
Em ocasiões diferentes, separadas por um longo espaço de tempo, mas em circunstâncias parecidas, as seguintes crianças foram barbaramente assassinadas, para vergonha do gênero humano:
No início do ano 4 a.C. (ou no final do ano 5 a.C., talvez no dia 29 de dezembro) -- Palu, Jemuel, Jaquim, Hamul, Tola, Esbom, Berias, Belá, Jezer, Zera, Asbel, Malquiel e Serede (treze crianças de três meses a dois anos, todas do sexo masculino).1
No dia 7 de abril de 2011 -- Larissa, Samira, Laryssa, Bianca, Luiza, Mariana, Karine, Milene, Géssica, Ana Carolina, Rafael, Igor e Luan Vitor (treze crianças de 13 a 15 anos, dez do sexo feminino e três do masculino).
A primeira matança aconteceu em Belém da Judeia (Israel). A segunda, na Escola Municipal Tasso de Oliveira, no Rio de Janeiro.
As crianças do primeiro massacre foram mortas (provavelmente à espada) por ordem do rei Herodes, o Grande, que morreu poucos dias depois, aos 41 anos.
As crianças do segundo massacre foram mortas (a tiros de revólver) por Wellington Menezes de Oliveira, que morreu minutos depois, aos 23 anos.
Por pouco, o recém-nascido Jesus não perde a vida na primeira tragédia. Para escapar, ele foi levado por Maria e José para o Egito, voltando apenas depois da morte de Herodes (4 de abril do ano 4 a.C.). Antes de ordenar a matança dos bebês de Belém, Herodes havia assassinado uma de suas dez esposas (Mariana), dois de seus doze filhos (Alexandre e Antípater) e um cunhado (Aristóbulo).
Ao narrar a fuga de José, Maria e Jesus, e a matança das crianças, Mateus transcreve para seu Evangelho a passagem profética de Jeremias: “Ouviu-se um som de Ramá, o som de um choro amargo. Era Raquel chorando pelos seus filhos; ela não quis ser consolada, pois todos estavam mortos” (Mt 2.18; Jr 31.15, NTLH). Era uma referência ao choro copioso e doloroso das mães dos meninos assassinados em Belém. O mesmo choro das mães das treze crianças assassinadas no Rio de Janeiro.
Diante dessas duas tragédias e de um número infindável de outras, o cristão precisa repetir conscientemente a primeira súplica do Pai-Nosso: “Venha o teu reino” (Mt 6.10)!
Nota:
1. O número de crianças mortas no primeiro massacre citado não era tão alto quanto se diz. Por ser Belém uma cidade muito pequena, o comentarista William Hendriksen estima que o número das vítimas de Herodes estava entre quinze e vinte (listamos apenas treze para fazer paralelo com os mortos da segunda chacina). Os nomes dos meninos mortos em Belém são fictícios. Porém, são nomes judaicos. Foram retirados aleatoriamente da lista dos netos de Jacó, quando a família emigrou para o Egito (Gn 46).