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No Centro de Documentação do Nazismo, em Nuremberg, o Mineiro viu e ouviu muita coisa sobre os horrores da Alemanha de Hitler. Eram grandes e numerosos cartazes, fotografias, documentos e filmes lembrando de forma progressiva, de ambiente em ambiente, a marcha do nazismo. Cada visitante ouvia a descrição de tudo que estava a sua frente em sua própria língua por um fone de ouvido. Se soubesse alemão, o Mineiro teria lido documentos inteiros, como a “Lei para proteção do sangue alemão”, de 15 de setembro de 1935, mais conhecida como as “Leis de Nuremberg”, que proibia o casamento de alemães com judeus, privava os judeus da cidadania e fez da suástica o emblema da Alemanha. Algumas fotografias mostravam o esplendor de Hitler graças aos grandes espetáculos realizados ali perto, na Arena Luitpold, com a presença de uma multidão. Essas reuniões eram promovidas pela poderosa máquina de propaganda nazista, que se utilizava de aparatos militares para dar a Hitler a imagem de um salvador da pátria germânica. Alguns as consideram a maior arma de propaganda jamais inventada. A menor concentração aconteceu em 1923, com a presença de 20 mil nazistas. A maior, realizada em 1938, um ano antes da guerra, levou milhões de alemães a Nuremberg. Além dessas enormes concentrações, a propaganda nazista era feita também por meio de filmes. O mais notável foi o “Triumph des Willens” (Triunfo da Vontade), com duas horas de projeção, sendo que o próprio Hitler aparece em um terço do filme. Esse longa-metragem, lançado em Berlim em 1935 e projetado também em escolas, tornou-se a base da memória visual dos comícios realizados em Nuremberg.
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Fernanda Torres, atriz e colunista da Folha de S. Paulo
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