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Colunas — --

Ó Pátria amada, “nanana”, salve, salve...

Bráulia Ribeiro

 

Recém-convertida, aprendi logo que não podia dizer o termo “idolatrada” quando cantava o hino nacional. Não podia idolatrar nada mais, nem a pátria. Até o amor por ela me parecia um certo exagero. Entendi que, de forma implícita, ao me converter ao evangelho, também me “despatriei”. Meu amor pelo torrão natal tinha ficado irremediavelmente comprometido pelo meu desejo maior, a pátria do céu. O amor a Jesus e a necessidade de me preocupar com o transcendente colocavam em segundo, terceiro, quarto plano “mundanisses” como o patriotismo.

 

Com o passar dos anos, esta pressuposição ficou no meu armário semântico. O significado de pátria para mim era: conceito não bíblico, substituído pelo amor ao céu -- meu compromisso maior. Eu e pátria? Reunião inútil, pois, se somos de Cristo, somos apátridas por escolha.

 

Porém, minha cosmovisão educada pelo movimento de plantadores de igrejas dos anos 80 e 90 me permitiu pelo menos um pé no chão. “Não posso me apoiar na pátria, mas posso amar as culturas do mundo. Cultura, ou nação, no sentido étnico é o único conceito nas Escrituras que subsiste no Novo Testamento. Culturas chegarão ao céu como marca suprema da minha identidade, mas a pátria não” -- pensava eu.

 

O tempo passou e aquelas suposições aceitas de forma tácita se tornaram uma cosmovisão trambolho que me atrapalha no campo missionário e que hoje me parece tão distante da Bíblia quanto a Lua da Terra. Descobri que a cultura, que me parecia tão preciosa, é uma pedra no sapato de todo missionário, ou seja, o grande obstáculo à conversão dos povos. Culturas mais desinformam do que informam e exercem poder de engano sobre o ser humano desde quando ele, ainda nu, entra no mundo. Culturas “desfalam” o que Deus falou claramente, estabelecem sistemas de valores que minam as verdades divinas e nos predispõem a percepções anticristo. Culturas não se redimem, seres humanos, sim. Culturas se transformam e, por definição, como um rio que não corre duas vezes do mesmo jeito e no mesmo lugar, elas são tão efêmeras quanto a nossa vida.

 

A pátria, por outro lado, é um valor mais duradouro. Pátria e família são os dois paradigmas de abrigo ao indivíduo, que lhe dá o direito e o espaço para criar, desenvolver e florescer como ser humano, para aplicar e celebrar a lei e os princípios de vida propostos pelo Criador. A pátria com suas leis nos dá um espaço para valorizar o que Deus valoriza, para expressar nosso amor por ele. É na pátria que mostramos, de maneira coletiva, honra, dignidade, respeito à justiça e apreciação pelo que é virtuoso.

 

Dias atrás, visitei alguns imigrantes das ilhas Chuuk, um arquipélago vulcânico de dezesseis ilhas, que faz parte da Federação dos Estados da Micronésia. Graças aos americanos, depois da Segunda Guerra, os chuukese, assim como outros povos de pequenos países insulares, puderam se organizar politicamente, ter independência e decidir as próprias leis. Aqui, os chuukese têm fama de beberrões e belicosos. Para minha surpresa, os chuukese confirmam a fama: “É, nosso povo é muito chegado a um porre e a brigas. Por isso, em muitas ilhas do arquipélago, nós proibimos a entrada de álcool” -- disse-me uma senhora. Admirei-me com a clareza. O povo chuuk sabe o que é bom e o que é mau para si. Sabe como fazer leis que os permitam viver melhor, proteger suas famílias. Portanto, a exemplo de outros países no Pacífico, são rigorosos quanto ao uso de álcool e drogas e punem de forma severa os que praticam violência. Eles não aceitam passivamente a cultura declarando: “Ah, somos corruptos mesmo”, digo, “violentos mesmo e isto é parte da nossa natureza, vamos aceitar”.

 

A pátria abriga a cultura que queremos que abrigue. Questões culturais ou da “índole” coletiva são resolvidas com leis e um sistema de sanções para os que as desobedecem. Há alguma novidade nisto? Não, este é o “abc” da organização coletiva. No Brasil, no entanto, estamos mais longe de nos entender e de entender que tipo de pátria queremos do que a pequena população Chuuk.

 

• Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona, no Havaí, com sua família, e está envolvida em projetos de tradução da Bíblia nas ilhas do Pacífico. É autora de Chamado Radical e Tem Alguém Aí em Cima?. Acompanhe seu blog pessoal.

 

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