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Avivamento em searas católicas

Em artigo publicado na revista “Mosaico”, o pastor Douglas Nassif Cardoso menciona uma série de avivamentos no mundo protestante anglo-saxão, a começar com o puritanismo inglês (séculos 16 e 17), o pietismo alemão (século 17) e o despertamento morávio (século 18). Não há nem sequer menção de algum avivamento ocorrido no seio do catolicismo. Para satisfazer a curiosidade provocada pelo assunto, Ultimato consultou Luiz Fernando dos Santos, que conhece bem a Igreja Católica. Ele foi monge cisterciense e padre católico. Hoje, aos 39 anos, casado, uma filha, ele é pastor presbiteriano e presidente do Presbitério de São João da Boa Vista, no Estado de São Paulo.

A palavra “avivamento” faz parte do vocabulário protestante. Parece que o mesmo não acontece no vocabulário católico.
De fato, não é comum ao vocabulário católico. Talvez a palavra que mais se aproxime desta noção é “aggiornamento”, termo muito usado no ambiente do Concílio Ecumênico Vaticano II. Os historiadores e teólogos católicos costumam referir-se ao evento como um novo pentecostes na Igreja. Entretanto, o ConcílioVaticano II não promoveu grandes transformações estruturais na igreja. Apenas dois documentos possuem valor doutrinal dogmático: a Constituição “Lumen Gentium” (“De Ecclesia”), sobre a missão e a natureza da Igreja, e o Documento sobre a Palavra de Deus (DV 10). Este documento, que exalta a Bíblia, coloca também a tradição e o magistério em pé de igualdade quanto à autoridade sobre a Revelação de Deus. O “aggiornamento” tencionou ser uma contextualização da Igreja ao mundo contemporâneo. Dos frutos do Vaticano II, temos a valorização e a redescoberta do protagonismo dos leigos na missão da Igreja e os movimentos de espiritualidade, como a Renovação Carismática Católica (uma expressão eclesial que cultiva e exerce os dons extraordinários de línguas, profecias etc.). Outra distinção importante é que os avivamentos nos arraiais evangélicos, ao longo da história, contaram com o envolvimento de todo o povo de Deus, mas nem sempre os líderes eclesiásticos estavam envolvidos num primeiro momento. Já na Igreja Católica, a iniciativa é sempre da liderança, da hierarquia, do Papa. (Conferir o documento Conciliar “Apostolicam Actuositatem”, do Vaticano II, e a declaração pós-conciliar “Christi Fidelis Laici”, de João Paulo II.)

A Igreja Católica precisa de um avivamento?
Pode parecer pedantismo, mas penso que sim. Todavia, o avivamento de que ela precisa é aquele que ocorreu nos dias da Reforma Protestante. Rever a questão do ministério e o primado de Roma, o celibato obrigatório e outras leis canônicas pode até ser um bom começo, mas são questões periféricas e superficiais. Seria como mudar para continuar a mesma, como aconteceu com os anglicanos, vétero-católicos, ortodoxos. O avivamento que produzirá transformações profundas na Igreja depende, como aconteceu no século 16, da redescoberta da primazia da Palavra, da necessidade da graça e da fé salvadora, entre outras coisas.

O clero ou os fiéis leigos -- qual dos dois segmentos estaria mais aberto a um avivamento?
Tanto o clero como os fiéis necessitam de um avivamento. Porém, nos dois segmentos existem movimentos contrários. Há membros do clero desejosos por mudança, como Dom Clemente Isnard, de acordo com a entrevista dada por ele à revista “Eclésia”, e outros, como o papa Bento 16, que promovem um retorno aos aspectos mais conservadores e radicais do catolicismo, inclusive medieval. Creio que os leigos estão mais abertos a uma experiência de avivamento, ainda mais no contexto brasileiro. Isso é bem mais difícil para um membro do clero, “sem família”, submisso em sua missão e preocupado exatamente em defender o seu rebanho dos perigos das comunidades cristãs não-católicas.

Em sua opinião, quais seriam os maiores impedimentos à eclosão de um avivamento genuíno no meio católico?
A própria estrutura religiosa e eclesial. Na estrutura de poder centralizador do papa e no governo do tipo monárquico na pessoa do bispo na diocese e do pároco na igreja local, quase não há a participação dos leigos na tomada de decisões relevantes para a vida da Igreja. A excessiva dependência do clero (por parte dos leigos) como “mediador” da graça pelos sacramentos etc. é um entrave. A Igreja Católica foi longe demais, sustentando “verdades dogmáticas” que nem mesmo alguns de seus ilustres filhos, chamados inclusive de santos padres, sustentavam. Por exemplo, nem Agostinho nem Bernardo de Claraval aceitavam a questão da Imaculada Conceição. Outro exemplo, o ensino da transubstanciação não encontra respaldo na tradição da Igreja. Qual dos Pais da Igreja usou esse termo em seus ensinamentos? A própria tradição oriental, que bebe nas mesmas fontes, ignora essa doutrina. Também o apego excessivo à tradição e aos costumes religiosos que exercem grande influência sobre os católicos. No entanto, como afirmou Agostinho, “antiguidade por si só não é critério para verdade, pois antiguidade sem verdade não passa de uma velha mentira”. Enfim, a complexidade estrutural da Igreja Católica não permite fazer aqui uma análise mais detalhada. O tema merece e exige um espaço maior. Espero não ter passado uma sensação de arrogância e de ter pecado contra a caridade. Desejo que minhas respostas provoquem sinceras orações por uma intervenção divina e por avivamento nas searas católicas e também em nossos arraiais.

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