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Colunas — Meio ambiente e fé cristã

Plenitude e sustentabilidade (parte 2)

O Salmo 50, em seu versículo 12, diz: “Se eu tivesse fome não to diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude”. A mim, esse versículo fala da autonomia de Deus em relação ao homem no que diz respeito à sua criação. Ele nos concedeu o privilégio de sermos responsáveis, mas ele é o Senhor de tudo. Se tivesse alguma necessidade como a fome, se disso fosse alguma vez acometido, bastaria lançar mão do que criou e seria saciado. Se Deus, em sua infinita grandeza, criou o planeta como fonte de abastança para si, imagine para o ser que ele criou.
 
A passagem fala-me também, como já expus na edição anterior, do ideal de sustentabilidade. Um todo inteligente, funcional e belo de que a vida humana faz parte. A parte que pensa, sente, se comunica com Deus por meio da inteligência e de um modo de ser semelhante à própria Trindade, já que as demais formas de vida também louvam ao Senhor (Sl 150.6).
 
Por muitos séculos a humanidade se moveu pelo ideal de “ser”. Ideais assumidos tanto na vida dos indivíduos quanto na vida das nações. Assim, vimos como os gregos buscavam ser sábios e livres. Claro, a sabedoria e a liberdade eram ideais não pleiteáveis pelos escravos nem pelas mulheres daquele povo. Porém, como naquele período histórico apenas os homens eram incluídos neste ideal, o que tinham em mente como desejo bastava para representar os que, devido aos limites socioculturais da época, ainda não o eram. Posteriormente, temos os romanos expressando seu desejo de serem grandes e fortes na construção de um império que se estendeu por todo o mundo conhecido em sua época.
 
Na Idade Média, as pessoas queriam ser santas. Muitas guerras, pecados e vilanias foram cometidos em nome desse ideal, mas inegavelmente era um ideal de “ser”.
Por fim, a humanidade chegou ao mercantilismo, só desenvolvido porque foram descobertas formas de aumentar o “fazer” humano. Desse período surgiu não apenas a produção em grande escala de mercadorias, mas também uma coisificação de vários bens simbólicos. Ser cientista virou fazer ciência. A arte de negociar em torno do valor justo de um bem virou fazer comércio. Ser santo passou a significar fazer discípulos, fazer templos, fazer dízimos.
 
Em nossa época o movimento de juventude – europeu, americano e até brasileiro –, que se dedicou a questionar as convenções da sociedade dos anos 60, as quais considerava hipócritas, cunhou a expressão “fazer amor” para se opor a “fazer guerra”.
E, como um abismo sempre chama outro abismo, conforme alerta o texto bíblico (Sl 42.7), tudo virou fazer. O resultado de tanto fazer foi o surgimento do mercado de consumo. Não só de coisas, mas de personalidades, de ideias, de estilos, de tudo que possibilite fazer e consumir.
 
E cá estamos nós, no início do século 21, com o planeta degradado de tanto fornecer matéria-prima para abastecer o processo industrial. A degradação se agrava pelo tanto de resíduos e emissões desse mesmo processo e pela alteração do funcionamento dos ecossistemas, devido ao uso intensivo de seus recursos. Junto a tudo isso, ainda temos o grave problema do aquecimento global, que pode destruir toda a vida na terra.
Diante desse quadro, somos instados a escrever um capítulo novo de nossa história. Desta vez seria bom ouvir o que Deus nos diz em Eclesiastes 4.6: “Melhor é a mão cheia com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho, e aflição de espírito”.
 
• Marina Silva é professora de história e ex-senadora pelo PV-AC.

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