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Colunas — O Caminho do Coração

Glorificar ou gozá-lo para sempre?

Ricardo Barbosa de Sousa

A primeira pergunta do Breve Catecismo de Westminster é: “Qual é o fim principal do homem?”. A resposta: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. Às vezes, tenho a impressão de que, para muitos cristãos, não é tão simples combinar as duas finalidades principais do ser humano: glorificar a Deus e gozá-lo. Ambas envolvem movimentos, ao que se pode observar, diametralmente opostos. Na primeira finalidade, olhamos para Deus, na segunda, para nós.

 

Glorificar a Deus envolve um movimento para além dos nossos interesses. É preciso tirar o foco de nós e de tudo o que necessitamos e voltar nossa atenção totalmente para o alto. É a entrega de tudo o que somos e temos como expressão do reconhecimento da grandeza, majestade e glória divinas. Por outro lado, gozá-lo para sempre muda o foco, em vez de Deus, somos nós e todas as boas dádivas que recebemos dele. É a celebração de todas as bênçãos e dons que Deus nos concede por meio de Cristo. Parece que uma finalidade se opõe à outra.

 

A abertura do Breve Catecismo nos apresenta, de forma extremamente sucinta, uma das melhores definições da experiência espiritual cristã. A finalidade da existência humana envolve estas duas dimensões espirituais que não podem ser consideradas de forma separada. Aliás, muitos cristãos reconhecem que a finalidade primordial da vida é adorar e glorificar a Deus. Não há qualquer dúvida quanto a isto. No entanto, não são capazes de usufruir e gozar de todas as boas dádivas de Deus. Falta-lhes a alegria na celebração daquilo que a providência divina lhes tem proporcionado. Glorificar a Deus, para muitos, significa abrir mão do prazer e do contentamento. O senso de responsabilidade que assumem como discípulos de Cristo requer deles todo o tempo e a disposição para se dedicarem àquilo que julgam necessário para promover a glória de Deus.

 

Por outro lado, temos aqueles que estão sempre gozando os benefícios da graça e da bondade de Deus. O alvo principal de suas vidas é serem abençoados por Deus, verem suas orações respondidas, compartilhar com outros as vitórias alcançadas. O foco são eles e o seu prazer em gozar do maravilhoso mundo que Deus lhes preparou. Música, arte, amizade, comida, conversas estão entre as boas dádivas de Deus para o prazer e a alegria daquele que crê. Corremos o risco de oscilar entre uma forma de espiritualidade vertical, sem alegria e prazer, e outra horizontal, narcisista e autocentrada.

 

Se nos ocupamos em glorificar a Deus negando o prazer e o gozo da vida que temos em Cristo, corremos o risco de nos tornar discípulos amargos, ressentidos, sem criatividade, espontaneidade e alegria, atuando no mundo e na igreja com um sentimento de obrigação e dever, sem nenhuma compreensão da graça de Deus.

 

Por outro lado, aqueles que buscam apenas gozar os benefícios da graça de Deus cultivam um modelo de espiritualidade em que Deus está sempre a seu serviço, atendendo às inúmeras demandas de um ego insatisfeito e infantil, alimentando uma visão egoísta da realidade, exigindo saúde, bem-estar e riqueza como direitos adquiridos pela condição de filhos de Deus.

 

O fato é que necessitamos de ambas: glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Um depende do outro. O Salmo 67 reúne estas duas dimensões da espiritualidade cristã: “Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos. Alegrem-se e exultem as gentes, pois julgas os povos com equidade e guias na terra as nações”. A adoração a Deus traz gozo e alegria para o ser humano, e a alegria do ser humano é a expressão do seu louvor e adoração. O Salmo termina com uma harmoniosa combinação destas duas dimensões da espiritualidade cristã: “A terra deu o seu fruto, e Deus, o nosso Deus, nos abençoa. Abençoe-nos Deus, e todos os confins da terra o temerão”.

 

• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de, entre outros, A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja.

 

 

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