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Colunas — Brasil

Amou de tal maneira

Marina Silva

 

Em tempos de esperança cansada, só há um remédio: curar o mal do desamor

 

Nenhuma declaração de amor toca mais fundo do que aquela que é feita de forma inquestionavelmente convincente. Nada convence mais do que o amor traduzido em ação.

 

No mundo e em nosso próprio país, é de um amor radical que precisamos. Aquele tipo que altera profundamente a vida que o oferece.

 

Temos literatura testemunhal disso, pois foi assim com a mulher que preferiu retalhar seu coração a ver seu filho esquartejado, como inescrupulosamente consentiu aquela que, por esse ato, revelou não ser a mãe (1Rs 3.26). Foi assim com o pai que recebeu o filho com abraço, festa e bezerro cevado mesmo depois de ter sido rejeitado (Lc 15.11-32). Foi assim com o irmão vendido, que recebeu os irmãos que o traíram, após pedagogicamente fazê-los experimentar o medo e o desamparo que um dia experimentara, acolhendo-os com o melhor da terra, na terra para a qual fora vendido (Gn 45.1-14).

 

Há inúmeros exemplos que alegoricamente prefiguraram o amor de tal maneira de Deus para com o mundo. Esse mundo que ele criou, com toda a sua diversidade de belezas e riquezas. Mundo que concretizou dando por ele aquele a quem mais amava, aquele de quem está dito que dele, por ele e para ele são todas as coisas (Rm 11.36). Amar de tal maneira não é para qualquer um. Amar de tal maneira exige dar a quem amamos aquilo que mais amamos. O mundo perdido pelo ato de desobediência a Deus poderia ser resgatado ao domínio de seu criador apenas pela suprema obediência ao mandamento do amor.

 

Para cada situação há um ato de entrega que precisa ser compatível com um determinado coeficiente de amor – afinal de contas quem entrega mais sempre ama mais. Deus nos amou mais quando nos criou do pó, sabendo o custo que pagaria por nos criar. Amou mais quando nos resgatou pelo seu sangue e seu amor.

 

Se quem amamos precisa do nosso tempo para se sentir valorizado, é o nosso tempo o que deve ser doado. Se quem amamos precisa da nossa escuta para poder sentir que estamos interessados, é ela que deve ser aguçadamente ofertada. Se quem amamos precisa ser olhado com cuidado e atenção, como fez o rei que percebeu em Neemias tristeza de alma e de coração, é isso que precisa ser atentamente dispensado (Ne 2.1-6).

 

Deus pai, Deus filho e Deus Espírito Santo, o Deus trino, onipotente, onisciente e onipresente, deu a nós o que há de mais difícil de doar, que é o poder – na lógica humana é mais fácil doar a própria vida por quem a gente ama do que doar poder quando a gente o tem. Mesmo podendo todas as coisas, Deus não quis nem quer poder fazer tudo o que pode fazer. Não pode negar-se a si mesmo nem quer nos obrigar a amá-lo.

 

Deus, na pessoa de Jesus, realiza a plenitude do seu poder, assumindo o paradoxo de ter poder sobre o próprio poder e o pratica na sua missão redentora que implica sair da condição de Deus para homem mortal. Sair da condição de caminho para adentrar fria cova. Renuncia a significar vida abundante para passar pela corrupção da morte. Quem ama de tal maneira, só tem uma saída: amar mais, entregar mais, perdoar mais.

 

Nosso mundo grita por amor. Países se fecham ao desespero dos que fogem da guerra e da morte, enfrentando a própria morte na travessia do mar em barcos precários. Nossa economia se desorganiza e desprotege os que são mais fragilizados socialmente. Os valores se dissolvem em escândalos de corrupção. A esperança parece cansada.

 

Percebendo tudo o que está acontecendo no Brasil e no mundo, não há outro diagnóstico: estamos assim porque não entregamos o que mais amamos por quem declaramos nosso amor. Sofremos do mal do desamor.

 

Marina Silva é professora de história e ex-senadora pelo PV-AC.

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