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Colunas — Missão Integral

A metanoia de uma igreja

René Padilla

 

O que pode acontecer quando uma igreja local se abre para drogados?

 

Iniciei meu pastorado numa pequena igreja de classe média, numa zona residencial da grande Buenos Aires, em meados da década de 1960. Se nesse começo aprendi alguma coisa, foi que, muitas vezes, os fatores que mais afetam a vida e a missão da igreja não são resultado de planejamento humano. Irrompem no nosso caminho e nos surpreendem, como a chuva refrescante num dia de sol e calor.

 

Num domingo qualquer, de maneira inesperada, apareceu na igreja um jovem chamado Rafael.1 Ao final do culto, ele me contou sua história. Tratava-se de um ex-traficante de drogas, líder nato, experiente em negócios ilícitos no mundo da prostituição. Suas malfeitorias o haviam levado aos Estados Unidos. Ali, na cidade de Boston, num dia especial, entrou num café, seguindo uma jovem que atraiu sua atenção. O café era um posto avançado de evangelização de uma igreja e, a cada período de tempo, havia a apresentação do evangelho. Ali, pela primeira vez em sua vida, Rafael escutou as boas novas da salvação em Cristo. A mensagem causou nele um efeito positivo. Daí, resultou que o novo crente resolveu voltar ao seu país com um duplo objetivo: compartilhar sua fé com seus velhos companheiros de atividades ilícitas e comprar uma casa para seus pais. Ao regressar a Buenos Aires, animado para cumprir seu primeiro propósito, procurou uma igreja evangélica e, assim, encontrou a nossa. Depois de contar a sua história, perguntou-me: “Não há problema se eu trouxer meus amigos a esta igreja?”.

 

Jamais poderia imaginar o que minha resposta positiva a essa pergunta significaria, em curto espaço de tempo, para toda a igreja. A partir do domingo seguinte, vimo-nos “literalmente” invadidos por uns vinte jovens drogados, homens e mulheres, convidados pelo Rafael. Como nossa igreja era uma respeitável igreja de “gente de bem”, para a qual a ascensão social era um objetivo que antecedia, inequivocamente, ao propósito de colaborar na missão de Deus, o que poderíamos fazer com esses marginais? Além do mais, embora por parte dos crentes houvesse a melhor das disposições frente aos drogados, como poderíamos evitar o fato de que só a presença deles na igreja já traria uma imagem negativa para toda a região? E como resolver a questão do perigo de “contágio” dos filhos das famílias que faziam parte da igreja com as drogas?

 

Os meses seguintes foram um período de crise de identidade para toda a igreja. Vários membros ameaçaram sair a menos que tomássemos medidas enérgicas para impedir que os amigos de Rafael viessem drogados para a igreja. Enquanto isso, entretanto, a maioria dos membros estava experimentando uma verdadeira “metanoia”: uma mudança de atitude com relação aos drogados e, a partir de seu contato com eles, “uma total reorientação na sua maneira de entender a igreja e de nela participar”.

 

É possível que, durante esse período, alguns membros da igreja tenham decidido buscar outro aprisco onde não tivessem que pastar junto com ovelhas tão “anormais” como as que Rafael havia trazido. Se houve, certamente não foram muitos, a grande maioria dos membros foi aprendendo, pouco a pouco, a amar com o amor que Deus nos amou em Cristo. O resultado: vários drogados deixaram as drogas e assumiram o caminho da fé.

Se em 1976 alguém nos tivesse sugerido “fazer alguma coisa” para semear a semente do evangelho no mundo dos drogados, o mais certo é que teríamos nos negado até mesmo a considerar a possibilidade de fazê-lo. Sem dúvida, a partir daquele ano, em resposta aos desafios que Deus colocou em nosso caminho, “o ministério com drogados se tornou um dos eixos principais da missão da igreja”. Em função desse eixo, estaria a importância que seria dada ao ensino, aos horários de reuniões, às prioridades no uso dos recursos e a outros aspectos da vida da igreja. Podemos dizer que essa igreja foi reestruturada para servir pessoas de um setor marginalizado da sociedade.

 

Sobram motivos para criticar a igreja. Com demasiada frequência, ela tem sido a principal culpada das pessoas terem dado as costas a Deus, considerando que a fé cristã não tem nada a oferecer. Tudo isso é certo. Também é certo que, quando a igreja se abre aos marginalizados e aos pobres, Deus a surpreende, fazendo dela um bom samaritano que responde às necessidades do próximo com os recursos do reino de Deus: a fé, a esperança e o amor.

 

Nota:

1. Pseudônimo.

 

Extraído do artigo “Ilustrações de uma igreja serva”, de René Padilla, no livro “Igreja: Agente de Transformação” (Missão Aliança, 2011)

 

C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de Missão Integral – O reino de Deus e a igreja. Acompanhe seu blog pessoal.

LEIA O ESTUDO BÍBLICO BASEADO NESTE ARTIGO:
Quem chama Deus de 'Pai' não escolhe irmão

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