Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — Missão integral

A opção galileia de Jesus

René Padilla

A igreja é chamada a prolongar na história a missão de Jesus até o fim dos séculos. No entanto, esta afirmação não nega que esta missão teve e tem dimensões distintas, irreproduzíveis por parte dos seguidores de Jesus. Ao contrário, é um reconhecimento das implicações da comissão que Jesus deixou para seus discípulos segundo a versão registrada no Evangelho de João: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (20.21b). A missão de Jesus não é apenas a base, mas também o modelo da missão da igreja.

Na síntese da missão de Jesus que aparece em Mateus 4.23 e 9.35 se destacam dois dados relativos a ela. O primeiro se refere a sua localização geográfica: toda a Galileia. O segundo menciona seus vários aspectos: o ensino, a proclamação das boas novas do reino e a cura de toda enfermidade e mal estar. Para começar, vamos refletir sobre o primeiro dado.
Basta um estudo superficial dos Evangelhos para concluir que Jesus Cristo concentrou sua missão na província da Galileia, a região periférica da nação judaica de seu tempo. Isto observamos devido ao lugar de destaque que a Galileia ocupa nos Evangelhos Sinóticos.

A pergunta de Natanael segundo João 1.46 reflete o conceito que os judeus, sobretudo os fariseus, tinham da Galileia: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?”. A mesma atitude depreciativa está por trás do comentário que os fariseus dirigem a Nicodemus quando ele pede que não julguem Jesus sem antes escutá-lo: “Dar-se-á o caso de que também tu és da Galileia? Examina e verás que da Galileia não se levanta profeta” (Jo 7.52). Esta atitude tinha muito a ver com o preconceito dos judeus do sul da Palestina contra a província onde a mistura de judeus e gentios havia dado origem ao nome Galileia: literalmente, “o círculo”, com a conotação de “o círculo dos pagãos”.

No entanto, não foi por acaso que Jesus saiu dessa região desprezada e foi para o deserto da Judeia para ser batizado (ver Mc 1.9) e que, logo depois da prisão de João por disposicão do rei Herodes, regressou para lá “pregando o evangelho de Deus” (Mc 1.14). Também não foi por acaso que Jesus iniciou exatamente na Galileia a sua comunidade messiânica de discípulos, com os quais regressaria a Jerusalém (o centro do poder cultural, socioeconômico, político e religioso de Israel) para ser reconhecido publicamente como o Messias, descendente de Davi, e logo depois ser crucificado. O eterno Filho de Deus se identificou com as “não pessoas” da Galileia e, começando por elas, estableceu as bases para uma nova humanidade. A opção galileia de Jesus tem um profundo significado teológico que guarda uma estreita relação com o que o apóstolo Paulo afirma explicitamente em 1 Coríntios: “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1.26-29).

A opção galileia de Jesus não foi um tema circunstancial. Foi um reflexo da visão que ele tinha do Messias, em concordância com o Antigo Testamento, segundo a qual “o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno; que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes” (Dt 10.17-18); ele é o Senhor “que faz justiça aos oprimidos e dá pão aos que têm fome. O Senhor liberta os encarcerados. O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama os justos. O Senhor guarda o peregrino, ampara o órfão e a viúva, porém transtorna o caminho dos ímpios” (Sl 146.7-9). Ele é o Deus que envia seu ungido para estabelecer um reinado de paz e justiça, reconciliação e equidade.
 
Traduzido por Wagner Guimarães
 
C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de O Que é Missão Integral?.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.