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Notícias — Nomes

Dom Clemente Isnard -- uma voz do alto clero a favor de mudanças

A boca fechada muitas vezes é um problema. Se Monteiro Lobato não tivesse reclamado o petróleo, não teríamos a Petrobras. Se William Wilberforce não tivesse condenado o tráfego negreiro, a escravatura não teria sido encerrada no Império Britânico nem nas Américas. Se John Howard não tivesse se pronunciado contra o estado das prisões na velha Inglaterra, não teria havido reforma alguma no sistema penitenciário daquele país. Se o sacerdote de Midiã não tivesse se intrometido na vida do genro, Moisés teria morrido antes do tempo e nós não teríamos o modelo de administração compartilhada sugerida por Jetro (Êx 18.13-27). Se Paulo não tivesse enfrentado o apóstolo Pedro, mais velho na fé do que ele, os não-judeus não seriam alcançados pela maravilhosa graça (Gl 2.11-21).

O Senhor posicionou-se contra os discípulos quando eles começaram a afastar de Jesus as crianças que os pais traziam para que ele orasse e impusesse sobre elas as mãos. Marcos registra esse incidente da seguinte maneira: “Quando viu isso, Jesus não gostou e disse: Deixem que as crianças venham e não proíbam que elas façam isso” (Mc 10.14, NTLH). Aí estão o segredo e o desafio de uma boa obra: enquanto muitos de nós não falamos nem fazemos nada quando não gostamos de algo errado que está acontecendo, Jesus não ficava em silêncio.

Nesse sentido, mais uma voz contra o celibato obrigatório para presbíteros da Igreja Católica ocidental acaba de se juntar a muitas outras vozes, de dentro e de fora da Igreja. Trata-se de Dom Clemente Isnard, bispo brasileiro de 91 anos de idade, 73 de monastério, 67 de ordenação sacerdotal e 49 de bispado. Dom Isnard tem um currículo notável: vice-presidente da CNBB por quatro anos, vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), participante do Concílio Ecumênico Vaticano II, presidente da Comissão de Liturgia da CNBB por quase vinte anos, membro, por nomeação de Paulo VI, do Conselho para Execução da Constituição de Liturgia e, depois, da Congregação para o Culto Divino.

Dom Isnard defende não apenas o casamento (ou o celibato) voluntário dos sacerdotes e a ordenação de homens casados, mas também a importância da ordenação feminina e da participação popular nas nomeações episcopais.

Estas e outras questões são levantadas, na opinião do padre José Comblin, “com moderação, equilíbrio e tranquilidade” por Dom Clemente Isnard em seu livro “Reflexões de um Bispo sobre as Instituições Eclesiásticas Atuais”, publicado em maio de 2008 por uma editora paulistana sem vínculo religioso (Olho d’Água).

O sistema de governo da Igreja Católica Romana exige um tipo de obediência que dificulta ou impossibilita qualquer crítica ou questionamento ao que já está assentado por ela. Muitos querem falar, mas não podem. Se não fosse por esse obstáculo, Dom Clemente Isnard não seria uma voz isolada, mas uma entre várias vozes de um imenso coro. As denominações protestantes precisam tomar cuidado para que não aconteça o mesmo problema em seu seio.

As últimas palavras do bispo emérito de Nova Friburgo em seu livro são ao mesmo tempo cuidadosas e desafiadoras: “Há muitas outras coisas que foram acrescentadas à disciplina da Igreja no decurso de dois milênios de sua vida e que não foram corrigidas pelo Vaticano II. Mas penso que todos os católicos têm o dever de fazer algo pela sua correção”.

(Em uma carta sobre as peripécias concernentes à publicação do seu livro, Dom Isnard conta que ele seria publicado por uma conhecida editora católica, o que não aconteceu por orientação de um superior eclesiástico).

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