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Colunas — Meio Ambiente e Fé Cristã

A lama, o pecado, o amor e a esperança

Marcelo Renan D. Santos e Anna Cláudia D. Peyneau

 

 

O dia 5 de novembro de 2015 foi marcado pelo início da maior tragédia socioambiental do Brasil. Doze pessoas morreram de forma violenta, soterradas pela lama de uma das barragens de mineração da Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton, que se rompeu em Mariana, MG. Onze pessoas continuam desaparecidas até o momento em que esse artigo é escrito. Nesse período, a lama também completou o percurso até a foz do Rio Doce, em Linhares, ES. Por onde tem passado, a lama e seus poluentes têm trazido a morte de animais e plantas, desabastecimento de água nas cidades e vilas, sofrimento e caos para as pessoas. Sem dúvida, esse acidente, nada natural, é inigualável no Brasil em termos de extensão de danos socioambientais. Muito trabalho terá de ser feito e a natureza, da qual já se exige ao máximo, terá de ser ajudada a se recompor desse golpe duro.

 

O distanciamento daquele que “é amor”, muitas vezes, tem feito de nós seres gananciosos, alheios a tudo e todos que estão em volta. Embaça nossa visão do todo e ajusta o foco para o que não é essencial. Sofrem criação, criatura e Criador. Tragédias nesta escala podem levar-nos a nos aproximar do amor e nos fazer refletir sobre como cada um de nós pode entender e fazer a vontade de Deus. Como é fácil desfocarmos deste tema para discutirmos o cardápio de soluções para a lama do rio, definirmos valores astronômicos para multar os culpados e imaginarmos como o governo poderá desviar o recurso. No fundo do nosso rio, vemos a natureza humana caída, pecaminosa, dirigida pela ganância, pelo desprezo ao próximo e pela criação e que nos faz reféns de nós mesmos. Ficamos sujeitos aos danos gerados pela nossa própria corrupção.

 

É preciso pensar que temos consumido os recursos naturais como se fossem ilimitados, como se a criação fosse nossa propriedade, sentindo-nos no direito de fazer com ela o que bem entendemos. Se nossa luz brilhasse no dia a dia, na forma como lidamos com a natureza, na forma como trabalhamos, consumimos e nos importamos com o próximo e com seu bem-estar, certamente, barragens não seriam construídas sobre cidades, água contaminada com querosene não seria enviada para saciar a sede das vítimas, esforços enormes e ao mesmo tempo ínfimos não seriam necessários, diante do tamanho do dano, para salvar alguns peixes para repovoar o rio moribundo.

 

Diante de um país com tanta insegurança e impunidade, desprovido de senso de precaução, de capacidade de corrigir danos e de lidar com calamidades, a Palavra grita: “Ame ao próximo como a ti mesmo” (Mc 12.31). Este deveria ser o principal critério de licenciamento ambiental, de operação industrial, de consumo e de cuidado com a criação.

 

Estamos diante da oportunidade de voltarmos nosso coração para o amor. Que o amor, e não a vaidade, seja a principal motivação para lutarmos pela reparação dos danos aos vitimados, para recuperarmos as nascentes e trazermos de volta à vida o Rio Doce. Ao mesmo tempo, precisamos lutar pelo aprimoramento e cumprimento da legislação, por políticas públicas que protejam os mais necessitados e acompanhar de perto a ação das câmaras de vereadores e prefeituras dos nossos municípios, como fez a Comunidade Evangélica do Castelo (CEC), de Belo Horizonte, MG, ao lançar o Manifesto Cristão de Cobrança de Responsabilidade Socioambiental do poder público, que você também pode assinar. Em todas essas ações existe esperança e podemos nos mover contra essa lama. Podemos “plantar” a esperança. Se cada igreja cristã do Vale do rio Doce se propuser a reflorestar uma nascente, com recursos e mão de obra, honraríamos a Deus, o que seria uma grande demonstração de amor e um exemplo para o mundo.

 

• Marcelo Renan D. Santos, médico veterinário e ecólogo, congrega na Igreja Batista da Praia do Canto, Vitória, ES.

• Anna Cláudia D. Peyneau, arquiteta urbanista, congrega na Igreja Batista da Praia do Canto, Vitória, ES.

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