“Motim”Anjos e homens em rebeldia total
Ryo Azumi
304 páginas
Edições Vida Nova, 2011
A série de histórias da Bíblia no estilo quadrinhos, lançada pelas Edições Vida Nova, chega ao terceiro volume. O primeiro, “Jesus Messias”, retrata a vida e o ministério de Jesus; o segundo, “Metamorfose”, a vida do apóstolo Paulo.
“Motim”, que pretende ser uma adaptação das Escrituras, traz nas primeiras páginas o relato da queda de Lúcifer e da rebelião dos anjos, seguidas pelas consequências da desobediência de Adão e Eva. Daí o título “Motim -- anjos e homens em rebeldia total”.
E rebeldia é o que não falta nas histórias ilustradas, que continuam fiéis tanto aos textos bíblicos quanto ao estilo mangá.
Uma das marcas de “Motim” é a quantidade de personagens. Enquanto os dois primeiros trazem apenas um personagem principal, o terceiro apresenta uma narrativa que gira em torno de Abraão, Jacó, José e Moisés. São tantos protagonistas, que ao final do livro há uma espécie de árvore genealógica e um mapa indicando o caminho que cada um percorreu. Apesar do fluxo da trama, fica nítida a ligação dos fatos e a importância deles para a formação do povo de Israel.
Os autores não omitiram nem mesmo os detalhes vergonhosos, como o assassinato de Caim, as mentiras de Abraão, o incesto das filhas de Ló e a crueldade dos irmãos de José.
Como em “Jesus Messias e Metamorfose”, há muitos efeitos visuais e a costumeira utilização de cores e expressões fortes para retratar, por exemplo, a mulher de Ló se transformando numa estátua e a fúria de Esaú ao ser enganado pelo irmão.
Ler os complexos enredos do Antigo Testamento em forma de mangá é quase como ver um filme de aventura. Resumir cerca de 800 anos de história em 304 páginas não deve ter sido uma tarefa fácil. Porém a combinação caiu como uma luva. Afinal, o que esperamos encontrar em um mangá -- aventura, efeitos especiais, cenas chocantes e seres sobrenaturais -- é justamente o que não falta nos manuscritos antigos.
por Paula Mendes
“Superando a Tristeza e a Depressão com a Fé”Richard Baxter
96 páginas
Arte Editorial, 2008
“A alma e o corpo são parceiros nas doenças e na cura. Se não sabemos como isso acontece, a experiência nos mostra que é assim.”
Richard Baxter (1615–1691) exerceu na Inglaterra um ministério pastoral profícuo, que atingiu desde pessoas do povo até a corte de Charles II. Muito antes do surgimento da psicologia como ciência, ele praticou a cura de almas em sua acepção ampla. Visitava os paroquianos, acompanhava indivíduos e famílias, sempre comentando as Escrituras, recomendando cuidados práticos e orando pelos doentes.
Este conhecimento lhe possibilitou escrever uma penetrante análise do sofrimento psíquico e do transtorno espiritual dos paroquianos. Seu texto demonstra profundo interesse em despertar as pessoas para a realidade da presença curadora de Deus, a qual não apenas as livra do inferno futuro, mas das dificuldades pessoais. Além disso, o livro ajuda o leitor a pensar a partir das Escrituras, espantando a ignorância e promovendo a libertação da alma e o crescimento emocional pelo desfrutar da graça de Deus. Finalmente, anuncia a esperança como âncora da alma e vê o amor como equilíbrio da vida e indicativo de sanidade e santidade.
Quando criança, Baxter foi incentivado pelo pai a ler as partes históricas da Bíblia e, assim, ele aprendeu a amá-la. Esta foi a base para a sua opinião sobre a Escritura como verdade e para o entusiasmo com que a ensinava a seu rebanho, e que lhe serviu também como referencial para a sua arte da cura.
“Superando a Tristeza e a Depressão com a Fé” é enriquecido por uma introdução para os nossos dias, feita pelo psiquiatra Uriel Heckert, e por uma biografia, de autoria do pastor Cláudio Marra.
por Klênia Fassoni
“Missão, Missões, Antimissão”O projeto de Deus e os empreendimentos humanos
Analzira Nascimento e Jarbas Ferreira da Silva
212 páginas
Editora Reflexão, 2011
“A redenção de homens e mulheres e de toda a criação, cativa do pecado e do mal, é decreto divino em Cristo, e o desenrolar da história caminhará para o soberano desígnio de Deus para a sua criação.”
Há missão a se fazer! E esta é de Deus, que a tem desde a criação. Nós entramos na festa como agentes da missão. Os autores mostram que tão importante quanto “saber sobre” a missão a ser feita é “saber como fazê-la”. É necessário conquistar o direito de fazer missão. Não se pode mais chegar a uma cultura e impor uma nova forma de relacionar-se com o transcendente. A conquista do direito de propor um novo relacionamento surge do serviço prestado, em uma atitude genuína e incondicional de amor, de modo a despertar no outro a pergunta sobre como tais servidores se tornaram esse tipo de ser humano, e se isso é acessível a todos.
Este não é um livro para se concordar de pronto. É uma provocação. O leitor deve brigar com os autores, com a desconstrução do “modus operandi” tradicional. O que eles propõem, se levado a termo, provocará uma profunda revisão da história das missões. Confesso que perdi a batalha, dei-me por vencido. Concordei em boa parte com eles, preservei alguma coisa, mas reconheci o muito que precisava ser revisto.
por Ariovaldo Ramos
“Vida e Música”Thatiane Pellissier (org.)
216 páginas
Descoberta Editora, 2011
“As letras das canções têm enorme peso na vida espiritual da igreja contemporânea. Letras com conteúdo equivocado produzem cristãos equivocados.” (Stênio Marcius e Selma de Oliveira)
O livro reúne contribuições de treze autores, entre eles Asaph Borba, Carlinhos Veiga, Sérgio Pereira, Luciano Manga, Selma de Oliveira e Stênio Marcius. Alguns textos são mais reflexivos, como “Louvor, adoração e missões” e “O coração do músico”; outros, mais práticos, como “Atitude profissional do ministério musical”, “Letra e conteúdo das canções” e “Alcançando o coração da criança através da música”. De todas as artes, a música é provavelmente a que nos afeta com mais intensidade e abrangência. Recentes descobertas revelam que a região do cérebro associada à música também está ligada às memórias mais vívidas de uma pessoa. Esta região parece servir de centro que liga música conhecida, memórias e emoções.
A música se presta à gratidão e à adoração a Deus, bem como ao lamento, à transmissão de conteúdos de fé e valores, à celebração e ao encorajamento nas comunidades cristãs, à intercessão, à lembrança eucarística. Além disso, é uma linguagem universal. A importância do tema, a qualidade dos textos, o testemunho de vida dos autores, a necessidade de discernimento diante da confusão que permeia a “musica gospel” atestam a pertinência dessa iniciativa. Thatiane Pellissier, organizadora do livro, tem apenas 27 anos. É formada em administração, revisora de textos e atua em ministérios e equipes de louvor há mais de dez anos.
por Klênia Fassoni