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Colunas — Meio ambiente e fé cristã

Ser parte e ser todo

Marina Silva

Somos a parte criativa do mundo criado. A natureza convive com a intervenção humana desde a criação. No esforço de engendrar artifícios para atender suas necessidades, o ser humano tem desenvolvido uma racionalidade que o leva a se perceber como distanciado da natureza e necessitado de defender-se dela. Algumas vezes, essa racionalidade é usada para “corrigir” a natureza e fazê-la trabalhar para os seres humanos. Mudar um curso de rio -- mesmo sem conhecer todos os impactos disso -- para aproveitar a força das águas; retirar a cobertura vegetal para plantar produtos comerciais; fazer estradas com grandes aterros e pontes; aterrar partes das praias; alterar margens de rio pela retirada de areias; edificar em áreas que protegem rios ou são propensas a desabar -- enfim, o artifício humano se expressa de muitas maneiras. Porém poucas são as vezes em que essas intervenções se deram em cooperação com as características naturais dos lugares. Não trabalhamos sob a perspectiva da cooperação da ecologia com a economia. Não as integramos em nossa ação, embora seja essa a orientação na santa Palavra.

Muitas vezes a engenharia humana desabou, foi arrastada por forças de águas torrenciais ou ruiu pelo lento trabalho da umidade, da ferrugem, do trabalho imperceptível do solo. Muitas vezes vidas foram perdidas em uma tragédia repentina ou numa tragédia que foi sendo sedimentada ao longo dos dias pela imprevidência, pela arrogância, pela incompatibilidade das intervenções com os terrenos em que elas se assentaram.

Somos seres relacionados e, se perdemos de vista que estamos relacionados, nos alienamos do que somos e daquilo de que fomos encarregados. Nosso estilo de vida mudou ao longo dos séculos, nos perdemos da nossa origem e não estamos conseguindo voltar a ela de uma forma adequada ao nosso atual estágio civilizatório, nem estamos conseguindo criar uma nova e atual forma de continuar identificados com a nossa origem e cumprir a nossa missão no sistema da vida no planeta. Em vez de lavrar e cuidar do jardim (Gn 2.15), temos espalhado abandono e morte nas águas, no solo, no ar, no clima e permitido o sofrimento dos mais pobres, simbolizados em tantas passagens bíblicas pelo órfão e a viúva, porque a eles têm sido reservados os piores lugares para viver.

Temos nos colocado como referência máxima para a escala de valores éticos, para o atendimento de interesses, para orientar a missão da Igreja. Porém a Palavra de Deus mostra que há um reconhecimento do pertencimento da natureza a Deus (Sl 24.1) e uma relação de adoração entre a criação e Deus, não mediada pelo ser humano (Sl 150.6). Ou seja, a natureza tem um valor próprio, um funcionamento ecossistêmico independente do gênio humano, um valor intrínseco que não temos levado em conta em nosso estilo de vida. O ser humano cultiva um estilo que gasta, dissolutamente, os recursos de milhares de anos pelo lucro de apenas algumas décadas -- recursos não renováveis -- sem se preocupar com o dia em que, quando menos esperar, receberá da parte de seu Senhor um severo pedido de prestação de contas de sua desleixada mordomia. Como nos ensina pacientemente o Mestre em suas pedagógicas parábolas, poderemos ser desqualificados para o cuidado das verdadeiras e eternas riquezas devido a nossa inadequada forma de lidar com as que são passageiras (Lc 16.11). Afinal, não podemos jamais esquecer que também somos parte desse todo que nos tem. Como também nos ensina Romanos 11.36, dele, por ele, para ele são todas as coisas.

Marina Silva é professora de história e ex-senadora pelo PV-AC.

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