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Se Deus existe e a porta já não está fechada, aproximemo-nos dele!

Segundo pesquisa feita em 2005 pelo Instituto Gallup, 97,5% da população mundial acredita na existência de Deus. O grande problema não é o ateísmo, mas a indiferença religiosa e a ausência de Deus na vida pessoal. Estamos esbanjando a nossa fé, colhendo migalhas aqui e acolá, assentados sobre uma montanha de ouro. Precisamos acabar com tamanho desperdício. Se Deus existe, se Jesus nos abriu um novo e vivo caminho, se a porta está escancarada, aproximemo-nos dele!

Aproximemo-nos de Deus para adorar
 Adorar é a arte de enxergar Deus na criação, na história, na religião, na teologia cristã. Santo Agostinho, nos últimos anos do quarto século e nos primeiros do quinto século, escreveu: “Observe, com atenção, o céu e a terra, a força das sementes, a ordem dos tempos. Fique de olho nos fatos e busque aquele que os criou. Creia naquele que você não vê por causa daquilo que vê”. Esse homem, nascido no norte da África e convertido dramaticamente aos 33 anos, explica: “Admiremos o Deus invisível através de suas obras visíveis”. 

Aquele que finalmente descobre o Artista não consegue ficar sem adorar. Ele começa a admirar a Deus, glorificar a Deus, elogiar a Deus, amar a Deus, cantar louvores a Deus, dobrar a cerviz dura e os joelhos trôpegos diante de Deus, e até a negar a si mesmo para ajustar o seu modo de vida com a vontade de Deus.

Aproximemo-nos de Deus para agradecer 
Agradecer é a arte de exercitar a memória, de lembrar e relembrar, de visitar e revisitar a própria história para catar e enumerar as muitas intervenções recentes ou remotas de Deus em nossa vida. Daí a auto-exortação do salmista: “Que todo o meu ser louve ao Senhor e que eu não esqueça nenhuma de suas bênçãos” (Sl 103.2, NTLH). Esse exercício retroativo pode começar de trás para diante (dos favores mais distantes para os favores mais próximos) ou de diante para trás (dos favores mais próximos para os mais distantes). 

Para tornar possível e sincero o agradecimento, é preciso trazer à memória tanto a dor como a passagem da dor, tanto a doença como a cura, tanto o sentimento de culpa como o alívio do perdão, tanto a depressão como o sumiço da depressão. É preciso lembrar o desconforto anterior para valorizar o conforto posterior, e enxergar com emoção a diferença entre um e outro. Depois de curados, nove dos dez leprosos esqueceram-se depressa demais do desconforto e não voltaram para dizer “muito obrigado” ao Senhor (Lc 17.11-19).

Aproximemo-nos de Deus para confessar 
Confessar é a firme determinação de interromper o cansativo e inútil esforço de esconder de si mesmo o pecado, ou de não se incomodar com ele. É a arte de admitir diante de Deus, sem justificativa alguma, toda mazela, toda fraqueza, toda transgressão de sua lei e de sua vontade, por meio da menção do nome dos pecados cometidos (Lv 5.5). C. S. Lewis dizia que “todos nós temos pecados suficientes para sermos intragáveis”. É preciso pôr esse lixo para fora, pois o pecado armazenado provoca o peso da mão do Senhor sobre a cabeça do faltoso e adoece a alma e o corpo. 

É preciso lembrar o pecado cometido para confessar, e confessá-lo para não mais lembrar dele. Pois a verdadeira confissão remove a crise provocada pelo pecado e restaura a comunhão arranhada ou interrompida. Por meio dela, a higiene da alma é cuidadosamente mantida. Santo Agostinho ensina que “o início das boas obras é a confissão das obras más”.

Aproximemo-nos de Deus para chorar 
O choro é uma abençoada válvula de escape. É um meio de comunicação com Deus. A lágrima move o coração de Deus. Quando o rei Ezequias soube de sua doença terminal e virou o rosto para a parede para orar e chorar, o Senhor enviou de volta o profeta Isaías com estas palavras: “Escutei a sua oração e vi as suas lágrimas [e] vou deixar que você viva mais quinze anos” (Is 38.5, NTLH). 

Todos choram na Bíblia: Abraão, Jacó, José, Ana, Davi, Jeremias, Pedro, Marta e Maria. Até Jesus chorou (Jo 11.35; Lc 19.41). No Salmo 6 há uma descrição exagerada do pranto: “De tanto chorar inundo de noite a minha cama, de lágrimas encharco o meu leito” (Sl 6.6). Somente na nova ordem não haverá choro e, nesta ocasião, o próprio Deus enxugará dos olhos toda lágrima (Ap 21.4).

Aproximemo-nos de Deus para buscar ajuda 
Se em espírito e por meio da fé no sacrifício vicário de Cristo, temos “completa liberdade” para nos aproximar de Deus, para chegar perto dele, para entrar onde ele está, não percamos a oportunidade de levar ao Senhor todas as nossas necessidades reais, uma por uma, nome por nome. O encorajamento vem do próprio Jesus: “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta” (Mt 7.7). Há uma grande diferença entre a auto-ajuda e a ajuda que vem do alto. Aquela depende mais de um exercício mental e esta depende mais de um exercício espiritual. A primeira é centralizada no ser humano e a segunda, em Deus. 

É preciso tomar todo o cuidado com a oração egoísta e consumista. Precisamos não só de saúde, casa, emprego, melhoria de vida, casamento, sucesso profissional e certos bens de consumo — mas também, e principalmente, de certas riquezas que fazem bem à alma. Temos muita carência de alegria, amor, capacitação, certeza, entusiasmo, equilíbrio, fé, humildade, misericórdia, orientação, paz de espírito, ousadia, sabedoria, santidade, tranqüilidade, vitória sobre fraquezas e defeitos pessoais. Deus nos dá o direito de levar essas necessidades a ele em oração.

Aproximemo-nos de Deus para gozá-lo 
A resposta dada à primeira pergunta do Catecismo Menor, redigido pela famosa Assembléia de Westminster, que se reuniu em Londres a partir de 1647, ensina que “o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. O Antigo Testamento explica que “como a corça anseia por águas correntes”, a alma tem sede de Deus, do Deus vivo, e deseja muito estar seguidamente diante dele (Sl 42.1-2). Somos todos como filhos que não podem sobreviver sem a presença do Pai. 

É preciso voltar a Santo Agostinho e ouvir de sua pena esta exortação: “Muitos clamam a Deus com o intuito de adquirir riquezas e evitar prejuízos, pela felicidade temporal e coisas semelhantes. Raramente alguém clama pelo próprio Deus. Assim, é fácil ao homem desejar alguma coisa de Deus e não desejar o próprio Deus, como se o que ele dá pudesse ser mais gratificante do que ele mesmo [...]. Nada é mais prazeroso, mais belo, mais doce do que Deus! [...] Deus nos criou para ele. Inquieto é o nosso coração até que chegue a descansar nele!”

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