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Colunas — Ponto final

Honestidade

Rubem Amorese

Tenho conhecido pessoas não cristãs profundamente honestas. Dessas que falam a verdade; que não roubam nem palito de restaurante; que não baixam programas, filmes ou músicas da internet; que ficam no prejuízo, mas não transigem.

Não compreendo bem como puderam tornar-se adultos corretos assim. Certamente, aprenderam em casa, com ensino e exemplo. Porém, não sendo gente de fé, poderiam pensar: “Bem que eu não temo a Deus, nem respeito a homem algum” (Lc 18.4). E, assim, poderiam agir como tantos outros, a partir das oportunidades e de análises de “custo/benefício”: se as chances de não serem pegos em uma mentira ou falsidade forem boas, por que não levar vantagem?

Entre os crentes, consideram-se alguns estímulos à honestidade, como o temor do Senhor (no sentido positivo do amor ou no negativo do medo), a esperança de galardão, que nos estimula a juntar tesouro no céu; o poder formador de caráter dos valores cristãos aprendidos desde a infância etc. Porém entre pessoas que aparentemente “não devem nada a ninguém” esse fenômeno é admirável.

Entretanto, tal pensamento pode levar-nos ao orgulho cristão, a pensar que essa virtude não é possível fora do evangelho. Seria como dizer que as pessoas de carne e osso que encontrei pela vida não existiram, ou que seus motivos foram os piores. Um exemplo: “O que é a honestidade senão o medo da prisão?” (Carlo Dossi). No entanto, sim, encontramos alguma sabedoria virtuosa, por exemplo, em Sócrates: “Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade”.

O fato é que a honradez, o decoro, a probidade, a compostura, a decência, o pudor ou a dignidade custam caro. “A honestidade é elogiada por todos, mas morre de frio” (Juvenal). “Não há ninguém mais fácil de enganar do que um homem honesto; muito crê quem nunca mente, e confia muito quem nunca engana” (Baltasar Gracián y Morales). Sim, num mundo de desonestos, a honestidade leva aparente desvantagem. Penso neste ano de eleições. Penso na revoada de candidatos a exibir-se para seus eleitores, como numa dança de sedução. Os velhos desonestos, com plumagens renovadas, parecerão os melhores. Aqueles que tentarem ser corretos gastarão quase toda a sua energia para não serem tragados.

Resta, no entanto, a cada um de nós, um olhar possível. Se todas essas perspectivas nos escapam e parecem-nos tão misteriosas e incontroláveis, resta-nos a pergunta íntima: “A esse respeito, o que posso dizer do meu coração?”. Bem, concordo que não eliminamos todos os mistérios, apenas porque agora estamos olhando para nós mesmos. Porém, temos um “fio da meada”. Agora entramos em uma estrada que pode ser percorrida com proveito: a estrada do autoconhecimento.

Pessoalmente, sofro com a minha desonestidade. Confesso que não consigo erradicá-la de uma vez. Ela é persistente e insinuante. Muitas vezes é invisível aos meus próprios olhos. Então, em vez disso, tenho procurado apresentar continuamente a Deus os fatos que a comprovam, junto com meu sofrimento a respeito. Na esperança de que ele vislumbre, em toda essa luta de luzes e sombras, um coração “compungido e contrito” (Sl 51.17). Pois sei que esse coração ele não desprezará.

Rubem Amorese é presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília, e foi professor na Faculdade Teológica Batista de Brasília por vinte anos. Antes de se aposentar, foi consultor legislativo no Senado Federal e diretor de informática no Centro de Informática e Processamento de Dados do Senado Federal. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Fábrica de Missionários -- nem leigos, nem santos. Acompanhe mais conteúdo no blog pessoal de Rubem Amorese.

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