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Reflexão — Robinson Cavalcanti

Seminaristas: uma geração sem heróis

Robinson Cavalcanti

Em 2006 tive muito pelo contato com seminaristas e pude ouvir seus sonhos, inquietações, preocupações e frustrações. Tive a honra de falar, em Recife, nos Seminários Congregacional, Pentecostal, Batista Nacional e Franciscano; no Seminário Evangélico de Patos e no Seminário Ação Cristã — Betel Brasileiro, em Campina Grande, PB. O Seminário da Assembléia de Deus co-patrocinou a nossa atividade com o núcleo da Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL), em São Luís, MA. Encontrei grupos de seminaristas no Congresso Missionário da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB), em Viçosa, MG; no Congresso Nacional do Movimento Evangélico Progressista (MEP), em Guarulhos, SP, e nos eventos patrocinados pela entidade de Ministros Evangélicos de Aracaju, SE, pela Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília, DF, e no II Congresso Nordestino de Evangelização (CNE2), em Recife, PE. Isso sem falar nos seminaristas anglicanos da nossa Diocese (SAT-PE e SAT-PB), e em um sem-número de e-mails. Momento privilegiado de conhecer “a cabeça” da nova geração, que em breve irá conduzir os destinos da Igreja.

Já se disse que o seminário é o “útero da Igreja”, e, se se quer conhecer como será a Igreja amanhã, visite os Seminários hoje. O Liberalismo e o Fundamentalismo aprenderam essa lição, e, ocupando os Seminários, causam estragos. Como sempre, encontramos ali apenas os curiosos, meros diletantes intelectuais, “curtindo” o saber sem compromisso, pessoas desorientadas buscando respostas, e até notórios portadores de psicopatologias. Mas são exceções. Encontrei ainda homens e mulheres sinceros na busca da vontade de Deus para suas vidas, dispostos à doação, fazendo perguntas inteligentes e relevantes.

Nas últimas três décadas tivemos uma “explosão” de seminários teológicos em todo o Brasil, com a quantidade às vezes sacrificando a qualidade, mas com um salutar crescimento de vocações. Não podemos falar em uma crise de vocações no protestantismo. Algumas denominações chegam a ter dificuldade no preenchimento de postos, ou apelam para formações mais “abreviadas”. Há também denominações estagnadas ou em declínio, que começam a ter mais pastores do que igrejas. Capelanias e ministérios especializados passam a ser valorizados, além das atividades nas comunidades locais. 

O que mais me impressionou nas conversas com os estudantes de teologia foi ouvir deles o seguinte: “Bispo, a sua geração e a geração anterior à sua tiveram heróis da fé, nacional e internacionalmente, trazendo experiências, exemplos e modelos. Sua geração olhava para líderes que poderiam dizer: ‘Sede meus imitadores como eu sou de Cristo’. Esse não é o nosso caso. Lamentavelmente, somos uma geração sem heróis, ou de escassos heróis. Não queremos desmerecer os heróis anônimos, mas sabemos que os jovens precisam de modelos, especialmente em uma geração marcada pela mídia e pela internet. Se na vida política dos países antigos estadistas foram substituídos por políticos medíocres, se no próprio Brasil a ‘esperança’ foi uma decepção, se vivemos um monopólio do poder mundial que nos fecha a história e nos proíbe de nos inconformar, sonhar e criar, o quadro mais triste é na Igreja, com aventureiros e carreiristas, com escândalos e decepções, com gente que jogou a toalha ou mudou de time, renegando o bem do seu passado, enquanto outros, na busca de status e respeitabilidade, ou sob a influência do relativismo pós-moderno, não transmitem certezas e segurança, antes balançam mais do que dente de leite... Isso é muito triste. Procuramos ler bons autores, nos aproximar de um ou de outro líder, mas o quadro não é animador, e a nossa geração é afetada”.

Na verdade, me senti parte de uma geração privilegiada, inquieta, idealista, que julgava a história aberta e que tinha uma profusão de heróis e heroínas da fé como modelos. Posso partilhar das tristezas dessa geração de transição, procurando lhe transmitir palavras de ânimo e esperança no Senhor da História e Senhor da Igreja, que a faz subsistir apesar de nós. A maioria dos seminaristas atuais já percebeu os desvios representados pela batalha espiritual, pela teologia da prosperidade, pelo fundamentalismo e pelo liberalismo, moderno ou pós-moderno. Percebem que algumas das milhares de denominações que surgem são, na verdade, seitas para-cristãs e nada têm a ver com a catolicidade, nem com a Reforma, e não se sentem identificados com as personalidades narcísicas, exóticas e manipuladoras que hoje pululam a nossa mídia. Estão decepcionados com os líderes outrora sólidos e agora bambos. 

O que poderia dizer senão enfatizar a catolicidade e a Reforma, os Pais da Igreja, os credos e confissões, a autoridade da Palavra, a centralidade da cruz de Cristo, e a necessidade de conversão e de obediência: a sempre atual velha história! 


Dom Robinson Cavalcanti é Bispo Anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada.
www.dar.org.br

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