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Colunas — Redescobrindo a Palavra de Deus

“Samuel morreu, e todo o Israel se reuniu e o pranteou.”

Valdir Steuernagel

Depois de uma vida dedicada ao serviço a Deus e de percorrer distâncias e lugares sem fim, Samuel morreu. E ali, “no lugar onde tinha vivido”, foi pranteado por uma multidão que veio de vários lugares para chorar sua morte. Desta vez, as pessoas vieram a ele em vez de ele ir até elas. 
 
Assim aconteceu com o bispo Dom Robinson Cavalcanti e sua esposa, Miriam, mortos no dia 27 de fevereiro, em condições trágicas e incrivelmente reais. A morte deles correu o mundo com a velocidade do twitter e chocou a muitos, provocando um lamento como poucas vezes se viu nessa enorme família com a qual eles andavam. 
 
Na época de Samuel as notícias corriam mais devagar, mas também chegaram aos ouvidos e corações daqueles que haviam sido tocados e admoestados pelo seu maduro e consistente ministério profético. Muitos, ao saber do ocorrido, disseram: “Vamos a Ramá! Precisamos prantear a morte deste que tanto marcou a nossa vida e formou nossos valores. Vamos, em comunidade, testemunhar da nossa vocação para sermos de Deus e vivermos para Deus”. As mochilas foram preparadas, os comunicados enviados, as montarias arranjadas e iniciou-se a jornada para Ramá. O povo de Deus estava a caminho para honrar aquele que, em vida, havia marcado as suas vidas.
 
Assim aconteceu com o anúncio do sepultamento de Robinson e Miriam. As agendas foram remanejadas e, consultados os sites em busca das melhores conexões e passagens, iniciou-se a viagem. Era preciso ir a Recife! Assim, quem esteve no culto de despedida não foi apenas a comunidade de Olinda e Recife, mas pessoas de diferentes lugares do Brasil e do exterior, mesmo sem saberem muito o que dizer frente a um acontecimento tão inesperado, repentino e trágico como aquele. Eu estava fora do país e não pude ir, e o meu pranto ficou mais solitário. Faltou-me o abraço silencioso do irmão, o choro coletivo, a gratidão comunitária pela vida dos que se foram e o culto no qual se adorava o Deus a quem serviram. Faltou-me esse encontro na dor, no qual se gesta um olhar de gratidão para o passado e de esperança para o futuro e se vê a eternidade com saudade. 
 
Samuel, Miriam e Robinson eram parecidos
Às vezes colocamos uma enorme distância entre os personagens bíblicos e aqueles que fazem parte da família de Deus em nossa geração. Contudo, na verdade, os personagens bíblicos nos estendem um convite para sermos como eles, encontrando-os em sua humanidade de tristezas, alegrias e esperanças. Assim, Samuel e Robinson acabam sendo parecidos. Samuel era um andarilho de vocação que, a cada ano, percorria as cidades de Israel decidindo as questões pendentes (1Sm 7.15-16). Inúmeras foram as vezes em que Robinson se locomoveu de norte a sul deste nosso país como um arauto do evangelho a ensinar os caminhos do reino de Deus. Como profeta, Samuel chamava o povo à conversão, exortando-o a abandonar as idolatrias e a voltar-se para Deus (1Sm 7.3). É significativo ver, nas últimas colunas que Robinson escreveu em Ultimato, o quanto ele chamava o povo de volta para um evangelho bíblico, claro e clássico. Robinson era um profeta do evangelho! Samuel teve dificuldades com sua família, pois os seus filhos não andaram nos caminhos do Senhor (1Sm 8.3). E Robinson teve sua vida e a da esposa arrancadas pelo próprio filho! Algo que nunca iremos entender nem aceitar, ainda que todo o desenho da relação familiar nos seja desconhecido. 
 
Conheci Robinson e Miriam no início de 1970, no contexto da Aliança Bíblica Universitária, e no decorrer dos anos fomos nos encontrando. Ele e Miriam foram inspiração e modelo para minha esposa e para mim no ministério estudantil. Os anos passaram e, com diferentes opções ministeriais, nos encontramos menos. Porém, na recente caminhada junto à Aliança Cristã Evangélica Brasileira nos reencontramos e o seu compromisso com a unidade da igreja e sua reflexão bíblico-histórica acerca da construção de uma aliança evangélica nos inspirou e orientou. No dia sete de dezembro de 2011 eu lhe escrevi um pequeno e-mail agradecendo por sua significativa palavra no último Fórum da Aliança: “Meu caro Robinson, ouço da sua participação no Fórum e sorrio com gratidão. A sua presença, sua contribuição e o seu compromisso são fontes de alento para todos nós na Aliança e temos profunda gratidão e respeito por você. Muito obrigado e Deus lhe abençoe. Abraço! Valdir”. Em poucas horas ele respondeu com um e-mail que não quero esquecer, pois fala muito de quem esse servo do evangelho era: “Puxa, Valdir, sou apenas um veterano, considerado por alguns como ‘ultrapassado’, que se sente honrado em estar ao lado de vocês nessa construção. Paz e saúde. Um grande abraço, Robinson”. “Puxa, Valdir” é a expressão que gravo no coração ao lembrar esse casal que queria servir a Deus até o fim -- e assim o fez. 
 
A vida de Robinson e Miriam não terminou como eles ou nós esperávamos, assim como a vida de nenhum de nós terminará segundo o nosso desenho. O importante é que ela termine marcada pela fidelidade ao chamado de Deus, na companhia do seu povo e em serviço a um evangelho que é fonte de vida. 
 
A morte de Samuel é descrita com uma bela cena de despedida: “Samuel morreu, e todo o Israel se reuniu e o pranteou; e o sepultaram onde tinha vivido, em Ramá (1Sm 25.1). E assim foi com Robinson e Miriam. 
 
“Puxa, Valdir...”
 
• Valdir Steuernagel é teólogo sênior da Visão Mundial Internacional. Pastor luterano, é um dos coordenadores da Aliança Cristã Evangélica Brasileira e um dos diretores da Aliança Evangélica Mundial e do Movimento de Lausanne.

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