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O lugar e o momento em que a nossa salvação esteve por um triz

Localizado do outro lado do ribeiro de Cedrom e na encosta do monte das Oliveiras em direção ao templo de Jerusalém, o jardim do Getsêmani é um lugar sagrado. Ali Jesus sofreu a sua última e maior tentação: a tentação de recuar e não beber o cálice da humilhação e do sofrimento. O incidente se deu na Semana Santa, depois do anoitecer de quinta-feira (Jo 13.30) e antes do amanhecer de sexta-feira (Jo 18.3); pouco depois da saída de Judas do Cenáculo e pouco antes da sua chegada ao Getsêmani; pouco antes da prisão, da pancadaria e dos escárnios cometidos contra Jesus pela guarda do templo. Foi exatamente nesse lugar e nesse momento que a nossa salvação esteve por um triz!

O começo da crise
Ao chegar ao Getsêmani, Jesus “começou a sentir uma grande tristeza e aflição” (Mt 26.32; Mc 14.33). Até então, ele não estava triste. Jesus tinha acabado de participar de uma reunião de despedida, durante a qual lavou os pés dos discípulos, celebrou pela primeira vez a Santa Ceia, fez uma longa oração intercessória por seus discípulos, referiu-se à vinda do Paráclito e entoou canções de louvor (Mt 26.26-30; Jo 17.13). Ele começou a se entristecer ao se dar conta do sofrimento que se aproximava a passos largos, que começaria com o beijo de Judas e terminaria com a cruz.

O “aqui, o ali e o acolá”
Jesus se mostra agitado, quem sabe nervoso. Ele não para em lugar algum. Deixa alguns discípulos na entrada do jardim (o “aqui”), caminha um pouco mais a frente com Pedro, Tiago e João (o “ali”) e, em seguida, vai sozinho trinta metros a frente para orar (o “acolá”). Depois de orar pela primeira vez no “acolá”, volta ao “ali” e encontra os três apóstolos dormindo, e dirige-se curiosamente só a Pedro, embora refira-se também aos outros: “Será que vocês não podem vigiar comigo nem uma hora?”. Após essa delicada advertência, Jesus volta ao “acolá” e faz a mesma oração pela segunda vez. Então caminha mais uma vez ao “ali” e torna a encontrá-los sonolentos, mas desta vez não os perturba. Ato contínuo, toma o caminho do “acolá” e ora pela terceira vez. Algum tempo depois, encerra seu momento de oração, passa pelo “ali” e chega até o “aqui” na companhia de Pedro, Tiago e João, onde encontra todos os demais. Então lhes diz: “Vocês estão dormindo e descansando? Olhem! Chegou a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos maus!”. Nesse exato momento, o apóstolo traidor à frente de uma multidão armada com espadas e porretes entra no jardim. Aqui termina a crise do Getsêmani, cujo tempo de duração os Evangelhos não informam.

A sonolência dos discípulos
Por que o trio de Jesus (Pedro, Tiago e João) “não consegue” ficar com os olhos abertos e vencer o sono no momento e no lugar onde a nossa salvação esteve por um triz? O Senhor tinha uma relação especial de intimidade com eles. Jesus não convidou nenhum outro apóstolo ou discípulo para assistir à cena da transfiguração (Lc 9.28) nem para assistir à ressurreição da filha de Jairo (Lc 8.51). Eles também eram tão amigos do Senhor a ponto de Tiago e João lhe pedirem: “Quando o Senhor sentar-se no trono de seu reino glorioso, deixe que um de nós se sente à sua direita, e o outro, à sua esquerda” (Mc 10.37). Momentos antes da crise do Getsêmani, por ocasião da Páscoa e da Santa Ceia, João estava sentado ao lado de Jesus e reclinou a cabeça no ombro dele (Jo 13.25, AM). Na mesma reunião do Cenáculo, Pedro declarou à vista de todos: “Estou pronto para ser preso e morrer com o Senhor!” (Lc 22.33). Aquele sono incontrolável, totalmente inoportuno, resultado da tristeza dos discípulos, que durou todo o tempo da agonia de Jesus, mesmo tendo sido interrompido por ele no primeiro momento, deixou o Senhor sozinho em sua agonia.

A hematidrose
Apenas Lucas, que era médico, acrescenta a informação de que durante a crise, por estar com tamanha agonia de espírito e por orar cada vez mais fervorosamente, Jesus “começou a suar sangue, com gotas caindo pelo chão” (Lc 22.44, NBV).

A melhor explicação desse fenômeno é dada pelo médico legista americano Frederick Zugibe, católico fervoroso, autor de três livros e mais de 2 mil artigos sobre a verdadeira causa da morte de Jesus. O ex-patologista-chefe do Instituto Médico Legal de Nova York diz que “o suor transformado em sangue e caído no chão indica que Jesus foi vítima de hematidrose, um fenômeno raro na literatura médica, que ocorre quando a pessoa está sob forte estresse mental, medo e sensação de pânico. As veias das glândulas sudoríparas se comprimem e depois se rompem, e o sangue mistura-se então ao suor que é expelido pelo corpo”.

A oração do Getsêmani
O Evangelho diz que, no “acolá”, três vezes Jesus ajoelhou-se, encostou o rosto no chão e orou: “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice de sofrimento! Porém não seja feito o que eu quero, mas o que tu queres”. Não há outra oração tão submissa quanto esta. Se riscássemos as expressões “se é possível” e “porém não seja feito o que eu quero, mas o que tu queres”, a prece seria três vezes menor e ficaria assim: “Meu Pai, afasta de mim este cálice de sofrimento”. Se não tivesse coragem para vencer a terrível tentação, Jesus faria a mais desastrada de todas as orações da história: “Meu Pai, sendo possível ou não, afasta de mim este cálice de sofrimento! Por favor, seja feito o que eu quero, e não o que tu queres”. Nesse caso, nossa salvação iria para o brejo e ninguém, em tempo algum, seria perdoado pelos pecados nem salvo da condenação eterna. Daí a palavra extremamente lúcida e isenta do jornalista Carlos Heitor Cony, que, embora sem religião, acertou em cheio ao escrever que Jesus, no horto das oliveiras, “suando sangue, sentiu na carne o sacrifício que ia fazer e pediu que o Senhor o livrasse daquele ‘cálice’. Foi seguramente a única ocasião em que a sua condição humana se contrapôs à sua condição divina. Em certo sentido, um pecado que tornaria inútil toda a redenção, inútil todo o projeto de salvação” (“Folha de São Paulo”, 4/7/2013, p.2).

No auge da crise
Enquanto Pedro, Tiago e João não conseguiram ficar com os olhos abertos, um anjo do céu desceu até o “acolá” do Getsêmani para animar Jesus (Lc 22.43). Outras versões dizem que o anjo o consolava, o encorajava, o fortalecia ou o fortificava. O ser sobrenatural usou palavras, gestos (aperto de mão, abraço) ou ambos? A palavra certa na hora certa sempre realiza milagres. O Antigo Testamento conta que Jônatas, quando Davi estava muito aflito devido às ameaças de morte da parte de Saul, foi ao seu encontro e “lhe deu coragem para confiar na proteção de Deus” (1Sm 23.16). Na edição de janeiro/abril de 2013, a revista “Medicina” publicou um artigo sobre o cuidado que precisamos ter com os doentes, cujo subtítulo era “Quando o cuidado cabe num abraço”.

Uma pergunta muito séria
Se a oração que Jesus fez fosse diferente, qual seria a resposta do Pai? Se Jesus tivesse pedido “Passe de mim este cálice de sofrimento”, o cálice seria removido? Por mais surpreendente que seja, Jesus não precisaria ir até a cruz, caso não o quisesse. Ele próprio dispensou a espada que Pedro havia tirado da bainha para protegê-lo dos soldados, explicando-lhe: “Se eu pedisse ajuda ao meu Pai, ele me mandaria agora mesmo doze legiões de anjos” (Mt 26.53). Ele poderia pedir a interferência de 72 mil anjos, mas não pediu. Como dizia a profecia de Isaías, “ele não abriu a sua boca” (Is 53.7). Nem para queixar-se, nem para defender-se, nem para livrar-se da cruz.

A pré-tentação
Antes da tentação do Getsêmani (a tentação-mor de toda a sua vida), Jesus foi tentado a não beber o cálice em outra ocasião. O texto diz que, enquanto caminhavam em direção a Jerusalém, Jesus deixou os discípulos cientes do que acontecia ali, preparando-os emocionalmente para o quadro sombrio que se aproximava. Então, Pedro, na melhor das intenções, levou Jesus para um lado e tentou impedi-lo de passar por aquela situação. Mas o Senhor virou-se para Pedro e disse-lhe com muita dureza: “Saia da minha frente, Satanás! Você é como pedra no meu caminho para fazer com que eu tropece, pois está pensando como um ser humano pensa e não como Deus pensa” (Mt 16.21-23).

O pré-Getsêmani
Na entrada de Jesus em Jerusalém e no início da Semana Santa, ele se abriu com André e Filipe: “Agora estou sentindo uma grande aflição. O que é que vou dizer? Será que vou dizer: Pai, livra-me desta hora de sofrimento? Não! Pois foi para passar por esta hora que eu vim [ao mundo]. Pai, revela a tua presença gloriosa! Então veio do céu uma voz, que dizia: Eu já a revelei e a revelarei de novo” (Jo 12.27-28). Esta cena -- o pré-Getsêmani -- aconteceu menos de uma semana antes do verdadeiro Getsêmani!

Salvação sem o cálice não é possível
Em suas orações no Getsêmani, Jesus usou a condicional “se é possível”. Mas não era possível deixar de beber o cálice, a menos que todo o projeto da salvação se desmoronasse por completo e para sempre. Não era possível porque, mesmo antes da criação do mundo, Jesus já havia sido predestinado por Deus para nos libertar da culpa, do poder e da presença do pecado por meio do derramamento de seu sangue, como de um cordeiro sem defeito nem mancha (1Pe 1.18-19). Não era possível por causa do compromisso anteriormente assumido pelo próprio Jesus, como se pode ver nas seguintes declarações: “Eu sou o bom pastor [e] o bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11); “O Pai me ama porque eu dou a minha vida para recebê-la outra vez” (Jo 10.17); “Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou por minha própria vontade” (Jo 10.18); “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente” (Mt 20.28). Não era possível devido à transitoriedade dos antigos sacrifícios, como sublinha o Novo Testamento: “É impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados” (Hb 10.3-4). Não era possível porque naquela mesma noite Jesus já havia instituído a Santa Ceia e explicado o seu significado: “Este cálice é a nova aliança feita por Deus com o seu povo, aliança que é garantida pelo meu sangue” (1Co 11.25).

Poucas horas depois do Getsêmani

Na sexta-feira da Semana da Paixão, ao meio-dia, quando o sol deveria estar a pino, uma escuridão cobriu toda a Terra. Três horas depois, do alto da cruz, Jesus exclamou com ar de vitória: “Tudo está completado” (Jo 19.30). Então, o Senhor baixou a cabeça e morreu (de parada cardiorrespiratória, de acordo com Frederick Zugibe). Imediatamente, terminada a oferta de Jesus pelo pecado, “a cortina do templo se rasgou em dois pedaços, de cima para baixo” (Mt 27.51). Daí em diante, “já não existe nenhuma condenação para as pessoas que estão unidas com Cristo” (Rm 8.1). Depois de morto, sepultado e assunto aos céus, Jesus pôde declarar: “Eu consegui a vitória e agora estou sentado ao lado do trono de meu Pai” (Ap 3.21).

Bendito aquele que passou vergonha por nós
O peregrino é um personagem fictício criado por John Bunyan, notável escritor do século 17. Sua mais notável obra -- “O Peregrino” --, escrita entre 1678 e 1684, é o livro mais traduzido depois da Bíblia. Trata-se de uma alegoria que descreve o pecador carregado de culpa em busca de perdão e salvação, e que, depois de muitas andanças e tentativas, chega à cruz fincada no Gólgota. Quando fica ciente do sacrifício expiatório de Jesus, o peregrino exclama:

“Cheguei até aqui, sobrecarregado com os meus pecados.
Não pude sequer aliviar o sofrimento que sentia até me aproximar mais.
Que lugar é este! Será aqui o começo da minha bem-aventurança?
O fardo cairá de minhas costas bem aqui?
As correntes que o prendem a mim irão romper-se?
Cruz bendita! Sepulcro bendito!
Bendito seja o Homem que passou vergonha por mim!”.

Porque Jesus bebeu o cálice, a cortina do lugar santíssimo se abriu e qualquer ser humano absolutamente pecador pode entrar na presença do Deus absolutamente santo.

“Porque Jesus Cristo fez
O que Deus quis
Nós somos purificados do pecado
Pela oferta que ele fez
Do seu próprio corpo
Uma vez por todas” (Hb 10.10).

Resta-nos agradecer e adorar a Deus de um modo que o agrade e ir pelo mundo inteiro espalhando a boa notícia de que Jesus bebeu o cálice por nós!

Enquanto caminhavam em direção a Jerusalém, Jesus deixou os discípulos cientes do que acontecia ali, preparando-os para o quadro sombrio que se aproximava

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