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Colunas — Arte e cultura

Manda bala

Mark Carpenter

O documentário Manda Bala caiu como bomba no festival de cinema Sundance. Dirigido pelo norte-americano Jason Kohn, o filme retrata o Brasil como um dos países mais corruptos e violentos do mundo. Kohn juntou a trajetória revoltante de Jader Barbalho, a indústria de seqüestro em São Paulo e a demanda nacional por cirurgia plástica, e criou uma fórmula explosiva cheia de humor negro e cenas impossíveis de assistir sem esconder os olhos. Levou o prêmio de melhor documentário e mexeu com o brio de alguns blogueiros brasileiros, que pensaram logo em boicote. Ficaram incomodados por causa da nacionalidade do diretor, como se nenhum artista estrangeiro tivesse o direito de observar a desgraça nacional.

De fato pode ser incômodo enxergar-se pelos olhos de quem não lhe conhece e a quem você se esforça para impressionar positivamente. Ver o rosto melancólico de José Genoino estampado na capa de Veja é uma coisa; mas vê-lo na capa da Economist seria humilhante demais.

Este mesmo incômodo os evangélicos do Brasil sentiram ao assistirem à prisão do casal Hernandes reportada chistosamente pelos âncoras do Fantástico. Por mais que concordemos que o peso das evidências se amontoa de forma constrangedora sobre os ombros apostólicos do casal, muitos cristãos tiveram a sensação de que essa história deveria ter sido tratada há muito tempo “em casa”, pois este é, afinal de contas, o melhor lugar para se lavar roupa suja.

De modo geral, a imprensa brasileira vem se transformando num legítimo quarto poder. Na política, a pletora de denúncias bem documentadas resultou em cassações, prisões, afastamentos, demissões e fugas. Para ser mais eficaz na contribuição para a moralidade pública, a mídia depende apenas dos seus leitores — o povo. Somente a indignação do povo transforma um fato num escândalo. E a sensação de afronta diante do escândalo é o motor propulsor da justiça.

No caso da imprensa evangélica, o quadro é mais preocupante. Com raríssimas exceções (Ultimato está entre elas), não há denúncias, não se investe em jornalismo investigativo e suspeitas são ignoradas em nome da política da boa vizinhança. Faz-se vista grossa a evidências de imoralidade e falcatruas na igreja para não criar confusão (e para não afastar anunciantes). Há poucos jornalistas cristãos dispostos a se arriscarem para defender a verdade e a honra da igreja e do nome de Cristo num país que vai se transformando num paraíso de pastores oportunistas e da teologia do consumo.

O preço que a igreja paga por não sustentar uma imprensa cristã forte e independente é ver — com freqüência cada vez maior — a erosão da prestação de contas pública dos seus líderes, situação que quase sempre antecede a detonação dos escândalos religiosos na mídia nacional.

Creio que o tratamento que a mídia secular dá aos escândalos evangélicos serve para nutrir o ceticismo alheio e afastar muita gente de Cristo. A solução de longo prazo não é esconder o escândalo da mídia secular; é arejar os indícios iniciais desses escândalos potenciais nas páginas amigas de quem quer bem à igreja. Se a imprensa evangélica não se mobilizar para confrontar a igreja e servir de voz da consciência coletiva, a imprensa secular está aí para mandar bala.


Mark Carpenter é diretor-presidente da Editora Mundo Cristão e mestre em letras modernas pela USP.

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