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Colunas — Meio ambiente e fé cristã

Um menino nos nasceu

Marina Silva

Acabamos de atravessar um período importante na ideia de ciclos: um final e um começo. O ano de 2013 findou dando início a 2014. Ambos os momentos do ciclo -- e o próprio ciclo -- são muito densos de significado para nós cristãos. Ainda dá tempo para uma pausa reflexiva sobre eles.

Com o objetivo de ajudar em nossa reflexão, recorro à Hannah Arendt, filósofa alemã que no livro “A Condição Humana” nos fala sobre a lei da mortalidade que rege os processos vitais naturais. De acordo com essa filósofa, a vida material tem como destino final a ruína, tanto a biológica como a dos processos sociais históricos. Ela diz também que a ação, ou os negócios humanos, é uma forma de não vivermos, enquanto humanidade, restritos a essa fatalidade, condenados a ela. Arendt atribui à faculdade humana de agir a possibilidade de realizar algo novo, de começar alguma coisa inédita. Nesses começos, motivado pela busca de equilibrar a força desestabilizadora da imprevisibilidade, o ser humano assume um mínimo de controle sobre tal imprevisibilidade da vida por meio da faculdade de prometer e cumprir coisas no futuro. A promessa mútua que assume forma de contrato antecipa o que acontecerá no futuro se tal contrato for cumprido. A frase de Arendt “os homens, embora devam morrer, não nascem para morrer, mas para começar” dissocia o destino biológico individual de cada ser humano, que inevitavelmente morre, da missão da espécie humana no planeta que é quebrar a fatalidade da mortalidade pela instauração do novo. A ação assume assim a natureza do milagre. O milagre que salva o mundo, pela radicalidade do novo, é o nascimento.

A natureza -- criada por Deus, conforme a vontade dele -- nos oferece a metáfora para compreender a sucessividade milagrosa da vida. As árvores geram flores, que viram frutos, que produzem sementes e estas devem ser enterradas para propiciar o surgimento de nova árvore, conforme diz João 12.24: “Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto”.

O nascimento é a promessa e a renovação da vida. Porém, temos sido cegos à lição, distraídos a respeito de sua densidade. Em consequência de nossa ação, o planeta já está com apenas 50% de sua capacidade de regeneração. Devido à própria ação predadora, o ser humano está antecipando a morte natural dos componentes da biodiversidade, além de comprometer o futuro dos que ainda não nasceram. Retiramos, no presente, o significado de novidade e de renovação do nascimento das novas gerações, retirando delas um planeta saudável, onde a vida humana, no futuro, possa agir produzindo a novidade de vida.

Entretanto, a cada novo ano é dado a nós, pelo ciclo do tempo, esse momento de refletir sobre o significado da fé e da esperança que os novos começos, conforme Hannah Arendt, inserem no viver humano; e, acrescento, no viver de todas as espécies criadas por Deus. Embora sem confessar uma fé religiosa, a filósofa considera que em nenhum outro lugar essa fé e essa esperança são expressas de forma tão sucinta e gloriosa como em Isaías 9.6, que diz: “[...] um menino nos nasceu”. Esse menino que significa mais que a vida, mais que a sucessividade biológica dela. Esse menino é a própria vida, a maior de todas as promessas diante da constância da morte que, pela queda no Éden, nos lançou no abismo previsível do morrer, invertendo o propósito de Deus de vida em plenitude, que assegura a nós e ao planeta viver constantemente em eterna novidade de vida.


• Marina Silva é professora de história e ex-senadora pelo PV-AC.

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