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Colunas — Missão Integral

Missão e sofrimento

 

O que se exige dos seguidores do Messias crucificado, encarregados de prolongar a missão de Cristo, é a disposição para sofrer pelo evangelho

 

Não há missão cristã genuína que não esteja marcada de algum modo pela cruz e pelo que ela representa. Ao longo de todo o Novo Testamento, pressupõe-se a inseparabilidade do sofrimento e do discipulado em geral, e do sofrimento e da missão dos discípulos de Cristo em particular.

 

Em nossos países, onde uma alta porcentagem da população se considera cristã por ter nascido na América Latina -- um continente com mais de cinco séculos de cristandade --, pode ser difícil aceitarmos que haja pessoas que sofram pelo simples fato de professar a fé cristã. No entanto, em nossos “países cristãos”, são inúmeros os casos em que os seguidores de Cristo não se limitam à mera profissão de fé, mas buscam ser coerentes com essa fé na vida diária, na família, no trabalho e na sociedade, tornam-se alvos de chacota ou, inclusive, de perseguição. Se isso acontece no contexto latino-americano, não surpreende que ocorra com frequência ainda maior em países onde se professa outra religião, especialmente a muçulmana. Em tais casos, em nosso continente e, às vezes, ainda mais em outros, o chamado de Jesus Cristo a seus discípulos ganha uma vigência especial. “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” (Mt 16.23-25).

Se na sociedade em geral é comum existir hostilidade para com aqueles que não se conformam com o mundo atual, mas procuram ser transformados pela renovação do entendimento, segundo a pauta apostólica (Rm.12.2), não se pode pensar que temos base para convidar as pessoas a crer em Jesus Cristo e assim “parar de sofrer”. Quanto mais nos comprometemos com o evangelho na vida prática, mais corremos o risco de sofrer rejeição por parte daqueles que vivem em função do dinheiro, do poder e do prazer sexual. Como cristãos, estamos no mundo, mas não somos deste mundo. Assim Jesus nos concebeu em sua oração sacerdotal, segundo João 17.

 

A missão à qual fomos chamados como seguidores do Messias crucificado é uma missão que exige estar disposto a sofrer por causa do evangelho. Pedro, um dos apóstolos mais achegados a Jesus, não entendeu isto. Por isso, quando Jesus profetizou que seria “rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas” e que seria crucificado, “Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo” (Mc 8.31-32). A resposta de Jesus foi contundente: “Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens” (Mc 8.33). É evidente que, sob a perspectiva de Jesus, o cumprimento de sua missão requeria o sofrimento da cruz.

 

Essa mesma perspectiva seria aplicada à igreja e a cada um de seus membros como “encarregados” de prolongar a missão de Jesus ao longo da história até que ele volte. É assim que o apóstolo Paulo o entende. Por isso, refere-se à sua participação nos sofrimentos de Cristo (2Co 1.5) e interpreta os seus próprios sofrimentos por causa do evangelho (dos quais faz um surpreendente relato em 2Co 11.23b-29) como sua maneira de completar em si mesmo -- literalmente em sua carne -- “o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja” (Cl 1.24). Não que a morte de Cristo tenha sido insuficiente para o perdão do pecado do seu povo e que seja necessário, portanto, suplementá-la com os sofrimentos do apóstolo. Ao contrário, tais sofrimentos do apóstolo por causa do seu compromisso missionário completam os sofrimentos necessários para que a igreja consiga ser e fazer o que Deus quer que ela seja e faça como corpo de Cristo. A missão integral da igreja sempre exige uma cota de sofrimento.

 

Traduzido por Wagner Guimarães

 

• C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de Missão Integral -- O reino de Deus e a igreja. Acompanhe seu blog pessoal: kairos.org.ar/blog.

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