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Colunas — Missão Integral

Da compaixão que motiva à missão

René Padilla

 

O episódio que conclui o livro de Jonas mostra de forma clara a absoluta importância que a compaixão tem para a obra missionária. Apesar de sua resistência à vontade de Deus, o profeta chegou à cidade de Nínive e proclamou a mensagem de arrependimento sob pena de destruição que o Senhor da missão lhe havia confiado. Em resposta à sua pregação, “os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e vestiram-se de saco, desde o maior até o menor” (Jn 3.5). Movido por sua compaixão, “Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha anunciado lhes faria [por meio de Jonas], e não o fez” (Jn 3.10). Longe de alegrá-lo pelo êxito de sua missão, “isso desagradou a Jonas, e ele ficou irado” (Jn 4.1). A profundidade de seu desgosto se reflete em sua oração: “Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver” (Jn 4.3).

 

O que segue na narração mostra até que ponto o próprio profeta necessita da mensagem de arrependimento que Deus lhe enviou para pregar aos ninivitas. Sua teologia lhe permite afirmar: “És Deus compassivo e misericordioso, longânime e grande em benignidade, e que te arrependes do mal” (Jn 4.2). No entanto, seu orgulho o faz pensar que, já que Nínive não foi destruída, sua missão fracassou. Necessita arrepender-se de seu orgulho e alinhar-se com o amor compassivo de Deus.

 

A isso aponta o episódio da planta que, “a fim de o livrar de seu enfado”, Deus provê a Jonas (4.5-11). Sob a sombra, provida pela compaixão divina, o profeta acampa enquanto espera presenciar a destruição de Nínive. No entanto, não acontece o esperado. O que acontece é a lição objetiva que, por meio de um drama em três atos, Deus dá a Jonas sobre a importância da compaixão necessária para motivar a missão.

No primeiro ato, Deus faz com que um verme ataque a planta, e esta seca (4.7). O próprio Deus, que por sua graça concede a vida, é o Deus que por seu juízo corta a vida.

No segundo ato, Deus faz com que Jonas se sinta incomodado por um calor tão abrasador que o profeta, cheio de raiva, preferiria morrer (4.7-9).

 

No terceiro ato, Deus reprova o egocentrismo que faz com que Jonas se compadeça da planta que “numa noite nasceu, e numa noite pereceu”, mas reaja negativamente diante da compaixão de Deus em relação a Nínive, uma cidade onde a grande maioria dos habitantes é incapaz de discernir entre o bem e o mal (4.10-11).

 

O livro de Jonas se presta a várias leituras. Para alguns intérpretes se trata de um chamado a reconhecer a soberania de Deus quanto a quem receberá seu perdão e será salvo, e quem não receberá seu perdão e será condenado. Para outros intérpretes se trata de um chamado a tomar consciência da universalidade da missão de Deus, que abarca não só Israel, mas também todos os povos da terra. Em nossa perspectiva, a chave para interpretar Jonas está em seu último versículo, e especialmente na pergunta que encerra o livro: “Não hei de eu ter compaixão?” (4.11).

 

Sem compaixão entendida como um amor entranhável que nos leva a nos identificarmos com os necessitados, não estamos em condições de servir na missão de Deus no mundo. A compaixão de Deus à qual a pergunta com que se conclui o livro de Jonas faz referência se fez carne em Jesus Cristo, quando viu as multidões “cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9.36). Essa mesma compaixão tem de se fazer carne em nós em benefício da missão de que Deus nos encarregou hoje.

A própria compaixão de Deus.

 

Traduzido por Wagner Guimarães.

 

• C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de Missão Integral – O reino de Deus e a igreja. Acompanhe seu blog pessoal: kairos.org.ar/blog.

 

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