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Colunas — Arte e cultura

Um novo pano de fundo

Mark Carpenter

Estive recentemente em Chicago, num domingo livre entre compromissos. Decidi conhecer a famosa igreja Willowcreek, de Bill Hybels. Digitei o endereço no GPS, que me avisou que a viagem demoraria 34 minutos. No entanto, quando o aparelho declarou que “você chegou a seu destino”, eu estava no meio de uma floresta. Tentei de novo, mas o GPS me deixou na mão. Como já era tarde, desisti de ir à igreja e decidi procurar o segundo lugar mais apropriado para um domingo frio, mas ensolarado: o Art Institute of Chicago.

Quase todas as obras importantes da magnífica coleção de arte impressionista deste museu estavam fora, emprestadas para outros museus. Revisitei algumas das pinturas mais famosas -- “American Gothic” (Grant Wood), “Night Hawks” (Edward Hopper) e “Domingo à tarde na ilha de La Grande Jatte” (Georges Seurat).

Visitei também uma nova exposição, “Divina Arte”, uma coleção de tapeçarias européias recentemente restauradas. Nunca havia parado para apreciar tapeçarias renascentistas, pois sempre considerei que as rígidas limitações da sua forma e montagem restringem a livre expressão artística. No entanto, nesta exposição não pude deixar de observar as cenas cheias de vida e expressão natural, fruto tanto do desprendimento dos artistas quanto da atenção minuciosa e determinada dos restauradores com suas agulhas, alvejantes, tintas e lupas, debruçados sobre o tecido com a mesma concentração de uma mãe que remove piolhos da cabeça do bebê.

Saí do museu e caminhei pela vizinhança, próxima do imenso Grant Park, onde Barack Obama faria dali a alguns dias seu discurso de vitória. Lembrei-me do tempo em que morava em Chicago, há mais de 25 anos. Naquela época ainda existia um abismo intransponível entre a comunidade negra e o resto da sociedade. O movimento de direitos civis havia servido não para libertar os afrodescendentes americanos, mas para neutralizá-los e deixá-los menos hostis ao “establishment”. As raças se misturavam nos espaços públicos, mas se segregavam na hora de voltarem aos seus lares ou irem à igreja. Lembrava-me sempre que, no Brasil, negros e brancos entram não apenas nas casas uns dos outros, mas também no DNA uns dos outros. O DNA da raça brasileira é tão multirracial que nem os restauradores do Art Institute conseguiriam isolar todas as suas linhas e pontos.

Dois domingos depois, alguns dias após as eleições, eu estava com meu filho e sua esposa em Los Angeles, na sua igreja multiétnica num bairro de gangsters e “rappers”. Enquanto uma jovem negra recitava um poema sobre Jesus e a mulher adúltera, corri os olhos pela congregação e percebi pela primeira vez que, com Obama na Casa Branca, um novo horizonte se abre para cada uma daquelas pessoas. A dura realidade que cinicamente julgavam conhecer transformou-se. As cores desbotadas das velhas e bolorentas regras deram lugar a um novo pano de fundo reluzente e promissor. A despeito da crise econômica que assola o país, milhões de marginalizados podem encarar o futuro com mais perspectiva e menos justificativas.

Obama não é nenhum messias, mas neste aspecto ele lembra Cristo. Ambos permitem que consigamos sonhar com um destino mais nobre do que aquele que seria consequência natural das nossas vidas medíocres.


Mark Carpenter é diretor-presidente da Editora Mundo Cristão e mestre em letras modernas pela USP.

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