Bráulia Ribeiro

Esta campanha de uma clínica veterinária me lembrou o momento que vivemos no Brasil de hoje. No ano passado a Europa teve crescimento populacional zero, e muitos países ficaram no negativo. Morreram mais pessoas do que nasceram. Esse fato deveria ter sido comemorado por aqueles que acreditam que o crescimento populacional é um grande problema. Mas não o foi. Os dados foram vistos com preocupação, e o governo da Rússia tomou providências imediatas. Resolveu premiar as famílias com um bônus em dinheiro e até dar feriados para que casais pudessem passar tempo juntos “fazendo filhos”.
Durante muito tempo fomos bombardeados com a idéia de que menos gente no mundo é igual a mais qualidade de vida. Começou com Thomas Malthus (
An Essay on the Principle of Population, 1798) e sua teoria sobre economia (que acabou sendo a base lógica do darwinismo social), até chegar ao entendimento que hoje é o padrão: uma família com menos filhos pode colocá-los para estudar em escolas particulares, dar-lhes melhor alimentação e mais cuidados. Minha geração absorveu esse valor sem questioná-lo, e a maioria de meus amigos tem um filho, no máximo dois. Contradizer esse axioma é praticamente pecado.
Mas a idéia “menos é mais” tem implicações mais sérias do que nos permitir enviar os garotos com o tênis da moda para a escola. Na verdade, estamos dizendo que filhos são menos importantes que coisas, vida é menos importante que matéria e conforto pessoal é mais importante que paternidade. Outra implicação cultural importante: criança (isto é, a vida) é bom
se: se bem assistida, se bem educada, se “de família”, se...
Alguns grupos sociais rompem esse condicionamento e continuam se reproduzindo como coelhos: nordestinos do sertão, amazônidas dos rios distantes, favelados, algumas periferias na Europa (imigrantes e muçulmanos, por exemplo), em suma, pobres. Quanto mais gente, mais pobres, e está montada a falácia que nos conduz a uma política populacional eugênica. São pobres porque são muitos, ou são muitos porque são pobres? A resposta fácil é sempre a mesma: é preciso nascer menos gente. Menos pobres, menos negros, menos índios. Gente só é bom
se. Planejamento familiar vira sinônimo de responsabilidade. Meninas de 17 anos ganham ligação de trompas gratuitamente nas favelas, porque o governo se preocupa com a qualidade de vida da população...
A Bíblia, ao contrário de Hitler e outros eugenistas, nos iguala a todos. Ricos, pobres, feios, negros, gregos, troianos, aleijados, débeis, esguios, chatos, redondos, burros, brilhantes, classe-médias, favelados — todos temos igual valor. O filho do retirante tem tanto valor quanto o do morador dos Jardins. O Criador nos conhece a todos desde que éramos substância ainda informe; ele chama as gerações à existência, dá fôlego aos moradores da terra (Sl 139.16; Is 41.4; 42.5).
Se a vida tem valor, Deus — e não Malthus — está certo. Mais vida vai produzir mais riqueza, mais comida, mais ciência, mais conforto. A solução da pobreza não é controle populacional, mas geração de riqueza. Não é matando pobres e impedindo-os de nascer que teremos um país melhor, mas ajudando-os a enriquecer, gerando empregos, educando crianças. Que Deus nos permita ver gente como ele vê.
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Bráulia Ribeiro é missionária em Porto Velho, RO, e presidente da JOCUM — Jovens com Uma Missão.
braulia_ribeiro@yahoo.com (Os pontos de vista da autora são pessoais, e não da JOCUM.)