Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Seções — --

Por que não a arte?

Eric Rodrigues

 

No cristianismo, a oração tem lugar especial, nossa fé tem espaço reservado para o diálogo, nosso Deus se revela e se comunica com seu povo. A oração perpassa todo o universo comunicativo humano. Se a oração é linguagem, por que restringi-la à dimensão oral? Por que não usar toda a capacidade comunicativa que possuímos? Por que não arte como oração?

 

Na história do cristianismo, a oração sempre se deu de forma dinâmica, expressa em diversas disciplinas, seja contemplativa, meditativa, seja a partir de um texto. Orações musicadas, sussurros, gemidos, poesias. E por que não uma performance artística? Deixe-me compartilhar uma experiência. Certa vez, em um culto, no momento da ordem penitencial -- em que nós pedimos perdão a Deus para depois ouvir sua Palavra e em seguida cear com ele --, uma artista nos conduziu em oração.

 

Essa oração, executada por uma só pessoa, logo acolheu a todos, movendo-nos para dentro, num ato de contrição, e nos elevando a uma súplica comunitária. A oração foi teatral, lúdica. As luzes foram diminuídas para que pudéssemos também ouvir, ao som de uma música lenta e tortuosa. Ela riscou o corpo inteiro com tinta, parte por parte de seu corpo, em um movimento agonizante, desesperador, levando toda a comunidade a sofrer ao olhar seus movimentos até a exaustão.

 

O incontestável desalento de sua alma transparecia pelo seu corpo, a respiração ofegante e o olhar aflito nos abraçaram, a agonia tomou a todos. Alguém jogou sobre sua face um pó branco que a cobriu por inteiro como uma nuvem de fumaça que logo encheu todo o espaço com um cheiro agradável, suave, e a agonia passou -- era a anunciação de outro tempo. Ela pareceu ser transfigurada, transportada para um lugar de tranquilidade, serenidade, prazer, esperança, a respiração profunda e lenta, daquela que enche o pulmão, não só de ar, mas também de vida. Um fio rubro como sangue começou a ser enrolado por todo o seu corpo, ainda com as marcas, ainda riscado, mas agora envolto em um pó branco. Emaranhada em fio carmesim, ela se deitou, parecia gozar de uma segurança implacável. A luz foi diminuída ainda mais, a música terminou e a igreja disse “amém” em meio ao choro, perplexa. Oramos com uma profundidade visceral. Dissemos a Deus o que queríamos. Mas, se não fosse a arte, nunca o diríamos com tanta intensidade.

 

Foi a oração de todos nós. Uma oração que não conseguiríamos dizer, faltariam palavras -- foi assim que nos sentimos --, mas essa artista nos ajudou, levou todos nós para diante de Deus, e foi possível dizer-lhe a transformação linda que ele nos trouxe, sem pronunciar uma só palavra.

 

Eu clamo a Deus para que continue vocacionando artistas que tocam nossa alma e nos ajudam a dizer o que palavras faladas não conseguem. Oremos com tudo o que pudermos e com toda a profundidade que uma oração exige; façamos arte.

 

 

Eric Rodrigues é pastor na Comunidade Anglicana Âncora, em Vitória, ES.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.