Elben M. Lenz César
Sou um presbiteriano convicto e realizado. Recebi influência de meu avô, convertido aos 18 anos, nos primórdios do presbiterianismo nordestino, em 1878, com o trabalho missionário de John Rockwell Smith, embora ele tenha morrido no ano em que eu nasci (1930). Recebi influência também de meu pai, de meus tios e tias. Eles eram pastores presbiterianos e elas eram esposas de pastores presbiterianos.
Considero saudável a fidelidade denominacional. Ordenado há 56 anos, nunca passei por outras denominações. Não senti nem a necessidade nem a tentação de fazer isso.
Porém, não sou nem quero ser denominacionalista. Oro para que Deus me guarde desse pecado. Confesso, com vergonha, que tenho sido tomado, no fundo, por certa inveja ou ciúme de outras igrejas e denominações. Esses sentimentos desalojam a alegria que eu deveria sentir pela expansão do reino de Deus verificada em uma denominação tão evangélica quanto à que pertenço. Sei que aí está o germe indomável da vexatória competição religiosa no Brasil e no mundo. O Espírito Santo e a minha consciência me mostram claramente que a única motivação para a plantação de igrejas e para a obra missionária deve ser Jesus Cristo. Deve vigiar e suplicar a Deus diariamente, para que me livre da inveja e do ciúme.
Não me privo, também, de enxergar algumas coisas positivas que estão acontecendo em certos setores do catolicismo. Encontro-as nas revistas e nos jornais católicos que recebo. Como protestante, não tenho escrúpulo de repassar essas coisas, especialmente quando elas enfatizam a leitura proveitosa da Palavra de Deus e a unicidade e centralidade de Jesus Cristo. Cito, por exemplo, o oferecimento de 1 milhão de Bíblias nos próximos anos, principalmente nos lugares mais carentes do país, por iniciativa da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Assim como no meio protestante, há muitos membros do clero católico e pessoas leigas derramando lágrimas e orações diante de Deus em favor de uma renovação da igreja. O mesmo aconteceu na Europa antes da explosão da Reforma Protestante do Século 16. Muitos católicos sabem e dizem que o sucesso dos padres cantores não vai modificar a situação. A maior preocupação dessa liderança que chora, ora e confessa não é competir com o avanço protestante (que nem sempre significa a expansão do reino de Deus) nem manter a primazia numérica no país mais católico do mundo. Suponho que o clamor mais alto e mais sofrido vem de religiosas e religiosos que, nos conventos e mosteiros, têm mais contato com a leitura orante da Bíblia e com a oração.
Diz-se que os remanescentes da teologia da libertação, das Comunidades Eclesiais de Base e dos movimentos libertários parecem hoje mais alinhados com o projeto redentor apresentado nas Escrituras e sonham com uma igreja mais popular. Oremos para que os ventos que sopram por lá nos refrigerem também. Todos os cristãos precisam de coerência e de aprofundamento na cristologia, na redescoberta da pessoa e da obra salvífica de Jesus Cristo, para recolocá-lo no lugar central.