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Colunas — Missão Integral

A missão do reino de Deus (parte 4) O Magnificat 2

Na edição anterior refletimos sobre o reconhecimento, por parte de Maria, da misericórdia de Deus manifestada por meio do advento do Messias que estava para nascer (Lc 1.46-55). A segunda estrofe do hino enfatiza a justiça de Deus, que acompanha a sua misericórdia.
 
Reiteradamente, o Antigo Testamento afirma que Deus é justo, ama a justiça e a reivindica. Cabe destacar, no entanto, que falar da justiça de Deus não é falar de uma qualidade abstrata que o caracteriza. É, na verdade, afirmar que, porque Deus é justo, ele fica ao lado das vítimas da injustiça e age contra aqueles que a cometem. Seu propósito para todo ser humano, sem distinções nem favoritismos, é “shalom”, vida em abundância, que é fruto da justiça (Is 32.17). Sua ação, portanto, é voltada para restaurar ou defender aqueles que sofrem injustiça, e instituir, assim, a igualdade.
 
Em conformidade com este propósito de Deus, o Antigo Testamento vislumbra o advento do Messias, o ungido de Deus que vem para estabelecer seu reinado de justiça. Como já vimos, no anúncio do nascimento de Jesus, o anjo Gabriel informa a Maria que “o reino de seu filho não terá fim” (Lc 1.33). A segunda estrofe do “Magnificat” (v. 51-55) passa do pessoal ao corporativo e põe em destaque a relação que há entre o cumprimento desse anúncio angelical relativo ao advento do Messias, por um lado, e o estabelecimento da justiça, por outro. A misericórdia que, na primeira estrofe, favorece a “humilde serva”, na segunda se estende aos “humildes” (v. 52), aos “famintos” (v. 53), a “Israel” (v. 54) e à “descendência de Abraão” (v. 55). É a misericórdia de Deus em ação para estabelecer a justiça e portanto favorece a estes, mas, ao mesmo tempo, desfavorece os “soberbos” (v. 51), os “poderosos” (v. 52) e os “ricos” (v. 53).
 
A narração da vida e ministério de Jesus ao longo de todo o Evangelho de Lucas mostra o forte contraste entre dois grupos de pessoas. Um grupo é constituído por gente humilde – as “grandes multidões” que “seguiam a Jesus” (Lc 14.25) e que em algum momento queriam “levá-lo à força e declará-lo rei” (Jo 6.15). O outro grupo é formado pelos “soberbos”, pelos “poderosos” e pelos “ricos”, que se opõem a Jesus; estes buscam posições de poder e riqueza, e desprezam os pobres. No sermão inaugural na sinagoga de Nazaré, Jesus não deixa dúvida quanto ao propósito de seu ministério: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, a pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18-19). Jesus é o Messias ungido por Deus para estabelecer o reinado em que se cumprirá o que Deus espera de seu povo escolhido e de todas as nações da terra: “[...] Pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq 6.8).
 
Os verbos no “Magnificat” apontam para ações realizadas por Deus no passado como o Deus de misericórdia e de justiça: “agiu valorosamente” e “dissipou os soberbos” (v. 51), “depôs dos tronos os poderosos” e “elevou os humildes” (v. 52), “encheu de bens os famintos” e “despediu vazios os ricos” (v. 53) e “auxiliou a seu servo Israel, recordando-se da sua misericórdia” (v. 54). Isto poderia dar lugar a uma interpretação que se referisse à ação de Deus no passado. No entanto, o cântico de Maria se dá em um contexto judaico de expectativa messiânica no qual prima a esperança escatológica de uma nova ordem socioeconômica e política instituída pelo Ungido de Deus. O que este cântico afirma é que o nascimento de Jesus Cristo é o preâmbulo do “já” do reino de Deus, que está a ponto de se fazer presente na história por meio de sua pessoa e obra, mesmo que “ainda não” em sua plenitude. É, portanto, um convite para fazer da teologia de Maria um modelo de teologia “histórica, dinâmica, profética”, que, como diz Valdir Steuernagel, “cumpre o papel de ser memória da ação de Deus ontem, discerne sua intervenção hoje e se sabe a serviço do amanhã de Deus”.
Traduzido por Wagner Guimarães.
 
• C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de O Que É Missão Integral?.

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