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Colunas — Da linha de frente

Uma reflexão sobre o Estado laico

Em geral, os evangélicos se empenham muito em favor do Estado laico. A intenção é colocar o Estado fora do domínio da religião católica. Instituir um Estado que deva responsabilidade apenas a si mesmo, e à ideologia humanista que comanda os países “desenvolvidos”, ou quem sabe, um Estado condescendente conosco, onde possamos colocar nossas Bíblias em altares públicos. 

A metáfora básica dessa vontade evangélica, é a retirada de crucifixos das repartições públicas, congressos, tribunais. Imaginar essa retirada me entristeceu. Primeiro que o crucifixo não é um “buda” qualquer. A paixão de Cristo expressa nele tem uma mensagem única. O primeiro testemunho de Deus na minha vida foi um crucifixo. 

Minha mãe, católica praticante, lia para mim um catecismo na frente do crucifixo lá de casa. Lembro-me de meu primeiro Cristo, um Cristo negro. O padre da paróquia que nossa família freqüentava, de maioria negra numa periferia de Belo Horizonte, mandou fazer especialmente um crucifixo com aquele Cristo mulato. Tudo o que eu fazia durante a missa era observar de olhos arregalados a face daquele Cristo sofrido. Ele foi parte da revelação que me conduziu depois a um relacionamento pessoal com Deus, e até à compreensão missiológica de que a Verdade-Jesus se faz grego com os gregos, negros com os negros e até índio com os índios. 

Não podemos querer reduzir a revelação de Deus para a sociedade brasileira à mera expressão religiosa evangélica. A referência ao cristianismo católico foi e vai continuar sendo saudável para nosso país. Não os exageros idólatras, mas aquele cristianismo cosmovisão, que faz com que a sociedade se refira a um ser mais alto do que ela mesma. Quando hostilizamos o “romanismo” estamos repudiando também os valores cristãos que a Igreja Católica até hoje defende diante da sociedade brasileira com mais propriedade e clareza do que os evangélicos foram capazes de fazer. Quem é hoje no Brasil uma voz contra a legalização do aborto, a favor da integridade da família, contra o divórcio? Quem tem um discurso com uma postura moral clara diante da injusta distribuição de riquezas do país? 

Nossa voz evangélica não se faz ouvir nestes assuntos. Falamos quase sempre sobre religião. Apesar das muitas iniciativas sociais que produzimos, até hoje fomos incapazes de formar na massa evangélica uma consciência que integra cidadania com cristianismo. Continuamos Malazartes de Cristo. 

Um dado triste anunciado pelo último censo do IBGE foi que o número dos “sem-religião” cresce tanto ou mais do que os evangélicos no Brasil. Pior ainda, sociólogos se atrevem a dizer que os sem-religião são os ex-evangélicos. Se for verdade, estamos crescendo inversamente e, em pouco tempo, seremos como cultura brasileira uma cultura polarizada. Os xiitas evangélicos e os sem-religião. Se tivermos como evangélicos chegado aos maiores cargos de influência política do país, viraremos uma versão cristã do Estado islâmico. 

Jesus, ao lidar com a lei, disse que não veio para aboli-la, mas para cumpri-la. Ele significava o novo, mas não desprezou as referências culturais anteriores. Ao cumprir a lei, validou-a como referência, como norteamento, como pegada clara de Deus na areia da cultura. 

Quais foram as pegadas do caminhar de Deus na cultura brasileira? Construímos nosso mundo evangélico sobre os alicerces católicos. As pessoas tinham noção de certo e errado mesmo não vivendo de acordo com isto. Elas pensavam: “Existe um Deus, portanto a vida vale a pena, portanto a moral, portanto o amor, portanto a família etc”. Crucifixos em repartições nos dizem isto. Cruzes e catedrais em praças nos dizem que, além de nós, existe alguém maior que morreu por nós. 

Infelizmente, por puro preconceito, estamos transformando todas as referências pré-evangélicas em nada. Se continuarmos assim, será mais difícil falar de Jesus para as próximas gerações. Jesus, Buda, Iemanjá estarão todos no mesmo patamar e acima deles estará o grande Estado laico, referência suprema de todos. Os cristãos terão de se esconder por serem odiados — não por causa de Jesus, mas por causa do ódio e rivalidade com que trataram todos os que não pensavam como eles. Catedrais serão transformadas em cenários de bacanais, (como nos países que copiamos) o deus será o homem e a relativização moral absoluta será a marca cultural do Brasil, como na bela Europa laica. Ironicamente, tudo isto com nossa ajuda. 

Bráulia Ribeiro é missionária em Porto Velho, RO, e presidente da JOCUM - Jovens com Uma Missão. braulia_ribeiro@yahoo.com

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