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Seções — No ventre da dor

A dor sempre é menor do que a alegria no Senhor

Sara Maia

À semelhança de Ultimato, eu também sou quarentona. Cheguei aos 40 ontem. Passei a tarde na praia com meus filhos e irmãs, lendo a revista à sombra. O que é melhor que ler Ultimato à beira-mar em um dia lindo de janeiro?

É meio estranho fazer 40 anos. Chego a essa idade com um saldo interessante. Somente agora, depois de ter os meus filhos, um deles com síndrome de Down, o coração se voltou para um trabalho na igreja. Estou, vagarosamente (C.S. Lewis diria “relutantemente”), começando a trabalhar na igreja, em vez de ser um “crente de banco”.

Agora o futuro chegou, trazendo mudanças que eu não imaginava “para o meu destino pequenino”, como dizia o poeta. Porque a vida dá voltas inacreditáveis. Em 2006 tive dias especialmente difíceis, com o diagnóstico de câncer, as cirurgias, as sessões de quimioterapia, as náuseas, os vômitos. Meus cabelos caíram, usei lenços, chapéus e até peruca (ou “cabelo de boneca”, como falei aos meus meninos).

Recentemente, num dia especialmente ruim, sem poder ler muito por causa do enjôo, sem poder sair por causa do sol, sem poder deitar direito por causa da ânsia de vômito, agradeci a Deus por ter lido a Palavra na infância, porque seria muito triste chegar aos dias maus com a mente vazia, fixada no passado, como quem pergunta: “Por que foram os dias passados melhores do que estes?”.

Tenho feito a oração do Getsêmani: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”.

Não tenho ainda — na verdade quero ter — essa intimidade com Deus, essa inundação toda de que falam as músicas atuais nas igrejas. Nós estamos caminhando por um vale de sombras. Mas estamos convictos de que, a longo prazo, é melhor passar pela escuridão que viver em brancas nuvens e não conhecer o Deus que é mais alto que os céus.

Meu Deus... Por dentro eu me sinto como me sentia aos 21 anos: independente, forte, saudável, feliz, inteligente, esperançosa, otimista. Mas também sinto um alheamento das coisas, como se olhasse as multidões frenéticas, nas ruas e nas lojas, do alto de uns duzentos anos...

Pois bem, meus projetos atuais são criar os meus filhos, construir com a ajuda de Deus um bom lar para eles e MeuBem, trabalhar na salinha das crianças pequenas por ocasião do culto dominical; fazer o tratamento contra o câncer, levar as crianças à escola, o Asafinho à APAE e Julinha à Pestallozi.

A tranqüilidade que Deus dá não depende de circunstâncias. Devemos prosseguir, porque nada sabemos da próxima curva da viagem, e mesmo das curvas já passadas sabemos muito pouco. A vida é risco. Por isso, deixemos o dia de amanhã chegar. 

Estou insatisfeita e satisfeita. Insatisfeita com meu peso, porque estou um pouco fora de forma — ônus e bônus da fertilidade, e também do sedentarismo. Mas satisfeita porque chego aos 40 com uma doçura, uma paciência — talvez uma “sabedoria”, quem sabe? — um tantinho maiores. Penso que agora a gente já sabe um pouquinho melhor a dimensão das pernas para o salto.

Não sei o que a vida me trará — se dor, sei que será menor que a alegria, porque Deus me ungiu com óleo de alegria, e a unção dele é irrevogável. Em toda a minha vida estive certa disto: que uma coisa não exclui a outra, e a alegria no Senhor é sempre maior que a dor.


• Sara Maia
é professora especializada em educação inclusiva e membro da Igreja Batista da Restauração, em Vitória, ES.

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