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Colunas — Contraponto

Missão é sofrimento

Ariovaldo Ramos

Estou em reunião na ilha onde Paulo, de forma miraculosa, foi salvo do envenenamento por uma serpente, porque Deus queria que ele fosse a Roma, onde, enfim, morreu. Sem contar que ele chegou a essa ilha como resultado de ter sido salvo de um naufrágio, onde, em resposta à oração que fez contra a profecia que ele mesmo dera, Deus, por sua graça, salvou a todos os que navegavam com o apóstolo.

 

Estou na ilha símbolo do sofrimento cristão pela salvação da humanidade. Estava tomando café com um irmão de um país onde há muita perseguição, e ele disse que gostaria que os brasileiros os visitassem, mas que o seu país é muito difícil. Enquanto dizia isso, desabotoava a manga da camisa, mostrando as marcas da tortura no braço.

Estou reunido com pessoas para quem a teologia da prosperidade não faz o menor sentido e para quem é ofensiva a teologia de quem acredita que tudo acontece porque Deus determinou. Pois Deus, segundo estes teólogos, age por soberania, isto é, só sabe porque determina e, como ele sabe tudo, logo, tudo determinou -- esses teólogos não acreditam na onisciência de Deus.

 

Como se sabe, onisciência é o atributo do Triúno Deus que lhe permite saber tudo sobre todos, o tempo todo e a qualquer tempo, sem precisar determinar coisa alguma; enquanto que soberania é o atributo do Triúno Deus que lhe possibilita interferir a qualquer tempo, em qualquer situação, segundo os seus desígnios, que, por ora, são redentores.

 

Estou reunido com pessoas que aceitaram que foram chamadas não apenas a crer em nosso Senhor Jesus Cristo, mas também a padecer por ele, conforme nos informa o texto do apóstolo Paulo aos filipenses: “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele” (Fp 1.29).

 

Tenho me perguntado sobre quanto estamos preparados para sermos resposta de Deus a estes irmãos que o conhecem a partir do sofrimento. Eles estão em meio aos perseguidores, mas os amam; eles são o alvo da perseguição, mas querem a salvação para os perseguidores.

 

Pergunto-me se a nossa teologia tem a capacidade de preparar missionários ou apenas produz ufanistas em busca do resultado do seu heroísmo, pautado por sua fé de que Deus está pronto a servi-los em suas demandas por fama, pompa e circunstância.

Temos, como igreja que está no Brasil, de fazer a nossa parte na obra missionária. Já existem brasileiros fazendo a sua parte e os que já têm dado a sua contribuição. Porém, há muito a fazer, e ainda temos feito pouco. Para sermos de fato eficazes, teremos de rever a nossa teologia a respeito do sofrimento, porque, se é que não foi sempre assim, agora a missão é realizada em meio ao perigo e à possibilidade real do martírio.

 

O sofrimento é o resultado da queda humana; mas é também o delta de tempo entre a aniquilação merecida e a redenção obtida, isto é, a nossa queda deveria ter provocado a aniquilação de toda a criação, mas, graças ao sacrifício do Cristo, conhecido, com efeito, desde antes da fundação do mundo (1Pe 1.18-20), não apenas a aniquilação foi evitada, como também foi deflagrada a obra da redenção, consumada no Calvário e posta em curso a partir da ressurreição, com o batismo com o Espírito Santo no Pentecostes (At 1.5).

 

A Trindade criou, mantém e redime o Universo a partir do sofrimento sacrificial do Deus Filho, que se fez carne e habitou entre nós, o Cristo de Deus. Portanto, toda a história se desenrola no ambiente de sofrimento. A Igreja participa do sofrimento do Cristo não para sua salvação, mas no cumprimento da sua missão, como afirma o apóstolo Paulo: “Agora, regozijo-me nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja” (Cl 1.24).

 

Sair em missão para reunir as ovelhas de Cristo que estão espalhadas pelos demais apriscos da Terra (Jo 10.16) é sair para participar das aflições de Cristo por sua Igreja.

 

Ariovaldo Ramos é escritor, conferencista e presbítero na Comunidade Cristã Reformada, em São Paulo, SP. Foi, por quatro anos, membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e é presidente da Visão Mundial no Brasil. É autor de Pare de Conjugar o Verbo Sofrer.

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