Já bebi muito. Já andei cambaleando demais. Já fui levado para casa por mãos amigas e inúmeras vezes por mãos desconhecidas. Já passei vergonha. Já tratei mal a minha esposa e meus filhos. Tenho envergonhado a minha família. Já fui despedido do emprego várias vezes. O mais grave é que prometi aos meus íntimos e a mim mesmo, uma quantidade enorme de vezes, não mais beber. Foram tantas as reincidências que ninguém mais acredita em mim. Sei que posso morrer por causa do álcool. Estou consciente de tudo, mas não me conserto, não consigo deixar de beber. Sou escravo da bebida.
Apesar de tudo, a partir de hoje, não vou beber mais, não vou me embriagar, não vou segurar na mão a latinha de cerveja ou a garrafa de vinho, não me deixarei enganar pelas sensações que uma taça de vinho provoca em mim.
Não pretendo me consertar, mas “ser consertado”. Meus fracassos anteriores foram devidos à simplificação de algo complicado. Não confio mais na minha boa vontade, nem nas minhas decisões, nas minhas promessas, nos meus esforços. Desisti de mim. Resolvi colocar Deus nessa questão. Eu não posso me livrar, mas ele pode. Eu não tenho poder, mas ele tem. Eu não sei segurar as cordas, mas ele sabe. Aprendi a trocar a autoajuda pela ajuda dele. Antes, eu falava: “Tudo posso”; hoje, eu falo: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13). É com o auxílio de Deus que eu não quero beber nunca mais!
O que me arrastou a esse ponto foi a pergunta que me fizeram e a resposta que me deram:
“Quem tem o coração carregado de dor? De quem são as tristezas? Quem vive brigando e se queixando? De quem são os ferimentos desnecessários? Quem está sempre de olhos fechados? É o homem que passa horas e horas bebendo vinho” (Pv 23.29-30).
Fui misteriosamente tocado pela Palavra e pelo Espírito. E é por isso que eu não quero mais beber. Com a ajuda dele, está decidido!
Ao lado de todas as providências de ordem religiosa, procurarei também tratamento médico e me filiarei aos alcoólicos anônimos.