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Católicos com fome e sede de mudanças

O clamor é cada vez maior. Dos oprimidos, dos pensantes, dos orantes, dos teólogos, dos estudiosos da história, dos monges, das religiosas, do clero, do episcopado e dos muitos movimentos internos que desejam ardentemente uma revitalização da Igreja. Já vem de longe. Acontece principalmente no Brasil, o país mais católico do mundo, e na América, o continente mais católico do mundo. O clamor está mais no coração do que nos lábios, mais na mente do que no papel, mais na oração do que na ação. Mas precisa vir também para os lábios, para o papel, para a ação. 

Os católicos que têm fome e sede de mudança nem sempre levam adiante suas apreensões, suas inquietações e suas propostas, ora por não terem o menor espaço, ora por serem modestos demais, tímidos demais, medrosos demais. Pode também acontecer que a situação atual, mesmo inconveniente para a Igreja, seja cômoda e conveniente para alguns deles. Naturalmente nem todas as mudanças desejadas são inocentes e pertinentes, mas muitas são de fato questões de vida ou morte. Os problemas não se limitam de forma alguma a questões de celibato obrigatório nem aos escândalos sexuais do clero. São mais amplos, mais complexos e mais propositadamente esquecidos. 

O que o francês Ernest Renan, um dos primeiros especialistas em história da religião, escreveu em 1847, sob o pontificado de Pio IX, mostra a gravidade do problema: “Para mim já está claro como o dia que o cristianismo está morto, e bem morto, e que nada mais se poderia fazer para salvá-lo, a não ser recusando-se a transformá-lo” (História da Igreja, de Pierre Pierrard, 5 ed. p. 238). 

As vozes que expressam com mais freqüência e clareza essa fome e sede de mudanças saem da boca de pessoas que já não estão totalmente presas a certos compromissos com a estrutura eclesiástica. É o caso de Leonardo Boff: “Na minha avaliação, estamos urgentemente precisando da dimensão paulina do carisma inovador para fazer frente aos graves problemas internos e externos que a Igreja Católica enfrenta. Internos, a imigração crescente de católicos para outras igrejas de caráter popular e carismático, derivada possivelmente da própria estrutura centralizada da Igreja. Temos 125 milhões de católicos que demandariam pelo menos 100 mil padres — no entanto existem apenas 18 mil, muitos deles estrangeiros. Cria-se necessariamente um vácuo que é preenchido por outras igrejas. Externos, a profunda desigualdade que estigmatiza nossa desigualdade. Como a fé articulada com a justiça ajuda nas transformações necessárias? Oxalá o papa estimule esta linha de atuação” (Jornal do Brasil, 7/05/07, p. A12). 

Outra voz seria a do padre casado e jornalista José Vicente de Andrade, da Editora Veritas, de Belo Horizonte: “Em Medellín [na Colômbia, onde se realizou a II Conferência do Episcopado Latino-Americano] os bispos trataram das estruturas injustas: no Continente e na Igreja nada mudou! Em Puebla [no México, onde se realizou a III Conferência], eles apregoaram a opção pelos pobres: os poderosos foram melhor acolhidos pela Igreja e houve mais dissabores que soluções. Em Santo Domingo [na República Dominicana, onde se realizou a IV Conferência], os bispos estudaram a inculturação pela fé: no Continente o número de católicos começou a decrescer. Que em Aparecida os bispos sejam verdadeiramente proféticos: defendam a vida ameaçada e decidam por seguir os inegáveis sinais dos tempos” (e-mail de 17 de abril de 2007). 

Para usufruírem de certa liberdade em seu ministério, muitos padres brasileiros estão preferindo permanecer em suas paróquias, junto às comunidades, em vez de terem de assinar o juramento da fidelidade como bispo de uma diocese. Isso está criando um sério problema porque há 13 dioceses e uma arquidiocese sem bispos e arcebispos (em outros países, segundo dados do Vaticano, o número de postos vagos é bem menor). A situação brasileira irá se agravar ainda mais, pois o país tem nove bispos com 74 anos e treze com 75 ou pouco mais, portanto na idade-limite para exercer o episcopado, segundo as normas. Muitos dos presbíteros que poderiam ser sagrados bispos dizem não ao papa. São pessoas competentes e bem preparadas. Tais informações foram dadas à BBC Brasil, em Roma, por um integrante do alto escalão de uma das maiores congregações religiosas católicas em todo o mundo. 

Na Carta ao Povo Cristão da América Latina e Caribe, de 20 de maio de 2007, redigida pelos 250 participantes do Seminário Latino-Americano de Teologia, organizado pelo Conselho Nacional do Laicato do Brasil realizado em Pindamonhangaba, cidade vizinha a Aparecida, nos dias 18 a 20 de maio de 2007, lê-se o seguinte parágrafo:
“A Igreja, enquanto participante da história, também passa por situações de profunda crise: diminuição significativa do número de fiéis; dicotomia entre fé e vida; ausência de renovação da linguagem e dos símbolos religiosos; permanência de uma estrutura piramidal rígida, que leva ao não reconhecimento da missão e do sacerdócio comum de todo o povo de Deus; não valorização do laicato, de modo especial das mulheres, como sujeito eclesial, e sua participação no espaço de decisão” (Boletim da Assessoria de Imprensa da CNBB, 21/05/07). 

Existe uma queixa no ar. Há poucos dias, por exemplo, cerca de 250 intelectuais, pastoralistas, políticos e religiosos, reuniram-se em Belo Horizonte para comemorar os quarenta anos do Concílio Vaticano II e demonstraram a sua insatisfação com o afastamento cada vez maior das doutrinas emanadas do concílio convocado por João XXIII. Para os participantes desse encontro, ocorrido entre 14 e 16 de maio de 2007, o “comando” da Igreja Católica no mundo “vem se distanciando do povo e das próprias bases evangélicas”. 

Na missa celebrada no Santuário de Aparecida no último domingo de maio (festa de Pentecostes) por três cardeais (do Brasil, da Colômbia e do México), uma religiosa leu o texto de Atos 2.2 na Nova Tradução na Linguagem de Hoje: “De repente, veio lá do céu um barulho que parecia de um vento soprando muito forte e esse barulho encheu toda a casa onde estavam assentados”. Algo parecido com o primeiro pentecostes é o que boa parte da Igreja deseja para ela. Ali mesmo foram ouvidos clamores, como: “Queremos pessoas novas para estruturas novas”; “Queremos que o Espírito nos diga quais são os novos rumos que devemos seguir”; “Queremos navegar mar adentro” (informações repassadas por Harold Segura por e-mail). 

Bem-aventurados os que têm fome e sede de mudanças, pois serão satisfeitos. Tanto na Igreja Católica como nas igrejas da Reforma!

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