixar da presença de um homem no banheiro pode ser presa por preconceito. Tudo que o homem tem de fazer para escapar de ser punido por estar ali é dizer que se enxerga como Josefina apesar de ser José. Novamente, nem um “pio” das feministas.

 

Acontece que o filho bastardo do feminismo, o transgenerismo, está matando a sua mãe. Quando destrói a percepção objetiva de gênero, destrói também o ser mulher. Quando clama que gênero não é importante, destrói também a necessidade de que existam leis especiais para proteger a mulher. Nenhuma feminista fala sobre isto.

 

Tem mais. Algum protesto sobre o Oriente Médio? Alguém louva Israel por ser o único país na região onde a mulher tem direitos humanos? E o que dizer da maior ameaça à liberdade feminina no Ocidente, a gradual aceitação da lei muçulmana? Como a Europa vai sair do impasse em que se colocou? Sua população educada e liberada considera uma barbárie julgar outras culturas. O multiculturalismo que abraçou demanda espaço para todas as expressões culturais sem exceção, sem julgamento moral. É o terreno perfeito para o estabelecimento da implacável Sharia debaixo da qual as mulheres são consideradas menos importantes que animais. Novamente não ouvi nenhuma feminista expressando preocupação com o futuro de suas filhas. Preferem defender seu direito de não usarem sutiã ou de saírem nuas às ruas.

 

Infelizmente é claro para mim que precisamos de uma outra voz. As feministas não me representam. As linhas tortas do início levaram o movimento ao seu suicídio ideológico. Estou fora desse Titanic.

 

Nota

1. C. M. H., Clark. “A short history of Australia”. Docklands: Penguin, 1963. p. 25.

 

Bráulia Ribeiro trabalhou como missionária na Amazônia durante trinta anos e no Pacífico por seis anos. Hoje é aluna de teologia na Universidade de Yale, Estados Unidos, e candidata ao doutorado pela Universidade de Aberdeen, Escócia. Mora em New Haven, CT, com sua família e é autora dos livros Chamado Radical e Tem Alguém Aí Em Cima?, publicados pela Editora Ultimato.

 

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