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Colunas — Missão Integral

A missão do reino de Deus (parte 5) - O contexto histórico do anúncio do reino

Como vimos nos dois artigos anteriores, o cântico da virgem Maria, o Magnificat (Lc 1.46-55), expressa a esperança de que Deus envie o Messias para libertar seus povos dos opressores e estabelecer um reinado de justiça e misericórdia – uma nova ordem caracterizada pelo Shalom –, para cumprir as profecias do Antigo Testamento.
 
Em termos gerais, o povo de Israel compartilhava essa esperança com Maria. No entanto, não havia um acordo quanto a como as profecias seriam cumpridas. A respeito disso, os Evangelhos refletem pelo menos três visões diferentes, que fazem parte do contexto histórico no qual Jesus anunciou a vinda do reino. Só se faz justiça à visão representada por tal anúncio se se leva em conta essas outras três visões em seu contexto e como se contrastam com a do Mestre.
 
A visão dos saduceus – sacerdotes e membros do Sinédrio, o Conselho supremo que possuía, com a aprovação do Império Romano, o poder político e religioso – era uma visão conformista. Preocupados com seu próprio bem-estar, não hesitavam em afirmar a autoridade de César (Jo 19.15) e em apoiar o tributo imperial e a ocupação militar por parte de Roma. Aumentavam a opressão do povo impondo sobre ele o imposto ao templo e arrecadavam grandes somas de dinheiro durante as festas judaicas e com a venda de animais para os sacrifícios e para as oferendas regulares dos que iam ao templo. Jesus provavelmente alude a esta maneira de se relacionar com os fiéis ao se referir às multidões “cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9.36), ou seja, um povo sem líderes que os cuidem.
 
Por outro lado, os zelotes eram os revolucionários de seu tempo. Estavam dispostos a se libertar de Roma e restabelecer a glória de Israel pela força das armas, com base na confissão de Javé como o único Deus verdadeiro. Vários deles – os“sicários” – levavam um punhal para assassinar representantes de Roma ou cúmplices da ocupação imperial. Oscar Cullmann especula que pelo menos seis dos discípulos de Jesus eram originalmente zelotes, mas, nos Evangelhos, o único mencionado é o que é identificado como tal: Simão, o o zelote (Lc 6.15).
 
Já os fariseus – literalmente, os “separarados”–, com quem alguns dos escribas ou doutores da lei se identificavam, enfatizavam a obediência à lei como o meio para ser favorecido por Deus e viver como seu povo escolhido, apesar da intervenção estrangeira. Os Evangelhos registram várias controvérsias deles com Jesus e a crítica que ele faz a suas tradições, sua hipocrisia e sua falta de amor. Também registram a exortação de Jesus para que seus discípulos tenham cuidado com o “fermento dos fariseus” (Mt 16.6, 11; Mc 8.15; Lc 12.1).
 
Neste contexto sociopolítico e religioso judaico marcado pelos grupos mencionados, irrompe a mensagem relativa ao advento do reino de Deus. João Batista, o precursor de Jesus, o anuncia àqueles que vão até ele no deserto da Judeia para serem batizados, possivelmente motivados pela esperança que muitos têm neste momento de que surja do deserto um líder que liberte Israel da opressão. Sintetizada em poucas palavras, sua mensagem é: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 3.2). João Batista é preso; então, é o próprio Jesus quem retoma a tarefa: “veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Mc 1.14-15). Como entendemos que este anuncia a proximidade do reino de Deus? Este é um assunto que merece uma cuidadosa reflexão.
 
Traduzido por Wagner Guimarães.
 
• C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de O Que É Missão Integral? .

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