Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Seções — --

A arte de ver a arte

Gerson Borges

 

Henri Matisse, nome de ponta da arte moderna, ao lado de nomes como Picasso e Duchamp, ao visitar uma exposição, diante de “Le Cheval Blanc”, de Paul Gauguin, ouve de soslaio o comentário algo rude de uma visitante: “Isso não é cavalo!”. Ao que o artista francês responde: “Claro que não é um cavalo, senhora -- é um quadro!”.

 

O que é uma obra de arte, afinal? Para que serve a arte? Ou, ainda, como interpretar a arte? Se a arte é a expressão humana por excelência da cultura, história, emoções e sentimentos das pessoas, pode tão somente ser reduzida à técnica? Arte, humildemente eu sugiro, diz respeito ao processo criativo e a um esforço de significação da angústia existencial humana. Uma forma, portanto, de não enlouquecimento diante do “mistério” da vida. A arte é uma forma de conhecimento. Ellen Dissanayake, em seu ensaio “Para que serve a arte?”, avisa que as sociedades pré-industriais nem sequer tinham um termo para descrever a arte. Produzia-se arte sem a preocupação (grega) de conceituá-la. Os fenícios, egípcios e persas produziam cerâmica e escultura de formidável qualidade estética. Eugene Peterson lembra que, enquanto os hebreus oravam (os Salmos), os gregos inventavam mitos, histórias complexas e extremamente belas para dar conta do sentido da vida e suas tragédias. Cada cultura -- China, no extremo Oriente, Roma, no Ocidente -- gerava seus poetas, artistas, artesãos. Gosto muito da observação de George Steiner: “O espelho que reflete o mundo e a vida da consciência humana é um espelho capaz de reproduzir suas próprias imagens”.

 

Diante de uma obra de arte podemos ser conduzidos, portanto, à valiosa informação sobre a cultura que a produziu. O que nossos filmes, peças teatrais e canções, por exemplo, dizem a respeito de nós, brasileiros? Diante de uma obra de arte podemos aprender verdades morais importantes. Basta passar os olhos sobre a magnífica arte cristã, desde mosaicos em igrejas do século sexto, como o “d’A Ressurreição de Lázaro”, passando por Rembrandt, com suas muitas cenas bíblicas, como “A Volta do Filho Pródigo”, que tanto impactou Henri Nouwen (e a mim), por exemplo. A conclusão é simples: estavam pregando sermões. Numa carta a seu irmão Theo, Van Gogh, seminarista reformado -- e frustrado --, diz: “Já que não consigo pregar o evangelho, vou pintá-lo”. Quantos sermões na grande arte! Saberemos ouvi-los? Transformaremos nossos olhos em ouvidos, como diz Peterson em “Um Pastor Segundo o Coração de Deus”?

 

 

Gerson Borges, 45 anos, é pastor da Comunidade de Jesus, em São Bernardo do Campo, SP. É músico, escritor e palestrante sobre temas como história da música cristã, teologia da adoração e interpretação da cultura. É colunista do Portal Ultimato. Conheça seu site.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.