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Colunas — Cidade em foco

Passaram-se a tarde e a manhã... e já somos 7 bilhões de pessoas

Jorge Henrique Barro
 
No dia 31 de outubro de 2011 foi anunciado que o mundo possui 7 bilhões de pessoas.
 
Depois de atingir 7 bilhões na próxima segunda-feira (31), o número de habitantes seguirá avançando. A ONU estima que o planeta terá 9,3 bilhões de pessoas em 2050 e mais de 10 bilhões no fim deste século. A maior parte desse aumento virá de países com alta taxa de fertilidade, sendo 39 africanos, nove asiáticos, quatro latinoamericanos e seis da Oceania.1
 
Uma parte do chamado “mandato cultural” vem sendo cumprido à risca pelo ser humano: “Sejam férteis e multipliquem-se” (Gn 1.28a).
 
Foi pelo fato de terem sido fiéis a essa “primeira parte” do mandato cultural que o povo de Deus sofreu no Egito, pois “os filhos de Israel foram fecundos, e “aumentaram muito, e se multiplicaram”, e grandemente se fortaleceram, de maneira que a terra se encheu deles” (Êx 1.7). Essa “multiplicação” e “aumento” tornou-se um problema: “Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós. Eia, usemos de astúcia para com ele, para que não se multiplique, e seja o caso que, vindo guerra, ele se ajunte com os nossos inimigos, peleje contra nós e saia da terra” (Êx 1.9-10).
 
O problema era um “conflito de classe” entre os “israelitas” (dominada rural) versus nós (dominante urbana). A questão é clara: “poder” e “dominação” são as raízes das muitas injustiças e opressões no mundo. 
 
A guerra prevista pelo rei como uma ameaça não é uma guerra para a destruição do nós [peleje contra nós], mas uma guerra da libertação, uma guerra para escapar do país. Isto é intolerável aos olhos do rei e seus associados, e eles decidiram tomar medidas necessárias.2
 
As “medidas necessárias” do novo rei para controlar o crescimento de Israel tiveram três faces monstruosas. Primeiro, a “exploração”. O rei colocou sobre eles “feitores de obras, para os afligirem com suas cargas” (Êx 1.11). Porém, quanto mais eram opressos, mais se multiplicavam e espalhavam. Segundo, a “selvageria”. Os egípcios, “com tirania, faziam servir os filhos de Israel e lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro, e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o serviço em que na tirania os serviam” (Êx 1.13-14). Terceiro, o “genocídio”. A ordem para as parteiras hebreias Sifrá e Puá foi: “Quando servirdes de parteira às hebreias examinai, se for filho, matai-o; mas se for filha, que viva” (Êx 1.16). As parteiras temeram a Deus, deixando os meninos viverem. Como resultado, “o povo aumentou e se tornou muito forte” (Êx 1.20). O conflito entre o faraó e os israelitas começou a tomar lugar como um conflito entre vida e morte.
 
A “segunda parte” do mandato cultural, “subjugar” e “dominar” a terra, anda de mal a pior: “Encham e ‘subjuguem’ a terra! ‘Dominem’ sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra... E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o sexto dia” (Gn 1.28, 31).
 
“Subjugar” e “dominar” significa “mordomia” e “cuidado”. O grito do profeta continua ecoando: “Fizeram dela uma ‘terra devastada’; e devastada ela pranteia diante de mim. A terra toda foi devastada, mas ‘não há quem se importe com isso’” (Jr 12.11). A igreja também não se importa com isso (apesar das exceções). A grande maioria dos líderes e membros ainda pensa que a questão da ecologia é de responsabilidade governamental e das ONGs. Antes do “mandato evangelístico” de ir por todo o mundo e pregar o evangelho, Deus nos deu o “mandato cultural” para cuidar do “seu mundo”. Um complementa o outro e não existe contradição ao cumprir os dois simultaneamente. 
 
[Calvino] foi muito além e desenvolveu a doutrina das vocações diárias da vida, segundo a qual toda esfera e atividade humana é santificada e trazida à obediência de Cristo, o qual é o soberano Senhor de toda área do viver e do transcorrer humano e social. Igualmente a doutrina da criação, tanto nas implicações da ideia da imagem de Deus no ser humano como na noção do “mandato cultural”, segundo o qual o ser humano deve governar sobre a baixa criação administrando a totalidade da vida humana para a glória de Deus, provém do espaço e orientação para reconhecer que a teologia e a vida cristã devem estar interessadas e envolvidas em toda sorte de atividade e problemas humanos.3
 
Há jeito para o mundo?
 
Depende de nós
Se esse mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobreviverá
 
Que os ventos cantem nos galhos
Que as folhas bebam o orvalho
Que o sol descortine mais as manhãs4
 
Uma coisa é certa: “A criação aguarda a ‘manifestação dos filhos de Deus’” (Rm 8.19). Que os filhos se apresentem!
 
Notas
1. MILANESI, Daniela. Extraído de http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,para-onu-marca-de-7-bilhoes-de-habitantes-traz-desafios-formidaveis,89726,0.htm. Acesso em 01 nov. 2011.
2. PIXLEY, Jorge V. “On Exodus”; a liberation perspective. Maryknoll, NY: Orbis Books, 1987.
3. LOPEZ, Salatiel Palomini. Herencia reformada e busqueda de raíces. In: SERVANTE-ORTIZ, Leopoldo, ed. “Juan Calvino”; su vida y obra a 500 anõs de su nascimiento. Barcelona: Editorial Clie, 2009. p. 30.
4. Música “Depende de nós”, de Ivan Lins.
 
Jorge Henrique Barro é professor da Faculdade Teológica Sul Americana e presidente da Fraternidade Teológica Latino Americana (continental)

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