Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Capa

Não conhecemos 90% do que compõe o Universo!

Cláudio Lenz César
 
A recente descoberta de uma partícula no CERN (Laboratório Europeu de Física de Partículas) é um momento histórico na física. Provavelmente se trata do famoso Bóson de Higgs (denominado “partícula de Deus”), cuja existência assegura um mecanismo que justifica a massa das partículas. Algo tão simples para o qual os físicos ainda não tinham uma boa explicação. Esse campo de Higgs foi proposto nos anos 60 por seis físicos, entre os quais Peter Higgs, a quem a partícula acabou tendo o nome associado. O grande acelerador do CERN, o LHC, foi construído tendo como objetivo principal a detecção dessa partícula. Era uma das peças fundamentais que faltavam ao chamado Modelo Padrão da Física, que explica as partículas fundamentais e suas interações. Assim, isso representa um esforço heroico da comunidade científica internacional. Demonstra como cientistas de várias nações (inclusive nações em guerra) colaboraram para desvendar esse grande mistério da natureza e pode servir como exemplo para outros futuros desafios humanos, seja na área de energia, clima global e outras. O mecanismo pelo qual o campo de Higgs dá massa às partículas pode ser visto, de maneira muito simplificada, como alguém tentando andar ou correr dentro de uma piscina e sentindo uma inércia muito maior, como se tivesse de carregar algo pesado junto ao corpo, ou, mais idealmente, como um elétron num semicondutor sentindo uma “massa efetiva”.
 
Ainda não se tem ideia de futuras aplicações dessa descoberta -- que é muito básica e que era prevista teoricamente -- nos fundamentos da física. Porém, o avanço da ciência sempre traz aplicações futuras. A transição da mecânica clássica para a mecânica quântica, por exemplo, trouxe, décadas mais tarde, o desenvolvimento do transistor, do laser e da ressonância nuclear magnética, dispositivos que revolucionaram nossa sociedade. O CERN em si já deu uma grande contribuição à sociedade com o desenvolvimento do “WWW” (world-wide-web), que surgiu da necessidade dos físicos de compartilharem e processarem enorme quantidade de dados pelo mundo. Hoje o CERN avança numa rede de computação ainda mais poderosa, a chamada GRID e que terá usos não só em física, mas também em biologia e clima global, para citar alguns.
 
Finalmente, cabe ressaltar que a física ainda sabe muito pouco sobre a natureza.
 
Vemos evidência de “matéria escura” e “energia escura” (responsáveis pela expansão acelerada do Universo) e não temos a menor ideia do que são. Ou seja, estimamos que não conhecemos 90% do que compõe o Universo! Não sabemos por que não há antimatéria primordial no Universo, ainda não conhecemos bem nem sequer os detalhes de um simples próton (núcleo do átomo de hidrogênio). Apesar do grande desenvolvimento da física, podemos dizer, na melhor de nossa estimativa, que ainda somos muito ignorantes na apreciação do maquinário do Universo.
 
E uma curiosidade: o nome “partícula de Deus” veio da mudança que o editor de um livro do  físico Leon Lederman, inicialmente chamado “The Goddam Particle” (partícula maldita, pela dificuldade de encontrá-la), sugeriu no título para torná-lo mais chamativo. O título desagrada à maioria dos físicos, por ser apelativo, mas, uma vez na mídia, foi impossível voltar atrás.
 
• Cláudio Lenz César é professor de física na Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalha no CERN (European Organization for Nuclear Research) com o experimento sobre anti-hidrogênio chamado Colaboração ALPHA.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.